Pizza & Blues

Rolou desventura, infortúnio, vicissitude? Está na merda, chorando revés? Perdeu o emprego? E ainda bateu o carro? Levou chifre, tomou pé na bunda? Faltou dinheiro para pagar o aluguel e não sobrou nem para o pão com ovo?

…..Nessas horas, o jeito é se jogar no Blues.

Tudo o que deixa a gente na pior nos lança no mood para o Blues.

Para versejar a lamentação num Blues, bem entendido. Em letras de uma “indigência” muitas vezes constrangedora, sexistas e violentas, com referências a vinganças sanguinolentas, tiros, facas…

Já a música vai muito além da auto piedade. É como se o ritmo – às vezes dolente, mas que costuma atingir altos remelexos de animação – funcionasse como catarse, destilando o sofrimento em foda-se; tipo um porre de redenção.

Destilar e porre são conceitos que vêm bem a calhar: quando essa extraordinária matriz musical americana nasceu, no final do século XIX, blue era gíria usada para discriminar bêbado.

Se bem que a imagem do desabrochar do Blues que alimenta o imaginário americano não tem relação direta com grogue. O cenário são as plantações de algodão dos estados do sul (escravocratas confederados na guerra da Secessão) – com epicentro no delta do rio Mississipi, arredores de Nova Orleans. Foram os negros da Louisiana, Texas, Arkansas, Missouri, Alabama, Georgia, Tennessee, Carolinas e adjacências (já forros, mas fodidos e mal pagos) que passavam a vida apregoando seu sofrimento em cantilenas intermináveis, enquanto colhiam o algodão de seus senhores, digo, agora, patrões.

À noite, nos bares dos alojamentos (olha o pileque aí), os versos que haviam feito mais sucesso no campo eram repetidos para folgança de todos. E ganhavam ritmos animados para que pudessem, já encharcados no álcool, rir e dançar de seu infortúnio.

Embora o Blues não me fosse completamente desconhecido, nunca havia atentado para a relevância – essencial e imprescindível – do ritmo. Em meu favor, o argumento de que meu talento musical se restringe à plateia. Nem palmas eu consigo bater no ritmo…

Foi depois de uma temporada em New Orleans, caminhando  todas as noites nas imediações da Bourbon Street, pelo French Quarter, batendo ponto no Preservation Hall e no House of Blues – ou ouvindo o que emanava de qualquer biboca por mais espelunca que fosse – que meus pés passaram a bater compulsória e compassadamente, ao reconhecer um good old blues. E olha que foi só uma semaninha, há coisa de vinte anos!

Blues (e Jazz, e Soul) não param em New Orleans.
Seja no House of Blues, no Preservation Hall (à esquerda)
ou nas ruas mesmo, anywhere and everywhere.

Mesmo zero à esquerda que sou, passei a reconhecer a batida bluesística nas canções de algumas de minhas divindades rockeiras, particularmente em Jim Morrissey, digo, The Doors; e – só para citar alguns rock stars com lugar cativo em meu altar – Elvis Presley, ZZ Top, Joe Cocker, The White Stripes (resgatando velhos standards pra a vanguarda da vanguarda), Cream (Eric Clapton sempre foi blueseiro de carteirinha), Stevie Ray Vaughan (dá-lhe gaita afinada!), Credence Clearwater Revival, Santana (Blues for Salvador é guitar in it’s best), Deep Purple, Led Zeppelin (e, clarevidentemente Jimmy Page), Fleetwood Mac, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Grateful Dead, Jethro Tull…

E, de repente, agora no final de 2016, ficamos sabendo que ninguém menos do que os Rolling Stones acabaram de lançar um novo disco: o ótimo Blue & Lonesome. Em comemoração aos cinquenta e cinco anos de um encontro fortuito de adolescentes que não se conheciam – Mick Jagger e Keith Richards – numa estação de trens londrina. Um atraindo a atenção do outro pelos discos que levavam: LPs de Blues, de Muddy Waters e Chuck Berry. Naqueles dias, era o que lhes monopolizava a emoção. “Foi essa a razão para montarmos uma banda”, reconhece Jagger; confessando que “sempre fomos devotos do Blues”.

O fato é que o Blues está no DNA do Rock&Roll. E também do Jazz. Embora eu ache que Rock e Blues sejam ritmos musicais (como samba, bolero, fado ou cha-cha-chá…), enquanto Jazz, bem… Jazz é uma categoria de Arte. Tipo a Pintura de Klimt, a Literatura de Guimarães Rosa, a Dança do Grupo Corpo, o cinema de Ken Loach, a Arquitetura de Lina Bo Bardi, o teatro de Shakespeare, a escultura de Ligia Clark, a música de Mozart… E o Jazz (de Miles Davis, Charles Parker, Billie Holliday, John Coltrane, Thelonius Monk, Chet Baker, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Nina Simone, Django Reinhardt, Michel Legrand, Stéphane Grappelli …).

