Banquete italiano

Tem gente que adora trocadilhos. Não eu.

Ler e escrever são minhas grandes paixões. Desde menino. Me deleita navegar pelos igarapés da linguagem. Percorrer sua riqueza (como é pródiga, minha língua) e desafiar os dogmas que o academicismo senilizado lhe impõe. Mas sem lhe faltar com o respeito. Sem amesquinhar ou afrontar a língua a ponto de lhe embargar a missão de vaso comunicante, seu mister de passar adiante. Fatos, ideias, emoções ou sentimentos. Com fluidez e acuidade.

É como que uma religião. Sou devoto da língua. Me inspiram seus sacerdotes: Guimarães Rosa (“eu quase que não sei nada, mas desconfio de muita coisa”), Paulo Leminski (“repara bem no que não digo”), Machado de Assis (“há coisas que melhor se dizem calando”), Noel Rosa (“quem acha vive se perdendo”), Clarice Lispector (‘já que sou, o jeito é ser”), Manoel de Barros (“aonde eu não estou as palavras me acham”) …

E o trocadilho, via de regra – há exceções – é uma imprecação contra a língua, uma heresia. Tanto que trocadilho infame, para mim, é pleonasmo.

Quer ver?

“O caixa dá o saldo, o tomate dá o extrato”, “foice o tempo em que eu usava machado”, “você não é boné, mas não sai da minha cabeça”, “eu gosto de uva, a Camila Pitanga”, “se eu sou bom partido, imagina inteiro!”…

Alguns, de tão tolos descambam para a comicidade dos parvos. Tipo filmes abusadamente trash que viram cult.mix 4

Como marqueteiro, considero trocadilho em propaganda de uma ineficiência exemplar.

FONTE: DESENBLOGUE.COM

FONTE: DESENBLOGUE.COM

Ou vocês acham que este slogan, de uma padaria aqui de Sampaulo, trabalha a favor do negócio: “tudo do pão e do melhor”? Ou este outro, de uma imobiliária: “a hora é Esser”? O dono – o Sr. Esser – só pode ser estrangeiro. É comum considerarmos os trocadilhos em língua alheia melhor do que de fato são.

Como o nome de uma lanchonete pertinho da casa em que estive hospedado, nos Estados Unidos, cujo nome era “Lettuce Eat Toguether”. E, quando morava em Genebra, ri muito de um diálogo em que uma mulher diz a um homem: “Il me faut 5.000 francs”! Ele retruca: “Par mois?” E ela: “Par vous ou par un autre”…

Raros, raríssimos são os de fato trocadalhos (trocadilhos que, de tão bons, são “do caralho!”).

Como marca, então, só lembro de um: EATALY.

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Um trocadilho em inglês, que é a língua cada vez mais universal, como bem sacou Oscar Farinetti. Mas, vem cá, quem é Oscar Farinetti?

Primeiro o trocadilho Depois falamos do cara.

Eataly se pronuncia, em inglês, exatamente como Italy (que é como chamam a Itália, in english). E eat quer dizer comer. Ou seja: somos induzidos a “comer a Itália”. Ô coisa boa!

festa_achiropita aJá faz tempo que o mundo aprendeu a se jogar com apetite na comida italiana. Macarrão (e seus molhos, do bolonhesa ao putanesca, do carbonara ao pesto, sugo, matriciana, ragu de tudo quanto é tipo…), pizza, nhoque, lasanha, risoto, bruscheta, salada caprese, almôndega (elas chamam de polpeta), salame, caponata, peixe escabeche, braciola, bresaola, parmesão, gorgonzola, escalope a la saltimboca, cotechino, porcheta, bife à parmeggiana, panettone….
E as sobremesas? Pastiera, zabaglione, canollo, tiramissù…
Os vinhos, valha-me Deus…. Do prosaico Chianti aos Brunellos mais exclusivos. E o limoncello, o amaretto, a grappa? Sem contar o café expresso e os ingredientes, do aceto balsâmico às trufas. Eu falei do jeito italiano de assar ótimos pães?

