Haja sacola…!

Minha alma tem deleites ancestrais. Sou fã de feiras, por exemplo. E não imagino um jeito mais primitivo de organização do comércio do que uma banca de feira. Consigo até vislumbrar pescadores fenícios (devemos a eles o manejo do mar), oferecendo seu catch-of-the-day pelos portos do Mediterrâneo, três milênios atrás.

As feiras da Antiguidade...

As feiras da Antiguidade…

Pouca coisa mudou, nas feiras, da Idade Média para cá. Capas de iphone, quinquilharia chinesa e pirataria de grifes famosas são apenas a atualização de estoque dos mesmos camelôs que apregoavam leitões e galinhas prontos para o abate, novelos de lã toscamente fiados ou cutelaria artesanalmente malhada em bigornas caseiras. Mas a forma quase nada evoluiu, desde o entorno dos castelos feudais até os arredores da ladeira Porto Geral, nas abas do parque Dom Pedro paulistano.

... e algumas feiras Contemporâneas.

… e algumas feiras Contemporâneas.

A novidade maior é a especialização, a segmentação, a tematização das feiras.

Gosto de todas. Das que misturam de um tudo – tipo bazares orientais – e das focadas num único mote. Sampaulo é pródiga delas.

Das feiras livres semanais de hortifrutigranjeiros na vizinhança de casa (e seus imprescindíveis pasteleiros nas extremidades) às feiras de livros (encabeçadas pela monumental Bienal do Livro).

Bienal do Livro, Feira do MASP e Feira da praça Benedito Calixto

Bienal do Livro, Feira do MASP e Feira da praça Benedito Calixto

Sou useiro e vezeiro de feiras de arte e antiguidades (globalmente epitetadas pelos franceses de mercado de pulgas– marché aux puces, flea market, flohmarkt – à exceção de Portugal, onde são chamadas de feiras da ladra); adoro bater pernas pela da praça Dom Orione (no Bixiga), pela do vão do MASP, pela do MUBE.. E, vira e torna, dou uma sapeada nas feiras hippie (que já foram de artesanato alternativo e hoje se jogaram nos braços do stablishment – quer melhor exemplo do que a da praça Benedito Calixto, em Pinheiros?).

Sem contar as quermesses, que são suas primas com pegada baladeira.

Tem Feira da Madrugada, Feirão da Casa Própria, Feiras de Negócios….

As grandes Feiras de Negócios animam a economia.

As grandes Feiras de Negócios animam a economia.

Esse quesito de grandes feiras, focadas em fragmentos produtivos específicos, é um dos mais poderosos ímãs de hóspedes para a estrutura turística de Sampaulo. Quer ver? Antes mesmo que 2016 pendure a chuteira, acontecem duas grandes feiras de alimentos e bebidas, o salão do automóvel, feira de jóias e bijuteria, feiras de cosmética, de misticismo, de aviação, de tecnologia e nanotecnologia, de cinema e fotografia, de equipamentos para diversos segmentos da indústria… Eventos que reúnem milhares de pessoas vindas do mundo inteiro, exibem e comercializam o fruto do trabalho de milhões de operários, artistas, cientistas e técnicos, fazendo girar a roda da economia.

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Eu mesmo fui convidado – e vou, porque me importa a saúde do planeta e curiosidade é comigo mesmo – para a feira do lixo. Digo, de resíduos sólidos (que é o jeito “bon ton” de tratar do assunto). A Waste Expo Brasil reunirá, entre os dias 22 e 24 de novembro, uma multidão de profissionais e interessados em geral no tema: autoridades, técnicos e ambientalistas, administradores públicos municipais responsáveis pela gestão dos descartes urbanos, produtores globais de equipamentos para coleta, transporte, reciclagem (ou seja, reaproveitamento), compostagem (que é a utilização do potencial energético dos dejetos – ou como adubo orgânico) e aterros sanitários sustentáveis. Além de pequenos e médios empreendedores privados e sociais dessa cadeia produtiva vital para a nossa sobrevivência.

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Antes disso, bem antes, agora no próximo fim-de-semana, o programa será mais saboroso – embora também faça parte do universo da Eco-Responsabilidade. Vou sem falta à segunda edição da feira Sabor Nacional. A primeira aconteceu em julho e o sucesso surpreendeu promotores, feirantes e público: dois dias de Museu da Casa Brasileira lotado.

Museu da Casa Brasileira. Lotado durande a primeira feira Sabor Nacional, em julho.

Museu da Casa Brasileira. Lotado durante a primeira feira Sabor Nacional, em julho.

A ideia é repetir a coisa toda, tim tim por tim tim. Só que ampliado. Com maior número e variedade de barraqueiros, quer dizer, de stands que é um linguajar mais adequado a um lugar distinto como aquele.