Em “Três Músicos”, Picasso retrata os ritmos negros norte-americanos
chegando a Paris, no início do século XX

Sampaulo não é Nova Orleans, com Blues – e Jazz – sendo dedilhado, soprado e solfejado a cada esquina. E isso só não é ruim, porque aqui também rola chorinho, rap, tango, samba, forró, flamenco, xote…
Mas o Brasil já teve – e tem – bons bluezeiros. Do pioneiro Celso Blues Boy aos Blues Etílicos. Passando por André Cristovam, Nuno Mindelis, Igor Prado, a gaita virtuosa de Maurício Einhorn e de seu discípulo Sérgio Duarte, o impagável showman Paulo Meyer e seus inseparáveis Thunderheads…

Alguns deles batem ponto com frequência – além da ótima banda da casa – na surpreendente C. C. Rider, um bar de Blues que, há ano e meio, anima as noites da Moóca.

(Moóca? De novo, toda hora?).

Mas antes de nos tocarmos para lá, vamos cuidar da pança que a alma se diverte melhor quando o corpo está repimpado.

E vamos de pizza!

Não uma redonda qualquer. Vamos nos jogar em uma das melhores pizzarias de Sampaulo.

A Pizza da Moóca fica no último quarteirão – antes da avenida Paes de Barros – da rua Guaimbé (já palmilhada por este “Sampaulo de Lá pra Cá” em tantos posts recentes que até já perdi a conta).

Antes de largarmos de mão o logradouro, vamos dar uma última e saborosa paradinha para conhecer as ótimas coberturas das massas (preparadas com as finississíssimas farinhas de trigo 00 trazidas de Nápoles (sabe a terra natal da pizza?). Redondas não tão delgadas que pareçam pão pita; mais para grossas, bordas consistentes (mas a qualidade da massa compensa,). Não empanturra nossa compostura .

São assadas no forno que reina, soberano, nos fundos da pequena e acolhedora Pizza da Moóca.

O lugar fica na fronteira do alternativo, mas do lado de cá do charmoso.

O serviço? Bem… Não chega a estragar o bom-humor, mas tropeça na displicência blasé que é um jeito de fazer de conta que não é amador. Para usar uma linguagem mais de acordo com os garçons com jeitão de estudantes fazendo bico para pagar a faculdade, é descolado.

Entre eles, entretanto, chama a atenção o entusiasmo de Elmond, um jovem migrante haitiano que fugiu das catástrofes naturais, sociais, políticas e econômicas de sua ilha caribenha natal para fazer a vida no Brasil. Em poucos anos, já trouxe a mulher e constrói sua família aqui, com uma garra rara de se ver. Até o seu desembaraço com a nova língua, em tão pouco tempo, pasma.

Sou avesso à xenofobia. O acolhimento a migrantes, particularmente aos que lutam com unhas e dentes pela sobrevivência, não é apenas uma ação humanitária moralmente obrigatória. A garra que o padecimento atiça nesses pelejadores faz deles, também, agentes econômicos preciosos. Trabalham, aguerridos, pelo direito à vida. *

Essas horas eu entendo – e apoio – a perspectiva pragmática de Angela Merkel…

Por falar em imigrantes, vamos voltar a eles. Só que aos italianos que fizeram a pujança de Sampaulo nas fábricas que já fervilharam na Moóca (onde estamos), povoaram o bairro e trouxeram para cá a pizza (nas quais estamos em vias de cair de boca).

Antes, que tal abrir o apetite com um dos coquetéis da Pizza da Moóca, à base de Disaronno? É amaretto, um licor italiano que é pura amêndoa e é para lá de clássico – seus fabricantes garantem obedecer uma receita original de quando a língua dominante, por aqui, ainda era o tupi. E tem o condão de me fazer criança. Quando eu me entendi, o nome no rótulo era Amaretto di Saronno, ou seja, da cidade lombarda de Saronno, colada acima de Milão. Não faço a menor ideia se a decisão de mexer no nome foi judicial ou marqueteira. Detalhe: amêndoa, que é bom, não passa nem perto de sua fórmula! Para mim, foi tipo descobrir que papai noel não existe…

O fato é que preparam dois coquetéis com Disaronno na Pizza da Moóca: o Mojito Italiano (com rum, limão e hortelã, como qualquer mojito; só que o limão é siciliano, acrescentam uma lapada de prosecco e temperam com o amaretto; italianizou, è vero!) e o Lila Sour (com suco de laranja, limão, amaretto e uma cereja pra sofisticar). Valem – para mim, at least – pelo aroma sutil de amêndoas que me remete à infância.

Mojito Italiano e Mila Sour
ambos levam o licor Disaronno em sua fórmula

Para acompanhar os drinks, como abre-alas para as pizzas, as opções são:

Corniccione: massa de pizza fininha, assada até ficar crocante, sutil e sabiamente temperada com ervas e um salzinho encantador.

Crocche Napolitano: meia dúzia de bolinhos, de batata, recheado com pancetta (mas que prometem mais do que cumprem).