A Itália é de comer! Essa foi a sacada de Oscar Farinetti.

Italiano de Alba (ahhh, as trufas…), sua famiglia havia vendido, por uma boa grana (em libras esterlinas!), a rede de supermercados fundada por seu pai. Havia dinheiro em caixa. O cara, esperto, juntou a vontade global de comer a Itália com sua fome por acertar na mosca, digo, por investir e multiplicar.

Deu no que deu. E onde é que deu? Deu no New York Times, na Forbes… Só elogios. O cara acertou aquele gol que Pelé errou na Copa de 70. Chutou lá do outro lado do campo. E saiu goleando, emplacando shopping centers de comida italiana pelo mundo. Já beiram trinta. Metade em casa. Nove no Japão! E o restante nos Estados Unidos, Emirados Árabes, Turquia…. Londres, Paris, Munique e Moscou estão a caminho. Vai chegar lá depois de se aboletar na avenida Juscelino Kubtschek, aqui em Sampaulo, onde está celebrando seu primeiro aniversário esta semana. Tudo isso, pasmem, aconteceu em menos de dez anos!

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Mas o que, catso, tem o EATALY de tão especial (além daquele impacto, quando a gente entra, de mercadão requintado – tem seu preço…, farto de atrações gastronômicas, confortável e bem ambientado)?

Para começar, tem qualidade de produtos.

Chocolates piemonteses (onde se colhem as melhores avelãs do mundo). Temperos. Azeite em belas embalagem de cerâmica, Geleias orgânicas ou adoçadas com açúcares da própria fruta, Creme de Pistache e de Avelã, lindas latinhas das populares balas Leone (esta, da foto, promete “aliviar a sede”, Aceto Balsâmico envelhecido.... Alguns dos milhares de produtos à venda nas gôndolas do EATALY.

Chocolates piemonteses (onde se colhem as melhores avelãs do mundo).
Temperos.
Azeite em belas embalagem de cerâmica,
Geleias orgânicas ou adoçadas com açúcares da própria fruta,
Creme de Pistache e de Avelã,
lindas latinhas das populares (na Itália) balas Leone – esta, da foto, promete “aliviar a sede”,
Aceto Balsâmico envelhecido….
Alguns dos milhares de produtos à venda nas gôndolas do EATALY.

Focado na produção gastronômica italiana, mas com uma colher de chá para alguns achados nativos muito especiais. Como os lindos paneirinhos da ótima farinha d’água do Pará – distribuídos pela Bombay, os arrozes extraordinários colhidos pela Ruzene no Vale do Paraíba e os queijos da Fazenda Santa Luzia (do Alto-Paranapanema paulista) e do Capril do Bosque (da Serra da Mantiqueira).

Alguns - poucos - produtos brasileiros de excelência dividem as gôndolas com os italianos

Alguns – poucos – produtos brasileiros de excelência dividem as gôndolas com os italianos

E tem marketing. Particularmente no quesito saber auscultar a expectativa do consumidor na formação do estoque à venda e do que é servido nas lanchonetes e restaurantes.

Funciona muito bem no que oferecem as gôndolas da mercearia, as bancas de frutas e verduras…

Frutas, legumes e verduras são selecionados. Com boa oferta de folhas já higienizados. Repare que a sinalização é feita, quase sempre, em belos letreiros e em italiano.

Frutas, legumes e verduras são selecionados. Com boa oferta de folhas já higienizados.
Repare que a sinalização é feita, quase sempre, em belos letreiros e em italiano.