Pense num monte de produtores artesanais de ingredientes e quitutes deliciosos. Gente caprichosa e talentosa, apaixonada pelo que faz e que não abre mão de surpreender o paladar da gente.

Fawsia Borralho é uma dessas criaturas prendadas.

Fawsia Borralho, uma das organizadoras da feira Sabor Nacional

Fawsia Borralho, uma das organizadoras da feira Sabor Nacional

Ela chegou a Sampaulo há beira trinta anos. Para se jogar no glamour suado e sem trégua da produção fashion. Mas nunca abriu mão dos dotes culinários para relaxar do azáfama de cria-corta-costura-produz-fotografa-exibe e trata de vender antes que mude a estação e os ventos da tendência soprem na direção de outro cria-corta-costura….

Com o tempo, seu hobby culinário especializou-se em conservas – melhor dizendo, compotas.  Preparava logo um estoque para abastecer a despensa – já que a moda que lhe garantia o ganha pão não permitia acesso diário ao fogão. Guloseimas deliciosamente criativas para consumo próprio.

Um dia, em vez da indefectível garrafa de vinho, arriscou levar para os anfitriões de um jantar, um desses potes de suas compotas. Nem um Romanée-Conti ensejaria tantas loas dos convivas. A partir daí cada novo convite vinha sempre sublinhado com um pedido de “traz uma compota”…

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Logo vieram as encomendas pagas e, hoje, Fawsia é uma quituteira de compotas que, aqui e ali, faz bicos no mundo da moda. Sou devoto dos produtos de sua A Compoteira já há coisa de dois anos. Da geleia de cebola roxa com vinho tinto aos tomates confitados com ervas e alho, passando por peras em suco de laranja com cardamomo e anis estrelado, damasco com fava de baunilha, morango com lavanda (e muito amor, como ela proclama)… Adoro tudo.

de A Compoteira: Pera com suco de laranja, cardamono e anis estrelado, Cebola com vinho tipo e ervas, Tomate confitado com alho.

de A Compoteira:
Pera com suco de laranja, cardamono e anis estrelado,
Cebola com vinho tipo e ervas,
Tomate confitado com alho.

Aqui e ali, ela conhecia um ou outro desses produtores gastronômicos devotados à excelência. E compartilhavam sua angústia comum: colocar seus produtos no mercado sem abrir mão da excelência artesanal.

Até que, um dia, Fawsia topou com jovens empreendedores que se entusiasmaram com a ideia de reunir algumas dezenas desses artesãos abnegados e oferecer a Sampaulo a oportunidade de consumir seus produtos pra lá de especiais. Nascia a feira Sabor Nacional.

Não pouparam arrojo na localização do seu novo negócio. A ampla varanda do palacete do Museu da Casa Brasileira e seu adorável quintal/jardim, no epicentro de uma das regiões mais nobres da cidade, cercado de gourmets exigentes. Ou seja, como professa o best-seller de autoajuda de Lair Ribeiro, o sucesso não ocorre por acaso.

Vejam algumas fotos que fiz na primeira edição, em julho. Não sei quais desses expositores estarão presentes no próximo fim-de-semana. Mas me disseram que a maioria confirmou presença. Sem contar o aumento de cinquenta por cento no número de feirantes. Todos amealhados no mesmo universo de produtores artesanais do bem comer.

Até geleia de Alho Negro, na banca do Sítio do Alho Negro.

Até geleia de Alho Negro, na banca do Alho Negro do Sítio.

O Alho Negro é alho comum (selecionado, claro!), que passa por um processo de fermentação muito usado no extremo oriente do mundo. Depois de algumas semanas em estufas controladas, a casca fica dourada e os dentes ficam pretinhos da silva, macios, perdem o ardor, ganham aroma mais delicado e um sabor complexo, levemente adocicado. Deixa de ser um ingrediente coadjuvante para assumir o protagonismo na preparação de pratos sofisticados. E, dizem, seus saudáveis benefícios são potencializados. Era raríssimo por aqui, mas virou febre a coisa de uns oito ou dez anos. De cobertura de pizza a composições mais intrincadas, não havia restaurante da moda que não o incluísse em seu cardápio. De lá pra cá, ficou mais fácil encontra-lo. Eu costumo recorrer ao empório Entreposto das Feijoadas, no subsolo do Mercado de Pinheiros. O de lá é produzido pelo mesmo Alho Negro do Sítio que vem, pessoalmente, vende-lo na feira Sabor Nacional. Gosto de imergi-lo em bom azeite morno por alguns minutos, antes de misturá-lo a uma massa recém-escorrida (até com nhoque fica ótimo). É o que basta para compor um prato que me delicia.

Neka Menna Barreto cintilando com seus quitutes.

Neka Menna Barreto cintilando com seus quitutes.