Tre Foccace: essas sim, três tiras deliciosas. Olha só o que o tal do trigo 00 proporciona na construção da base perfeita, macia, aerada, mas densa, casca crocante e coberturas bem diferentes. Todas três adoráveis: numa, a simplicidade do salgrosso aromatizado com alecrim se valendo da excelência da massa; noutra, a fatia fina de abobrinha com ricota e manjericão cheia de personalidade a um tempo discreta e estilosa; na terceira, os gritos e sussurros do ótimo cardume de alicci em leito de molho de tomates bem apurado. Surpreendente.

Agora surpreendentes, mesmo, são as pizzas. Como são boas!

Dividem-se em duas categorias: as “vermelhas”, onde quem manda no molho é o tomate; e as “brancas”, onde quem dá o tom é o molho bechamel. Qual é a importância desse detalhe? É que, no caso de mezzo una, mezzo altra, não juntam metade branca com metade vermelha…

Entre as rubras, costumo juntar a simplicidade da Margherita (ou sua versão puxada no alho, a Napolitana) e a picância – nem tão ardida assim – da Diavola (com linguiça diavoletta e pimenta jalapeño).

Já entre as alvas, sou fã da invenção do célebre chef inglês Gordon Ramsay (com gorgonzola e cebola caramelizada) e a bem resolvida Carbonara (com pancetta, parmesão e ovo mole).

Para molhar a goela, como virei fã de cerveja com o advento das “artesanais” – já que poucos líquidos são tão intragáveis quanto as “louras” tradicionais industriais (nem a Heikenen se salva mais…), costumo ir de Jupiter 10 Lúpulos, uma Indian Pale Ale extraordinária, encorpada, produzida pela cervejaria paulistana.

A boa cerveja Jupiter e o vinho Aparados são opções de o que beber
para acompanhar as ótimas pizzas

Mas como muita gente não consegue encarar uma pizza sem vinho, a Pizza da Moóca oferece a boa relação custo/benefício do cabernet sauvignon Aparados, da vinícola catarinense Villa Francioni. Mas controle a expectativa…

Dá para encarar sobremesa?

Então não caia na tentação pelos Canolli. A massa é pesada e o recheio é sem graça. De siciliano só tem a pretensão.

Embora tosco, o Calzonino de Nutella (com sorvete de leite e amêndoas) é mais palatável para quem precisa cair na glicose para alcançar a felicidade. Mas que é over, isso é.

Devidamente saciados, vamos desempanturrar numa curta caminhada de menos de três quarteirões (é descida e todo santo dá uma mãozinha) até o C. C. Rider, na rua Jumana. O Blues nos aguarda.

Porque C. C. Rider? É o título de um Blues celebrizado por Elvis Presley. Se você ouvir, vai lembrar. O “C. C.” significa “See See”. Americano sempre abusou dessas onomatopeias com letras. A garotada brasileira – e os nem tão meninos assim – também mergulharam fundo nesse vício de linguagem (que é prático, é) com a internet, particularmente depois do zap, digo, whatsapp.

Ou seja: o nome do bar, o título do blues – e seu refrão – significam “Veja, Veja, Cavaleiro”.

Que, como dá para ver na marca, foca em Blues e cerveja.

Recebe-nos, na esquina da rua Jumana com a rua Bernini Rosário Mônaco, um portentoso lustre de cristal. Mas não se intimide. A casa não é metida e o ambiente é bem informal. Mais pra lotado, com eventual espera na porta e tudo.

Embora role Blues dos bons e ao vivo todas as noites, descobri que a clientela – há exceções – não é exatamente blueseira. Começa que tem de tudo, de criança a idoso. A maioria é jovem, focada na azaração e tal. Mais tem quem leve filho, avô… Por mim, beleza. Não sou mesmo chegado em gueto.

São moóquenses que vão lá porque o lugar é “decente”, classudo, com jeitão de Jardins (ou, at least, Moema) na Moóca. E o Blues, se não é a isca que os arrasta, faz boa trilha sonora para a noitada.
Muitos nem se incomodam de se acomodar no andar de cima, arredado do show e perto das mesas de bilhar.

Embaixo, a cintilância mais esfuziante fica por conta do balcão, prodigioso, sólido em sua combinação de madeira nobre, tampo de granito, muito metal dourado (as torneiras de chope são uma sedução), zilhões de rótulos coloridos, copos luzidios e um ou outro adereço atraente, como a iconografia do Juventus, o time da paixão moóquense.

Se você não comeu antes – e só nesse caso – pense em encarar a cozinha do bar. Comete mais equívocos do que acertos.

O Jambalaya – prato típico créole, muito popular no baixo Mississipi (e, por isso mesmo, tudo a ver com o Blues) – é um mal-entendido sem tamanho. A mistura é abusada: tipo um risoto com camarão, linguiça e frango. O que dá a liga é um tempero peculiar que eles chamam de cajun. Já comi jambalayas de lamber os beiços. O do C. C. Rider é uma gororoba sem eira nem beira. As costelinhas de porco também deixam – muito – a desejar.