… da padaria, cujos padeiros trabalham à vista dos compradores, preparando um bom pão rústico (adoro o que é feito com figo e castanhas) e foccacias surpreendentes. Gosto das cobertas com julienne de pimentões coloridos e uvas passa. E também da de linguiça em rodelas e cebola caramelada; são como que pizzas toscas, preparadas sobre massa de pão que lembra o ciabatta, vendidas cortadas em quadrados que podem ser aquecidos e comidos lá mesmo, Ou levados para casa. Quando as trago comigo, esquento o forninho no máximo, coloco a foccacia lá dentro e abaixo o forno até o mínimo. E exercito a paciência por uns dez, doze minutos antes de me jogar nelas.Nem pense em usar micro-ondas (emborracha a massa). Atualmente, são minha companhia preferencial para uma cerveja….

Os padeiros amassam, cortam e assam - diante da gente - bons pães e foccacias.

Os padeiros amassam, cortam e assam – diante da gente – bons pães e foccacias.

… da extraordinária variedade de massas (o macarrão, claro, não podia faltar, farto – ou eu não me chamo Itália); tanto as de algumas das melhores indústrias italianas…

Macarrão tradicional, integral, sem glúten... Flavorizado com nero de sépia, com azeitona, com funghi porcini, com açafrão... Especial para este ou aquele molho... Formatos exóticos...

Macarrão tradicional, integral, sem glúten…
Flavorizado com nero de sépia, com azeitona, com funghi porcini, com açafrão…
Especial para este ou aquele molho… Formatos exóticos…

… quanto as artesanais, frescas, preparadas no pastifício da própria EATALY…

Massa fresca, feita em casa, digo, em pastifício próprio

Massa fresca, feita em casa, digo, em pastifício próprio

… dos atraentes açougue, peixaria e charcuteria…

Qualidade e variedade nos bem ambientados nichos de carnes, peixes e embutidos

Qualidade e variedade nos bem ambientados nichos de carnes, peixes e embutidos

… da queijaria, onde brilham as estrelas italianas (parmesão, pecorino, gorgonzola, burrata…) e, até, uma pequena produção artesanal de mozzarella…

Queijeiros preparam mozzarella fresquina. Que vai se juntar, na loja, aos excelentes queijos italianos do EATALY

Queijeiros preparam mozzarella fresquinha. Que vai se juntar, na loja, aos excelentes queijos italianos do EATALY

… da área de bebidas alcoólicas, com grande variedade de rótulos – de cervejas de variada procedência e de ótimos vinhos italianos, além de licores e dos aguardentes destilados nacionais (o italiano, de uva -a grappa – e o brasileiro, de cana, a cachaça, entre os quais a excelente Serra Limpa)…

O setor de álcoois oferece um lounge para apreciar, ali mesmo, cervejas e vinhos.

O setor de álcoois oferece um lounge para apreciar, ali mesmo, cervejas e vinhos.

… e nos nichos de águas e soft-drinks, sucos, sorvetes, confeitaria, café… E, até, um espaço dedicado à Nutella!

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A confeitaria é, de tudo, o que fica de fato devendo…. Doces atraentes aos olhos, mas de paladar meia boca que só. A exceção, de tudo o que já provei lá (inclusive zabaglione, tiramissù, tortinhas e chocolatices) foram os ótimos cannoli.

Além de tudo isso, a EATALY vende equipamentos e utensílios de cozinha de marcas italianas que capricham no design, livros de cozinha e artigos de toucador (tipo sabonetes, cremes, colônias…).

E tem a Scuola…

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Uma salinha de aula que oferece uma agenda variada de cursos de gastronomia. Embora diminuta (com capacidade para dezoito alunos), alguns são bem interessantes. Neste mês de maio, por exemplo, acontece – entre muitos outros – um curso sobre comida típica de boteco (empadinhas, croquetes…), com a ótima chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto. Há algum tempo, o filho de um casal de queridos amigos cariocas de bota décadas nisso, que está bombando no Rio de Janeiro com um atelier de brownies que já deu até capa de jornal – tamanho o sucesso, veio dar uma aula sobre sua deliciosa guloseima, o Brownie do Luiz.