A banqueteira Neka Menna Barreto foi uma das estrelas da primeira edição da Feira Sabor Nacional. Saí de lá com um pacote de sua farofa de amêndoas, que eu tentei regrar, suvina, mas que acabei detonando purinha, de colher em punho direto da embalagem, enquanto assistia a abertura das Olimpíadas do Rio. Não é à toa que tanto me encantou o espetáculo…

Já o Cambuci é uma fruta típica da Mata Atlântica. Dizem que era muito comum por aqui. Tem até um bairro, berço do movimento grafiteiro de Sampaulo, que se chama Cambuci. Ácida que só, mas deliciosa na composição de sucos, geleias e nas infusões alcoólicas. Tem uma marca de cachaça, a Angelina série A, envelhecida com concentrado da fruta, que não falta no meu congelador.

O Cambuci, resgatado da extinção, em guloseimas do Instituto.

O Cambuci, resgatado da extinção, em guloseimas do Instituto Auá.

Pois o cambuci, até pouco tempo, meio que ninguém sabe, ninguém viu. Falavam de extinção. Daí descubro, na feira Sabor Nacional, que existe um Instituto Auá dedicado à recuperação da espécie. Reúne um grupo de pequenos produtores artesanais que preparam bebidas, geleias, chutneys e, até, um delicioso homus (a extraordinária pasta de grão de bico e gergelim cuja invenção é disputada por árabes e judeus) que leva cambuci – quem diria!

O surpreendente Naked Cake Bolo de Rolo (horizontal!?!) da Casa do Bolo de Rolo.

O surpreendente Naked Cake Bolo de Rolo (horizontal!?!) da Casa do Bolo de Rolo.

Tive uma avó, pernambucana, quituteira de mancheia. Seus bolos Souza Leão e de Rolo eram obras-primas. Meu paladar foi forjado intransigente nesses primores da doçaria recifense. Mas nunca havia visto um bolo de rolo que não fosse como o dela, espiralado, intercalando finíssimas camadas de pão-de-ló amanteigado e goiabada. De repente, na feira Sabor Nacional, descubro novas doceiras de Pernambuco, estabelecidas em Sampaulo com sua Casa do Bolo de Rolo, que ousaram interferir no formato ancestral do doce. Fizeram-no plano, e chamam-no de Naked Cake Bolo de Rolo. Sedutor que só! Produzem-no também do jeitão tradicional, em diferentes tamanhos. Não tem a leveza dos bolos de vovó Jandira, mas, aí, seria querer demais…

Ótimas - e criativas - as geleias da A Senhora das Especiarias.

Ótimas – e criativas – as geleias da A Senhora das Especiarias.

Adorei as geleias da Senhora das Especiarias. Principalmente a de Morango com chá Earl Grey (que é, mais do que meu chá predileto, um vício). A fruta se deu muito bem com o chá preto aromatizado com bergamota. O chutney de cebola, a geléia de manga com maracujá e, sobretudo, a de figo com grappa, também não fazem feio.

Uma tentação, os pães de Thiago, da Santiago Pães.

Uma tentação, os pães de Tiago Saraiva, da Santiago Pães.

De uns anos para cá, a panificação “gourmet” de Sampaulo deu um salto. Muitos padeiros com formação europeia se estabeleceram na cidade (Rafael Rosa, com sua Pão; Julice Vaz e sua Julice – esta, formada na American Bakery School de San Francisco; Izabel Pereira na sua Marie Madeleine; o próprio frei Bernardo, na Padaria do Mosteiro…). Um dos mais recentes deles, Tiago Saraiva estava lá, na feira Sabor Nacional do final de julho. Com algumas das fornadas primorosas de sua Santiago Pães. São tão bons que devorei um redondão apenas com azeite e sal, aquecido para exalar os aromas da fermentação natural. Talento e esmero criam coisas assim, deliciosas.

As surpreendências de Eduardo, da A Queijaria.

As surpreendências de Fernando Oliveira, da A Queijaria.

Hoje nem carece mais tecer loas à A Queijaria, estabelecida há alguns poucos anos na Vila Madalena. Fernando Oliveira, seu criador, antes rodou o Brasil, garimpando queijeiros excepcionais que nós nem desconfiávamos existir. Trouxe suas produções para revelá-los aos paulistanos. Com isso, tem prestado um serviço inestimável à queijaria nacional. E a nós, claro, glutões exigentes que somos. Sempre tem novidade por lá. Algumas delas eu conheci na sua banca da primeira feira Sabor Nacional. Este eu sei que vai estar lá de novo. Que bom, porque ele é imprescindível.

Ainda mais que, desta vez, vai dar um workshop de preparo de queijos.

Haviam ainda outros expositores. Dezenas deles. Inclusive com produtos hortifrutigranjeiros de produção artesanal.