Se gostar de ardências – fortes – entre um gole e outro,
eles servem porções de pimenta jalapeño recheadas com cream-cheese antes de empanar. Falta sal, mas é legal. Só que tem de gostar de picâncias intensas.

Quer saber? Vá de burguer. Se, por um lado, não sobem ao pódio dos melhores da cidade, tampouco são eliminados de saída. Sugiro dois: o Monster Truck – que parece maior do que de fato é, embora seja avantajado, com bacon e onion rings (embora eu, se fosse você, pediria sem o molho barbecue meia-boca e o queijo prato de quinta) ou o Tex Mex, o melhor deles, com chili e sour-cream (sem o queijo, lembra? Eu peço para acrescentar bacon). A carne é farta e boa e isso é o que mais importa em se tratando de burguers. Mas, atenção, se você gosta de queijo gorgonzola – blue cheese em lugares americanistas como aqui, nem assim vá de Blues Cheese Burguer. O queijo mandou lembranças, mas o mensageiro não chegou a tempo; e o molho, ó, neca daquele gostinho peculiar de gorgonzola.

Eu recomendei… Passe pela Pizza da Moóca antes…

Já para beber, a história é outra.

Então vamos ao que nos trouxe até aqui: Blues & Beer.

As cervejas são, de fato, a melhor opção etílica do C. C. Rider. O cardápio dedicado a elas é recheado de obras-primas. Engarrafadas ou saídas das torneiras douradas do bar. Brasileiras nativas ou passadas pela alfândega.

Já experimentei dois coquetéis da casa e decidi não arriscar mais. Não pagam a pena. Um deles, leva o nome da casa (feito com tangerina, Jack Daniel’s Honey  – ô bebidinha mais exquisita – e gelo de água de coco). O outro, uma caipirinha de limão siciliano, uva e manjericão. Em ambos, os ingredientes parecem que entraram no copo para uma rinha, não para uma festa. É só desavença.

Já as cervejas… Quanta iguaria…

A começar pelo chope de uma de minhas Indian Pale Ales prediletas, a “Schornstein” – sou devoto das IPAs e esta, produzida aqui no estado de São Paulo, em Holambra, é perfeita. Eles a vendem também em garrafa.

Como outra IPA deliciosa, a Revenge, também paulista, só que da cidade de Socorro e a American IPA (preparada com lúpulos aromáticos norte-americanos) 6 o’Clock, fruto da parceria entre as cervejarias Invicta (outra daqui de São Paulo, mas de Ribeirão Preto – que tem tradição cervejeira) e Sixpoint (dos Estados Unidos).

As IPAs Revenge e 6 o’Clock
são apenas dois rótulos de um vasto cardápio primoroso.
E alguns chopes difíceis de encontrar por aí,
como o ótimo IPA Shornstein, juntam-se ao Blues
para fazer a festa dos frequentadores do C.C.Rider.

As grandes canecas e tulipas (meio litro!) nas mãos do povo, entretanto, incitam ao chope e à pândega.

Para encerrar, back to the beginning: o Blues.

Eu sei, você sabe, todo mundo está careca de saber que a cultura brasileira
é pródiga em grandes músicos. Músicos de Blues, inclusive.

Os melhores entre eles são arroz de festa no C. C. Rider. A começar pela ótima banda da casa; à frente o vocalista Ivan Marcio que também se vira legal na gaita.

C. C. Rider Band

Além de outros gaitistas cantores do primeiro time, como Sérgio Duarte (sempre acompanhado de seu filho – uma revelação extraordinária de guitarrista). E o cativante showman Paulo Meyer com sua animada banda The Thunderhead.

Sérgio Duarte e, à esquerda, seu filho revelação, Leonardo.
Embaixo, Paulo Meyer, o maior showman do Blues brasileiro, com sua banda Thunderhead.

Além do Spitfire Trio (Ricardo Mourão, Je Lima e Caio Dohogne), o guitarrista Marcelo Watanabe, o tecladista Adriano Grineberg, a banda Cosa Nostra, Vasco Faé, o Tritono Blues (Bruno Sant’anna, André Carlini e André Yous), a gaita surpreendente de Nicola Sena…

Só fera!

Mas precisava cuidar melhor da “moldura”, porque a música é sempre primorosa. Não existe palco, os artistas ficam no mesmo nível da mesa (bastava um tablado palmo e meio mais elevado…), escamoteados debaixo da escada e sem iluminação minimamente adequada. A qualidade do som é muito boa, ou seja, cuidaram do essencial, mas há detalhes que não são irrelevantes, pelo contrário.

Que isso justifique a baixa qualidade de minhas fotos dos shows. Até porque só fotógrafos profissionais, munidos de equipamentos de ponta, conseguem bem registrar o performance dos artistas. Câmeras com melhor desempenho do que o provido pela apple a seus iphones (e mais competência do que a que me foi aquinhoada pelo deus da fotografia). Enquanto isso, o salão, as mesas, a plateia iluminadaços. Pode, Arnaldo?