Assim como os doces da confeitaria, tampouco me encantaram os restaurantes especializados, um para cada segmento: Carnes (sabe fast food? Muito volume para permitir capricho…), Massa (aqui, prefira as pizzas, bem acima da média dos outros pratos de massa), Peixes, Risoto, Saladas, Lanches e Petiscos…. Mas qualidade duvidosa é normal, para quem se orienta  pela expectativa dos consumidores. O “mercado” brasileiro de comida pronta não é exigente. Se não, como explicar o sucesso não só de intragáveis Macs e Subways, mas de muitos restaurantes metidos a besta com panca de fino e nome francês na porta?

Nem comi muita coisa nesses não mais que fast-foods bem ambientados. Mas já deu para sentir qual é…

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O especializado em carnes já me serviu, de entrada, um Vitello Tonnato que, fosse a primeira vez que eu tivesse experimentado essa carne com atum, não entenderia porque o prato é tão popular na Itália. A vitela assada, cortada fininho como um carpaccio, chegou “decorada” por um molho de atum meia boca que só. Compondo um todo absolutamente sem graça. Um pouco melhor, a linguiça com compota de maçãs… E a saladinha valeu pelo sempre bom queijo de cabra.

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De principal, o Ossobuco estava macio, vá lá, mas envolto em molho “qualquer nota” que lhe roubava qualquer relevância. Não bastasse, jogaram umas alcaparras por cima. Sei que usam alcaparra, na Itália, para preparar esta carne que cerca o osso da canela traseira do bovino. Mas preparar não é espalhar meia dúzia delas sobre o prato pronto! Nem as folhas que cobrem o prato se salvam. Tão sem gosto o agriãozinho miúdo… Logo ele, normalmente tão cheio de ardida personalidade. Salvou-se o tutano, escondido e resguardado da falta de expertise culinário da cozinha. Espalhei sua gordura no pão, salpiquei sal e aliviei um tiquinho a contrariedade.

Tampouco me satisfez o Agnello. Prometeram um carneiro marinado com tomilho e assado lentamente. Serviram algumas lascas de carne, também macia, vá lá, mas que marinada é essa que não lhe proporciona o menor appeal? Aqui, em vez de alcaparras, rodelas de azeitona e, no lugar de agrião, rúcula.

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Salvou-se a polenta, que pedi como complemento. Ahhhh…. E o interessante guaraná IMG_5664 aorgânico Wewí, com zero sódio e sem conservantes. Os refrigerantes vendidos no EATALY são todos assim, alternativos.

 

Já o restaurante de Massas e Pizza…

O pizzaiolo usa farina e pomodoro de Napoli para preparar as pizzas do restaurante de Massas

O pizzaiolo usa farina e pomodoro de Napoli para preparar as pizzas do restaurante de Massas

Vale pelas entradas, a boa Burrata  e a esfuziante La Stella – triângulos de massa de pizza assada, besuntados com molho de tomate, cobertos por salada de rúcula, tomate cereja e parmesão, compondo uma que alegoria de escola de samba.

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A pizza (com cobertura de mozzarella de búfala e prosciutto crudo) e a massa (medaglioni – que é um tipo de ravioli, só que no formato de moeda – recheado com queijo fonduto e coberto por figo, avelãs e muita manteiga) não me entusiasmaram. Até muito pelo contrário, já que a expectativa era grande. Por conta do serviço desatento, a redonda pagou o preço de ter chegado à mesa junto com a entrada e foi comida quase fria. Mas não mais do que passável, anyway. A massa, coitada, tão sem pegada…

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Bom mesmo foi a descoberta das cervejas artesanais Schornstein, produzidas aqui Cervejano Estado de São Paulo, em Holambra. A Indian Pale Ale – IPA – é surpreendente, Aromática que só. Amarguinha, mas leve. A Weiss também não decepciona, embora não brilhe tanto.