Chocolates Derret (que não tem loja, mas entrega pedidos a domicílio), Charcuteria Cancian (de Tietê, no interior de São Paulo), Amorim Café (produtor mineiro de grãos extraordinários) e, até, um empório do Brás especializado em produtos nordestinos (que tinha massa puba – mandioca fermentada, matéria prima do bolo Souza Leão de minha avó Jandira – e belas mantas de carne de sol).

Chocolates Derret, Cancian, Amorim Cafés e empório nordestino.

Chocolates Derret, Cancian, Amorim Cafés e empório nordestino.

Sem contar o food truck do celebrado chef Rodrigo Oliveira, o Mocotó Aqui (outro que sei que vai estar lá, de novo, no próximo fim-de-semana).

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Entre as novidades, Fawsia Borralho me adiantou que quem for ao Museu da Casa Brasileira, na sexta e no sábado, vai encontrar as pimentas e chutneys Spice Splice, os chocolates da Isidoro, a nova linha de doces da extraordinária chocolateria AMMA, as frutas exóticas da Banca do Juca – do Mercadão (celebrizada numa novela da Globo, lembra?), a Quirós Gourmet – que comercializa cortes especiais de cordeiro, os refrigerantes orgânicos e sem açúcar da Gloops, os cogumelos da Cogushi, o bochichado – e premiadíssimo – azeite brasileiro Borriello, a nova linha de sorvetes do Maní Manioca (cria recente de Helena Rizzo e Daniel Redondo)…

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Sem contar algumas surpresinhas como uma caprichosa bordadeira mineira e sua produção esmerada de panos de prato, uma linha de brinquedos pedagógicos de madeira, cestaria artesanal, banca de flores e o Tabuleiro das Meninas, famoso por preparar caldo de sururu, acarajé e tapioca nos eventos do cabeleireiro Mauro Freire.

Ou seja, eu lá sou louco de não me jogar numa celebração de prazeres dessas?

Nossas sacolas e nosso apetite hão de se cruzar por lá…

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Banquete italiano

Tem gente que adora trocadilhos. Não eu.

Ler e escrever são minhas grandes paixões. Desde menino. Me deleita navegar pelos igarapés da linguagem. Percorrer sua riqueza (como é pródiga, minha língua) e desafiar os dogmas que o academicismo senilizado lhe impõe. Mas sem lhe faltar com o respeito. Sem amesquinhar ou afrontar a língua a ponto de lhe embargar a missão de vaso comunicante, seu mister de passar adiante. Fatos, ideias, emoções ou sentimentos. Com fluidez e acuidade.

É como que uma religião. Sou devoto da língua. Me inspiram seus sacerdotes: Guimarães Rosa (“eu quase que não sei nada, mas desconfio de muita coisa”), Paulo Leminski (“repara bem no que não digo”), Machado de Assis (“há coisas que melhor se dizem calando”), Noel Rosa (“quem acha vive se perdendo”), Clarice Lispector (‘já que sou, o jeito é ser”), Manoel de Barros (“aonde eu não estou as palavras me acham”) …

E o trocadilho, via de regra – há exceções – é uma imprecação contra a língua, uma heresia. Tanto que trocadilho infame, para mim, é pleonasmo.

Quer ver?

“O caixa dá o saldo, o tomate dá o extrato”, “foice o tempo em que eu usava machado”, “você não é boné, mas não sai da minha cabeça”, “eu gosto de uva, a Camila Pitanga”, “se eu sou bom partido, imagina inteiro!”…

Alguns, de tão tolos descambam para a comicidade dos parvos. Tipo filmes abusadamente trash que viram cult.mix 4

Como marqueteiro, considero trocadilho em propaganda de uma ineficiência exemplar.

FONTE: DESENBLOGUE.COM

FONTE: DESENBLOGUE.COM

Ou vocês acham que este slogan, de uma padaria aqui de Sampaulo, trabalha a favor do negócio: “tudo do pão e do melhor”? Ou este outro, de uma imobiliária: “a hora é Esser”? O dono – o Sr. Esser – só pode ser estrangeiro. É comum considerarmos os trocadilhos em língua alheia melhor do que de fato são.

Como o nome de uma lanchonete pertinho da casa em que estive hospedado, nos Estados Unidos, cujo nome era “Lettuce Eat Toguether”. E, quando morava em Genebra, ri muito de um diálogo em que uma mulher diz a um homem: “Il me faut 5.000 francs”! Ele retruca: “Par mois?” E ela: “Par vous ou par un autre”…

Raros, raríssimos são os de fato trocadalhos (trocadilhos que, de tão bons, são “do caralho!”).

Como marca, então, só lembro de um: EATALY.

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Um trocadilho em inglês, que é a língua cada vez mais universal, como bem sacou Oscar Farinetti. Mas, vem cá, quem é Oscar Farinetti?

Primeiro o trocadilho Depois falamos do cara.