Felizmente, mais recentemente, as noitadas da casa passaram a ser registradas pelo craque Marcelo Crelece, da Emmy Photografia. Muitas fotos deste post são dele (as melhores). Particularmente as dos músicos. São publicadas no facebook do bar. Pela excelência desse trabalho, justificam per se uma visita à página. Quer ver?

* É inspirador visitar a Missão Paz, da Igreja Católica, no bairro do Glicério (pertinho da Praça da Sé, do bairro da Liberdade…). Eles cuidam do acolhimento, socorro e capacitação profissional de imigrantes. Com aulas de português – para árabes, africanos, haitianos… – e de formação para o trabalho. Às quarta-feiras é possível visitar o projeto e, até, conversar com centenas de clientes que frequentam ou estão alojados lá.
Quer conhecer? www.missaonspaz.org

BÔNUS

Lá nos primórdios da TV a cabo nos Estados Unidos, um canal promoveu um encontro de notáveis do Blues, sob o comando de ninguém menos do que B. B. King (a quem eu – thank’s God – vi, ao vivo, várias vezes). Virou programa e foi ao ar no final da década de oitenta. Olha só o elenco: Paul Butterfield, Eric Clapton, Phil Collins, Dr. John (que eu assisti a nem faz tanto tempo assim em Sampaulo), Etta James (vi em New York, pouco tempo depois dessa gravação), Chaka Khan, Albert King, Gladys Knight (esta eu vi em New Orleans, num tipo circo coberto por lona e tudo), Billy Ocean, Stevie Ray Vaughan… É mole?
Reparem na “conversa” entre as guitarras de B. B. King e Eric Clapton. E de B. B. King com Steve Ray Vaughan. No dueto de Etta James e Dr. John em “I’d Rather be Blind”. E Billy Ocean – eu nunca havia atentado para essa voz…(“… whem something is wrong with my baby, something is wrong with me…)! As três ladies cantando a capella. E o encontro de vozes e guitarras de Stevie Ray Vaughan e Albert King, intermediado pela gaita de Paul Butterfield. O elenco inteiro fazendo um “Midnight Hour” memorável. De-MAIS!
Um pitéu delicioso, único!
Um registro extraordinário, produzido e dirigido por Ken Ehrlich, uma lenda estadunidense da TV e dos grandes espetáculos.
“Let the Good Time Roll”…
Para vocês, na íntegra:

 

 

Moóca, ó nóis aqui ‘tra vez

Me seduz, excita e encanta, a capacidade de resiliência. “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, como cantou Paulo Vanzolini.

Há pouco, passei mais de dois meses longe de casa. Acaba que a pessoa que costuma vir aqui, durante minhas ausências, para arejar o apartamento e aguar minhas plantas, não veio. Resultado: encontrei vasos e canteiros da horta em petição de miséria. Me agarrei ao alento poético de Fernando Pessoa: “se ainda há vida, ainda não é finda”. Decretei UTI na varanda e me joguei no esforço de salvar o que mal e mal sobrevivia.

Uma parte dessa minha horta/jardim urbano, aparentemente condenada, já me regala com o espetáculo surpreendente e emocionante da resiliência, na forma de novas folhinhas vitoriosamente verdes brotando de galhos secos.

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Com a gente também acontece. Às vezes somos submetidos ao sentimento de que um the end se abate sobre nossas cabeças. E eis que somos acudidos por uma rega redentora que nos resgata ao desfrute da vida. O trombetear funesto de ponto final vira vírgula, solfejando prelúdios.

É o que me parece estar acontecendo com o – para muitos – mais paulistano dos bairros: a Moóca.

Há cem anos, fervia, fabril, com milhares de imigrantes europeus alicerçando o destino robusto de Sampaulo e do Brasil. Dezenas de grandes indústrias desenharam o perfil fundador do bairro.

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Toda essa atividade arrefeceu com o tempo. A Moóca virou residência dos descendentes dos operários. Remediados de baixa classe média com seu linguajar ítalo-brasileiro praticavam – e ainda praticam até hoje – a cuccina povera de sobrevivência (como me lembrou uma leitora, Cristiane Castro, em comentário num artigo moóquense recente). Não abriram mão das raízes (sabe o gnochi al sugo?). Uma cantina aqui, uma pizzaria acolá…. Era o que ainda animava, ao som de tarantelas, a modorra provinciana que acabrunhou o bairro, por décadas. Uma vez por ano, entretanto, junto à igreja consagrada ao santo, a festa de San Gennaro se manteve baluarte das tradições de sua gente.

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O que nunca abandonou a Moóca foi o carinho do paulistano.

Talvez esteja aí a matéria prima emocional que está proporcionando este momento de resiliência do bairro. Está começando a se consolidar, ali, o novo point boêmio de Sampaulo. Com vocação para se transformar no que já foi o Bexiga de quando virei paulistano. Lugar, hoje, ocupado com estardalhaço esfuziante pela Vila Madalena.