Eataly se pronuncia, em inglês, exatamente como Italy (que é como chamam a Itália, in english). E eat quer dizer comer. Ou seja: somos induzidos a “comer a Itália”. Ô coisa boa!

festa_achiropita aJá faz tempo que o mundo aprendeu a se jogar com apetite na comida italiana. Macarrão (e seus molhos, do bolonhesa ao putanesca, do carbonara ao pesto, sugo, matriciana, ragu de tudo quanto é tipo…), pizza, nhoque, lasanha, risoto, bruscheta, salada caprese, almôndega (elas chamam de polpeta), salame, caponata, peixe escabeche, braciola, bresaola, parmesão, gorgonzola, escalope a la saltimboca, cotechino, porcheta, bife à parmeggiana, panettone….
E as sobremesas? Pastiera, zabaglione, canollo, tiramissù…
Os vinhos, valha-me Deus…. Do prosaico Chianti aos Brunellos mais exclusivos. E o limoncello, o amaretto, a grappa? Sem contar o café expresso e os ingredientes, do aceto balsâmico às trufas. Eu falei do jeito italiano de assar ótimos pães?

A Itália é de comer! Essa foi a sacada de Oscar Farinetti.

Italiano de Alba (ahhh, as trufas…), sua famiglia havia vendido, por uma boa grana (em libras esterlinas!), a rede de supermercados fundada por seu pai. Havia dinheiro em caixa. O cara, esperto, juntou a vontade global de comer a Itália com sua fome por acertar na mosca, digo, por investir e multiplicar.

Deu no que deu. E onde é que deu? Deu no New York Times, na Forbes… Só elogios. O cara acertou aquele gol que Pelé errou na Copa de 70. Chutou lá do outro lado do campo. E saiu goleando, emplacando shopping centers de comida italiana pelo mundo. Já beiram trinta. Metade em casa. Nove no Japão! E o restante nos Estados Unidos, Emirados Árabes, Turquia…. Londres, Paris, Munique e Moscou estão a caminho. Vai chegar lá depois de se aboletar na avenida Juscelino Kubtschek, aqui em Sampaulo, onde está celebrando seu primeiro aniversário esta semana. Tudo isso, pasmem, aconteceu em menos de dez anos!

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Mas o que, catso, tem o EATALY de tão especial (além daquele impacto, quando a gente entra, de mercadão requintado – tem seu preço…, farto de atrações gastronômicas, confortável e bem ambientado)?

Para começar, tem qualidade de produtos.

Chocolates piemonteses (onde se colhem as melhores avelãs do mundo). Temperos. Azeite em belas embalagem de cerâmica, Geleias orgânicas ou adoçadas com açúcares da própria fruta, Creme de Pistache e de Avelã, lindas latinhas das populares balas Leone (esta, da foto, promete “aliviar a sede”, Aceto Balsâmico envelhecido.... Alguns dos milhares de produtos à venda nas gôndolas do EATALY.

Chocolates piemonteses (onde se colhem as melhores avelãs do mundo).
Temperos.
Azeite em belas embalagem de cerâmica,
Geleias orgânicas ou adoçadas com açúcares da própria fruta,
Creme de Pistache e de Avelã,
lindas latinhas das populares (na Itália) balas Leone – esta, da foto, promete “aliviar a sede”,
Aceto Balsâmico envelhecido….
Alguns dos milhares de produtos à venda nas gôndolas do EATALY.

Focado na produção gastronômica italiana, mas com uma colher de chá para alguns achados nativos muito especiais. Como os lindos paneirinhos da ótima farinha d’água do Pará – distribuídos pela Bombay, os arrozes extraordinários colhidos pela Ruzene no Vale do Paraíba e os queijos da Fazenda Santa Luzia (do Alto-Paranapanema paulista) e do Capril do Bosque (da Serra da Mantiqueira).

Alguns - poucos - produtos brasileiros de excelência dividem as gôndolas com os italianos

Alguns – poucos – produtos brasileiros de excelência dividem as gôndolas com os italianos

E tem marketing. Particularmente no quesito saber auscultar a expectativa do consumidor na formação do estoque à venda e do que é servido nas lanchonetes e restaurantes.

Funciona muito bem no que oferecem as gôndolas da mercearia, as bancas de frutas e verduras…

Frutas, legumes e verduras são selecionados. Com boa oferta de folhas já higienizados. Repare que a sinalização é feita, quase sempre, em belos letreiros e em italiano.

Frutas, legumes e verduras são selecionados. Com boa oferta de folhas já higienizados.
Repare que a sinalização é feita, quase sempre, em belos letreiros e em italiano.

… da padaria, cujos padeiros trabalham à vista dos compradores, preparando um bom pão rústico (adoro o que é feito com figo e castanhas) e foccacias surpreendentes. Gosto das cobertas com julienne de pimentões coloridos e uvas passa. E também da de linguiça em rodelas e cebola caramelada; são como que pizzas toscas, preparadas sobre massa de pão que lembra o ciabatta, vendidas cortadas em quadrados que podem ser aquecidos e comidos lá mesmo, Ou levados para casa. Quando as trago comigo, esquento o forninho no máximo, coloco a foccacia lá dentro e abaixo o forno até o mínimo. E exercito a paciência por uns dez, doze minutos antes de me jogar nelas.Nem pense em usar micro-ondas (emborracha a massa). Atualmente, são minha companhia preferencial para uma cerveja….

Os padeiros amassam, cortam e assam - diante da gente - bons pães e foccacias.

Os padeiros amassam, cortam e assam – diante da gente – bons pães e foccacias.

… da extraordinária variedade de massas (o macarrão, claro, não podia faltar, farto – ou eu não me chamo Itália); tanto as de algumas das melhores indústrias italianas…

Macarrão tradicional, integral, sem glúten... Flavorizado com nero de sépia, com azeitona, com funghi porcini, com açafrão... Especial para este ou aquele molho... Formatos exóticos...

Macarrão tradicional, integral, sem glúten…
Flavorizado com nero de sépia, com azeitona, com funghi porcini, com açafrão…
Especial para este ou aquele molho… Formatos exóticos…

… quanto as artesanais, frescas, preparadas no pastifício da própria EATALY…

Massa fresca, feita em casa, digo, em pastifício próprio

Massa fresca, feita em casa, digo, em pastifício próprio

… dos atraentes açougue, peixaria e charcuteria…

Qualidade e variedade nos bem ambientados nichos de carnes, peixes e embutidos

Qualidade e variedade nos bem ambientados nichos de carnes, peixes e embutidos

… da queijaria, onde brilham as estrelas italianas (parmesão, pecorino, gorgonzola, burrata…) e, até, uma pequena produção artesanal de mozzarella…

Queijeiros preparam mozzarella fresquina. Que vai se juntar, na loja, aos excelentes queijos italianos do EATALY

Queijeiros preparam mozzarella fresquinha. Que vai se juntar, na loja, aos excelentes queijos italianos do EATALY

… da área de bebidas alcoólicas, com grande variedade de rótulos – de cervejas de variada procedência e de ótimos vinhos italianos, além de licores e dos aguardentes destilados nacionais (o italiano, de uva -a grappa – e o brasileiro, de cana, a cachaça, entre os quais a excelente Serra Limpa)…

O setor de álcoois oferece um lounge para apreciar, ali mesmo, cervejas e vinhos.

O setor de álcoois oferece um lounge para apreciar, ali mesmo, cervejas e vinhos.

… e nos nichos de águas e soft-drinks, sucos, sorvetes, confeitaria, café… E, até, um espaço dedicado à Nutella!

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A confeitaria é, de tudo, o que fica de fato devendo…. Doces atraentes aos olhos, mas de paladar meia boca que só. A exceção, de tudo o que já provei lá (inclusive zabaglione, tiramissù, tortinhas e chocolatices) foram os ótimos cannoli.

Além de tudo isso, a EATALY vende equipamentos e utensílios de cozinha de marcas italianas que capricham no design, livros de cozinha e artigos de toucador (tipo sabonetes, cremes, colônias…).

E tem a Scuola…

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Uma salinha de aula que oferece uma agenda variada de cursos de gastronomia. Embora diminuta (com capacidade para dezoito alunos), alguns são bem interessantes. Neste mês de maio, por exemplo, acontece – entre muitos outros – um curso sobre comida típica de boteco (empadinhas, croquetes…), com a ótima chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto. Há algum tempo, o filho de um casal de queridos amigos cariocas de bota décadas nisso, que está bombando no Rio de Janeiro com um atelier de brownies que já deu até capa de jornal – tamanho o sucesso, veio dar uma aula sobre sua deliciosa guloseima, o Brownie do Luiz.

Assim como os doces da confeitaria, tampouco me encantaram os restaurantes especializados, um para cada segmento: Carnes (sabe fast food? Muito volume para permitir capricho…), Massa (aqui, prefira as pizzas, bem acima da média dos outros pratos de massa), Peixes, Risoto, Saladas, Lanches e Petiscos…. Mas qualidade duvidosa é normal, para quem se orienta  pela expectativa dos consumidores. O “mercado” brasileiro de comida pronta não é exigente. Se não, como explicar o sucesso não só de intragáveis Macs e Subways, mas de muitos restaurantes metidos a besta com panca de fino e nome francês na porta?

Nem comi muita coisa nesses não mais que fast-foods bem ambientados. Mas já deu para sentir qual é…

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O especializado em carnes já me serviu, de entrada, um Vitello Tonnato que, fosse a primeira vez que eu tivesse experimentado essa carne com atum, não entenderia porque o prato é tão popular na Itália. A vitela assada, cortada fininho como um carpaccio, chegou “decorada” por um molho de atum meia boca que só. Compondo um todo absolutamente sem graça. Um pouco melhor, a linguiça com compota de maçãs… E a saladinha valeu pelo sempre bom queijo de cabra.