Tive certeza disso ao passar pela rua Guaimbé, no último inverno. Sabe muvuca baladeira até durante a semana? Decidi me jogar naquelas poucas quadras para descobrir o que arrasta tanta gente a gandaiar por lá. Esse mergulho já rendeu dois posts: “Samba de Fé”, sobre a casa noturna de samba Templo, publicado em 4 de agosto; e “É Moóca, Belô!”, que juntou três atrações locais – Lá da Torta, Hamburgueria Artesanal e Bar do Juca – publicado em 27 de outubro.

Virei freguês do bairro.

Ó nóis aqui ‘tra vez!

Para bater perna pela mesma rua Guaimbé e, dois passos adiante, já na avenida Paes de Barros (uma das mais importantes do bairro), viver as emoções cênicas de um espaço cultural clássico da cidade, o Teatro Municipal Arthur Azevedo.

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De arquitetura modernista*, cercado por simpático arvoredo, o teatro da Moóca é um sessentão cheio de vitalidade. Por dentro, está novinho em folha, graças à reforma recente, quando foi reequipado e estruturado. Ganhou um prédio anexo com oficina, espaço para ensaios, workshops e o que quer que os artistas inventem para preenche-lo com talento cênico. A plateia perdeu alguns lugares, mas ganhou conforto e acessibilidade. Só o hall –  dominado pelo mural colorido do artista Renato Sottomayor – e a fachada (adoravelmente fifties) permaneceram intactos.

A nova Plateia e o Palco, totalmente renovados e equipados. A Sala Multi-Uso, ótima novidade recém construida.

A nova Plateia e o Palco, totalmente renovados e equipados.
A Sala Multi-Uso, ótima novidade recém construída.

Além da programação de espetáculos teatrais, de dança e de música (inclusive erudita!), agora o Artur Azevedo virou morada do Clube do Choro de Sampaulo.

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E os chorões paulistanos usam a prerrogativa de residentes para definir parte da programação de espetáculos da casa. Quase sempre gratuita (embora de ótima qualidade musical, já que o chorinho é um dos nossos mais pródigos mananciais de ótimos instrumentistas). Também, para interpretar as composições de compositores geniais como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Paulinho da Viola, Altamiro Carrilho, Hamilton de Holanda, Raphael Rabello, Chico Buarque, Abel Ferreira…. Tem que ser craque!

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Este próximo fim-de-semana, por exemplo (dias 11, 12 e 13 de novembro), vai ser todo por conta do Clube do Choro. Com três noites de espetáculos para lá de sedutores. A começar pelo da sexta-feira, que vai reunir um duo inusitado: Mestrinho (acordeão) e Nicolas Krassik (violino). Com um repertório primoroso, que vai de Jacob do Bandolim aos jazzmen franceses Stephane Grappelli e Django Reinhardt; passando por Dominguinhos, Sivuca, Chico Buarque, João Bosco e Baden Powell. É ou não é promissor?

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Aliás, todo sábado, das 6 da tarde até 8 e meia da noite sem falta, rola um dos programas musicais mais deleitosos de Sampaulo, sempre no hall do Teatro Arthur Azevedo. Para quem gosta de música (e alguém não gosta?) é um manjar. Adoravelmente informal. Um bando de bambas se reúnem para uma Roda de Choro. Tudo improvisado, com instrumentos trocando de mãos, repertório decidido na hora e comentários bem-humorados dos participantes. No maior jeitão varanda de casa. Sempre que posso, eu me dou o desfrute dessas duas horas prazerosas. Saio de lá com o coração enlevado – o chorinho tem esse condão – e a alma bem nutrida para encarar o que vier pela night.

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Se o corpo também estiver pedindo alimento (e a hora, 8 e meia, é condizente com uma boquinha), caminho dois quarteirões até a nossa rua Guaimbé velha de guerra, para cair de boca nos ótimos cachorros quentes da Rod Hot Dog. Com o passo acelerado, animado pela apetitosa volúpia de mergulhar no melhor milk shake de Sampaulo.

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O cachorro quente nasceu germânico. Quando, exatamente, só deus sabe. Até porque sua matéria prima, a salsicha, já era preparada na região de Frankfurt a coisa de oitocentos (!) anos. Enfiá-la no pão é tão óbvio que o hot dog pode ser quase tão antigo quanto seu recheio.

Os alemães e o hot dog: No século XVI, a salsicha já era popular em Frankfurt; Ilustrações seculares da venda de salsichas e de hot dog; Museu da Salsicha, em Berlin, e monumento ao hot dog, no interior da Alemanha; Angela Merkel cai de boca num hot dog.

Os alemães e o hot dog:
No século XVI, a salsicha já era popular em Frankfurt;
Ilustrações seculares da venda de salsichas e de hot dog;
Museu da Salsicha, em Berlin, e monumento ao hot dog, no interior da Alemanha;
Angela Merkel cai de boca num hot dog.