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De principal, o Ossobuco estava macio, vá lá, mas envolto em molho “qualquer nota” que lhe roubava qualquer relevância. Não bastasse, jogaram umas alcaparras por cima. Sei que usam alcaparra, na Itália, para preparar esta carne que cerca o osso da canela traseira do bovino. Mas preparar não é espalhar meia dúzia delas sobre o prato pronto! Nem as folhas que cobrem o prato se salvam. Tão sem gosto o agriãozinho miúdo… Logo ele, normalmente tão cheio de ardida personalidade. Salvou-se o tutano, escondido e resguardado da falta de expertise culinário da cozinha. Espalhei sua gordura no pão, salpiquei sal e aliviei um tiquinho a contrariedade.

Tampouco me satisfez o Agnello. Prometeram um carneiro marinado com tomilho e assado lentamente. Serviram algumas lascas de carne, também macia, vá lá, mas que marinada é essa que não lhe proporciona o menor appeal? Aqui, em vez de alcaparras, rodelas de azeitona e, no lugar de agrião, rúcula.

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Salvou-se a polenta, que pedi como complemento. Ahhhh…. E o interessante guaraná IMG_5664 aorgânico Wewí, com zero sódio e sem conservantes. Os refrigerantes vendidos no EATALY são todos assim, alternativos.

 

Já o restaurante de Massas e Pizza…

O pizzaiolo usa farina e pomodoro de Napoli para preparar as pizzas do restaurante de Massas

O pizzaiolo usa farina e pomodoro de Napoli para preparar as pizzas do restaurante de Massas

Vale pelas entradas, a boa Burrata  e a esfuziante La Stella – triângulos de massa de pizza assada, besuntados com molho de tomate, cobertos por salada de rúcula, tomate cereja e parmesão, compondo uma que alegoria de escola de samba.

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A pizza (com cobertura de mozzarella de búfala e prosciutto crudo) e a massa (medaglioni – que é um tipo de ravioli, só que no formato de moeda – recheado com queijo fonduto e coberto por figo, avelãs e muita manteiga) não me entusiasmaram. Até muito pelo contrário, já que a expectativa era grande. Por conta do serviço desatento, a redonda pagou o preço de ter chegado à mesa junto com a entrada e foi comida quase fria. Mas não mais do que passável, anyway. A massa, coitada, tão sem pegada…

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Bom mesmo foi a descoberta das cervejas artesanais Schornstein, produzidas aqui Cervejano Estado de São Paulo, em Holambra. A Indian Pale Ale – IPA – é surpreendente, Aromática que só. Amarguinha, mas leve. A Weiss também não decepciona, embora não brilhe tanto.

Neste quesito, “comer lá mesmo”, salva-se, com louvor, o bom restaurante de grelhados do último andar do EATALY, o Brace.

Em comida, os europeus são muito mais exigentes. Diferente daqui, por lá come-se bem em qualquer baiuca. O EATALY de Milão (do lado colado da Porta Garibaldi), por exemplo, tem até um restaurante estrelado pelo guia Michelin, o Alice, comandado pela chef Viviana Varese. Que vem a ser assim, ó, amigona de Lígia Karasawa. E quem é Lígia, na voz do Brasil? É a chef do Brace, o restaurante que vale um almoço ou um jantar prazeroso no nosso EATALY paulistano.

A chef Lígia Karasawa, do restaurante Brace. Com sua amiga e também chef Viviana Varese (no detalhe)

A chef Lígia Karasawa, do restaurante Brace.
Com sua amiga e também chef Viviana Varese (no detalhe)

Lígia nasceu em Sampaulo. Mas criou-se no interior, em Presidente Prudente, onde a família tinha terras e nelas criava. Bois, porcos, aves…. Ou seja, churrasquear lhe vem de berço.

Mas não foi focada em carvão & grelha que Lígia enveredou pela gastronomia. Na falta, à época, de bons cursos por aqui, sobrevoou o Atlântico. Pousou em Barcelona e se matriculou na Escuela Hoffman. Epa! Já falamos desta prestigiosa academia espanhola de culinária, aqui no Sampaulo de Lá pra Cá. Há pouco tempo! É que foi onde também se formou o chef Gabriel Matteuzzi, do restaurante Tête à Tête (post “Vocação, talento, aptidão, dom…”, publicado no último dia 12)…

De diploma em punho, a nova chef permaneceu por mais de dez anos encarando fornos e fogões no velho continente. Passou por cozinhas de prestígio da Espanha e da França. Chegou à Itália, sempre se aproxegando das brasas (brace, em italiano). Elas incandesceram seu coração. A infância prudentina resgatada, especializou-se. Como tal, chegou ao Alice. E, com as bênçãos da chef Viviana, voltou para o Brasil para assumir sua própria cozinha. No Brace, no EATALY, em sua Sampaulo natal.