Mas foi nos Estados Unidos que o sanduiche se popularizou, do jeito que a gente conhece, no pão macio feito sob medida para abarcar direitinho a salsicha. Ganhou o gosto do povo, na esteira do beisebol, um dos esportes mais populares por lá. O sucesso desse casamento do cachorro quente com o jogo é centenário e pode reparar que não existe cena de filme em estádio de taco-e-bolinha em que não apareça protagonista ou figurantes atracado num cachorro quente. É que é assim que acontece na vida real. Que nem pipoca no cinema, panettone no Natal, ovo de chocolate na Páscoa…. Obrigatório.

Beisebol e Hot Dog, a cara dos Estados Unidos. Sim, lá no alto, à direita, os ex-presidentes Nixon e Eisenhower, num jogo na década de 50.

Beisebol e Hot Dog, a cara dos Estados Unidos.
Sim, lá no alto, à direita, os ex-presidentes Nixon e Eisenhower, num jogo na década de 50.

Da América para o mundo, foi vapt-vupt. Tirando a pitoresca proibição recente na Malásia. Não por ser um país muçulmano e a salsicha tradicional do hot dog ter matéria prima suína – proibida aos seguidores de Maomé. Até porque, lá, o sanduiche já era feito com salsicha de frango que é comida halal, ou seja, permitida aos islâmicos. Mas porque o cachorro, para eles, é um animal “impuro” e não dá para chamar uma comida com um nome indigno. Pode? E se chamar de roliço quente, pode?

hot-dog-nameAgora, vem cá, você já cismou por que cargas d’água o nome é cachorro quente? Eu já.

Dizem que foi intriga da oposição.

Logo que o hot dog começou a aparecer nos estádios americanos de beisebol, os vendedores de outras gulodices, concorrentes, começaram a espalhar que as salsichas eram feitas com carne de cachorro. Uma acusação que tinha lá sua razão de ser, pois parece que na Alemanha natal do sanduiche acontecia de misturarem as carnes de porco e de cão no preparo do embutido.

Saiu pela culatra. O povo, nem aí, acabou usando a aleivosia para consagrar seu escolhido. E dá-lhe mostarda para afugentar eventual veracidade. E ketchup, of course.

Viu só o tanto de cultura imprescindível existe num pão com salsicha?

Sem contar a história:

Quando criança, na saída da escola, hora do almoço, sol a pino, eu não resistia ao cachorro quente de um ambulante que fazia ponto ali, subvertendo o esforço de mamãe que esperava em casa com a mesa posta. Pouca coisa esse cachorro quente da década de 60 tinha em comum com o hot dog de hoje. Para começar, não havia salsicha. O recheio era uma carne moída refogada no alho, cebola, tomate e pimentão, que ficava fervendo numa assadeira acomodada sobre uma chama. De tempos em tempos, Companheiro (era esse o apelido do vendedor – sem qualquer conotação ideológica, mas de cumplicidade com a transgressão ao cozinhar materno) regava a carne com água para não secar. Ele abria um pão francês, arrumava alface e rodelas de tomate e pepino e carne. Como eu cresci em São Luís do Maranhão, o pra beber era uma garrafa de guaraná Jesus.

Ou seja, o Rod Hot Dog da rua Guaimbé, na Moóca, tem ancestralidade!

O lugar é surpreendente, admirável em seu encantador rigor temático. O dono, Alexandre Brazales, é guia turísticos de excursões rodoviárias aos Estados Unidos. Foi isso mesmo que você leu, embora ainda esteja tentando imaginar uma pessoa que, em vez de voar daqui para fazer compras em outlets da Florida, para andar de montanha russa em Orlando, para assistir musicais na Broadway, para se embasbacar com a cenografia fake-faiscante de Las Vegas ou mesmo para surfar na California, contrate um cicerone para percorrer as american highways. Eu acho até que pode ser um programão, a começar pela icônica Route 66. Mas não imaginei que houvesse, na Moóca, um especialista no assunto.

Mas, quando a gente entra lá, grita a evidência de que demos um salto miles and miles away from Moóca, para cair num american diner de beira de estrada. A bem da verdade, as surpresas começam na calçada, com um banco para fumantes feito com a carroceria de pick-up, uma estilosíssima bicicleta sempre estacionada por ali e, até, a maçaneta da porta de entrada: um bico de bomba de gasolina.

Bicicleta estilosa, caixa de correspondência, maçaneta bico-de-bomba-de-gasolina e banco abusado para fumantes. Tudo no Rod Hot Dog way.

Bicicleta estilosa, caixa de correspondência,
maçaneta bico-de-bomba-de-gasolina
e banco abusado para fumantes.
Tudo no Rod Hot Dog way.

Hot Rods são carros velhos – ou clássicos – americanos com motores modificados para atingir potência e velocidade que não alcançavam em sua época. Eventualmente – mas não necessariamente – podem ser, também, customizados. E está assim de americano que se joga nesse hobbie, digo, mania, digo, patologia.

Alexandre, Tracy e Monica. O orgulho de ser moóquense e detalhes da ambientação do Rod Hot Dog.

Alexandre, Tracy e Monica.
O orgulho de ser moóquense
e detalhes da ambientação do Rod Hot Dog.

A lanchonete de Alexandre e de sua Monica Othani, responsável pela elaboração culinária, é o lugar ideal para visitar esse universo.

2016-10-13-21-05-03As salsichas são preparadas lá mesmo. Inclusive a versão vegana. Mas eles oferecem a opção da versão viena industrial. E o cardápio (também original, na forma de uma prancheta com garra – na verdade uma placa de carro americana) apresenta mais de dez opções.

Já passeei por ele, gostei de todos, mas meus prediletos são o New York Style (com ótima conserva caseira de pepinos e mostarda), o Cheddar Dog (com queijo cheddar, óbvio, farofa de bacon e molho barbecue – que eu dispenso) e TexMex Dog (com chili de carne – carne moida misturada com feijão, guacamole – falta um salzinho para o meu gosto – e molho apimentado Pico de Galo).

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Além dos cachorros quente, o Rod Hot Dog oferece alguns starters (que eles chamam de porções, não fazendo jus ao espírito da casa) – as Buffalo Wings (asas e coxinhas das asas de frango empanadas e encharcadas de molho apimentado) são muito boas. Além de três opções de TexMex Food (para quem nunca se tocou, trata-se do affair gastronômico entre as duas margens do rio Grande: o Texas americano e o México); o Chili com carne vale pelas recordações do tempo em que eu, adolescente fazendo intercâmbio no estado americano de Iowa, comia essa gororoba dia sim e no outro também; o do Rod Hot Dog vem com uma porção – até farta – de nachos; mas, quer saber, Chili com Carne não tem qualquer appeal gastronômico. Caia de boca, direto, nas ardentes Jalapeño Poppers (pimentas recheadas com queijo, empanadas e fritas, servidas com molho blue cheese – quase sem blue cheese – e salsão).

De cima pra baixo: Buffalo Wings, Chili com Carne e Jalapeño Poppers

De cima pra baixo:
Buffalo Wings, Chili com Carne e Jalapeño Poppers

Impressionante como talos de salsão, mordidos assim, in natura, funcionam legal como lenitivo do ardor entre as abocanhada de jalapeño.

Para beber, Alexandre providenciou uma carta de opções “exóticas”. De soft-drinks americanos e brasileiros raros a cervejas artesanais. Como o extraordinário e delicado refrigerante Gengi-Birra, produzido na cidade paulista de Santa Bárbara do Oeste. Ou as cervejas da paulistana Cervejaria Urbana – inclusive a ótima belgian golden ale Gordelícia.

O refrigerante Gengi-Birra e a cerveja Gordelícia. Duas gostosuras da geladeira do Rod Hot Dog.

O refrigerante Gengi-Birra e a cerveja Gordelícia.
Duas gostosuras da geladeira do Rod Hot Dog.

Deixei para o final a obra prima do Rod Hot Dog. Nada menos do que the best milkshake in town. E olha que Sampaulo tem sorvete batido com leite a dar com pau. Alguns deliciosos, como o de chocolate, do Joakin’s (da rua Joaquim Floriano, no Itaim), que foi meu vício por décadas – nem sei se ainda continua tão bom como era. Mas nada se compara à doce alquimia que cinge de magia a mistura de sorvete de creme, biscoito Oreo e rum aromatizado (escocês, quem diria…) Sailor Jerry.

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“O segredo é bater muito, até que o biscoito se mescle completamente ao creme”, ensina Alexandre. A gente chega a ficar mesmo impaciente enquanto o liquidificador troa interminavelmente suas promessas de deleite. Eu fico perguntando para Tracy, a sweet atendente, se ainda não está pronto. Mas ela sabe o ponto. Só merecia uma calda menos óbvia. Mas como serve apenas para lambuzar o copo e não interfere no paladar…

Volto sempre ao Rod Hot Dog. Pelo Sailor Milk Shake.

E aproveito para fazer uma boquinha pois o de comer também é muito bom.

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Ahhhh…. Para os amantes das velhas bolachas de Vinil, Alexandre mantém, à venda, um  estoque de ótimos títulos. Particularmente de bandas clássicas do old’n’good rock’n’roll.

* O Teatro Arthur Azevedo foi criado na prancheta do arquiteto fluminense Roberto Tibau. Imagino que seu desenho (típico da escola “carioca” – Niemeyer, Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy… – que vicejou nas décadas de 40 e 50) tenha caído no gosto dos prefeitos paulistanos então nomeados pelo governador Ademar de Barros, pois várias obras municipais dessa época foram arquitetadas por ele. Inclusive os teatros Paulo Eiró e João Caetano, quase clones do Arthur Azevedo.

Bonus:

Dois vídeos.

No primeiro, uma apresentação do Clube do Choro de São Paulo, com depoimento
de um monte de feras.

No segundo, uma Roda de Choro, das que acontecem todo sábado, às 6 da tarde,
no hall do Teatro Arthur Azevedo.