O restaurante divide o último andar com a cervejaria artesanal da casa, que produz diferentes tipos – de acordo com a estação do ano – e as comercializa com a marca Barbante. Vacilante. Já lhe dei duas chances e desisti.

Cerveja Barbante

Aliás, uma facilidade bem legal do EATALY é. a gente poder escolher o vinho (italiano) ou a cerveja (de diversas procedências) na adega da loja – a variedade é farta. E levá-la para acompanhar nossa refeição em qualquer um dos restaurantes.

Inclusive no Brace.

Mix 2

Um lugar agradável, amplo, de altíssimo pé direito, cercado por vidraças (até no teto). Um pormenor (menor?) que chama a atenção são as mesas digamos, intrigantes. São construídas com madeirame semidestruído por…. Cupins! Mas, calma. Como me explicou a hostess, na tentativa de aliviar meu estranhamento, não foram cupins quaisquer que perpetraram o estrago. Foram insetos ve-ne-zi-a-nos. Subaquáticos. As madeiras costumavam compor a estrutura de sustentação da cidade italiana. Passaram muito tempo submersas, até serem trocadas. E vendidas para um designer audacioso que o transformou em mobília de um restaurante sofisticado. Ahhhh, tá! Tipo decadence, mas avec elegance…. Se fossem cupins cearenses, virava lenha. Mas já que moravam em Veneza…

A mobília esculpida por cupins venezianos. Esquisito nas messas, interessante nos armários.

A mobília esculpida por cupins venezianos. Esquisito nas mesas, interessante nos armários.

Na cozinha, aberta para o salão, mandam as grelhas. Mas nem pense em churrasqueirinhas amadoras. São equipamentos cheios de trique-triques, com um monte de traquitanas tecnológicas que as elevam e abaixam, atiçam ou esvanecem as brasas e deixam qualquer gaúcho babando. É o território de Lígia Karasawa.

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De lá saem entradas encantadoras. Como os crocantes aspargos semicobertos por lençóis fininhos de prosciutto de Parma. Ou a deliciosa polenta aveludada, com um ovo mollet (cozido durante horas, em baixa temperatura, mantendo-se adoravelmente pastoso) aninhado no centro, rodeado por rosáceas de fatias de ótima pancetta.

Chef Lígia finaliza os aspargos e, ao lado, a polenta vazando delícia e calorias

Chef Lígia finaliza os aspargos e, ao lado, a polenta vazando delícia e calorias

Detalhe para instigar os amadores de cozinha: praticamente todos os ingredientes usados nas muitas cozinhas do EATALY estão à venda na loja.

Nos pratos principais do Brace, Lígia não baixa a bola. O polvo, macio e saboroso, vem acompanhado de bom purê roxinho da silva de batata doce. Um visual meio…. Halloween no fundo do mar.

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A picanha (insista no ponto vermelhinho por dentro) vem com salada e tomate assado. O bom sal, à mesa, não é mero enfeite. Para atender a bula médica alimentar em voga, tudo vai para a grelha meio insosso. Cabe ao comensal corrigir isso.

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Extraordinária, mesmo, é a barriga de porco. Tostada beira torresmo por fora, na superfície. E macia, fondante, no interior. E o complemento é obra-prima: uma lasca grossa de repolho, grelada, banhada em delicioso vinagrete de romã.

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Eu abro mão dos pêssegos grelhados de sobremesa e desço para adoçar a boca com os bons gelati da sorveteria e/ou os canolli da confeitaria (perfeitamente crocantes e recheados com um ótimo creme de ricota – aromatizado, digo, aroma/atiçado com cristais de casca de laranja. E finalizado com castanha triturada.

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Recentemente, durante o mês de abril, o EATALY montou uma horta bem variada em IMG_5443frente ao prédio. Taí uma iniciativa legal. Até pelo didatismo. Crianças – e adultos – se divertiam – e aprendiam – sobre os efeitos olfativos das ervas nos alimentos. Era um tal de esfregar folhinhas nos dedos e cheirar…

Como definiu a bíblia, digo, o New York Times, o EATALY é “uma Megastore que combina elementos de um mercadão popular europeu, um supermercado sofisticado, uma praça de alimentação gourmet e um centro de aprendizagem gastronômico”. E isso tudo é por demais excitante.

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Este post é co-patrocinado pelos queridos Felix e Adriana Lima, que me convidaram para um adorável almoço no Brace e por minha sorella mezzo emiliano-romagnola Ilvana (useira e vezeira dos EATALYs in tutto il mondo).