Neste quesito, “comer lá mesmo”, salva-se, com louvor, o bom restaurante de grelhados do último andar do EATALY, o Brace.

Em comida, os europeus são muito mais exigentes. Diferente daqui, por lá come-se bem em qualquer baiuca. O EATALY de Milão (do lado colado da Porta Garibaldi), por exemplo, tem até um restaurante estrelado pelo guia Michelin, o Alice, comandado pela chef Viviana Varese. Que vem a ser assim, ó, amigona de Lígia Karasawa. E quem é Lígia, na voz do Brasil? É a chef do Brace, o restaurante que vale um almoço ou um jantar prazeroso no nosso EATALY paulistano.

A chef Lígia Karasawa, do restaurante Brace. Com sua amiga e também chef Viviana Varese (no detalhe)

A chef Lígia Karasawa, do restaurante Brace.
Com sua amiga e também chef Viviana Varese (no detalhe)

Lígia nasceu em Sampaulo. Mas criou-se no interior, em Presidente Prudente, onde a família tinha terras e nelas criava. Bois, porcos, aves…. Ou seja, churrasquear lhe vem de berço.

Mas não foi focada em carvão & grelha que Lígia enveredou pela gastronomia. Na falta, à época, de bons cursos por aqui, sobrevoou o Atlântico. Pousou em Barcelona e se matriculou na Escuela Hoffman. Epa! Já falamos desta prestigiosa academia espanhola de culinária, aqui no Sampaulo de Lá pra Cá. Há pouco tempo! É que foi onde também se formou o chef Gabriel Matteuzzi, do restaurante Tête à Tête (post “Vocação, talento, aptidão, dom…”, publicado no último dia 12)…

De diploma em punho, a nova chef permaneceu por mais de dez anos encarando fornos e fogões no velho continente. Passou por cozinhas de prestígio da Espanha e da França. Chegou à Itália, sempre se aproxegando das brasas (brace, em italiano). Elas incandesceram seu coração. A infância prudentina resgatada, especializou-se. Como tal, chegou ao Alice. E, com as bênçãos da chef Viviana, voltou para o Brasil para assumir sua própria cozinha. No Brace, no EATALY, em sua Sampaulo natal.

O restaurante divide o último andar com a cervejaria artesanal da casa, que produz diferentes tipos – de acordo com a estação do ano – e as comercializa com a marca Barbante. Vacilante. Já lhe dei duas chances e desisti.

Cerveja Barbante

Aliás, uma facilidade bem legal do EATALY é. a gente poder escolher o vinho (italiano) ou a cerveja (de diversas procedências) na adega da loja – a variedade é farta. E levá-la para acompanhar nossa refeição em qualquer um dos restaurantes.

Inclusive no Brace.

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Um lugar agradável, amplo, de altíssimo pé direito, cercado por vidraças (até no teto). Um pormenor (menor?) que chama a atenção são as mesas digamos, intrigantes. São construídas com madeirame semidestruído por…. Cupins! Mas, calma. Como me explicou a hostess, na tentativa de aliviar meu estranhamento, não foram cupins quaisquer que perpetraram o estrago. Foram insetos ve-ne-zi-a-nos. Subaquáticos. As madeiras costumavam compor a estrutura de sustentação da cidade italiana. Passaram muito tempo submersas, até serem trocadas. E vendidas para um designer audacioso que o transformou em mobília de um restaurante sofisticado. Ahhhh, tá! Tipo decadence, mas avec elegance…. Se fossem cupins cearenses, virava lenha. Mas já que moravam em Veneza…

A mobília esculpida por cupins venezianos. Esquisito nas messas, interessante nos armários.

A mobília esculpida por cupins venezianos. Esquisito nas mesas, interessante nos armários.

Na cozinha, aberta para o salão, mandam as grelhas. Mas nem pense em churrasqueirinhas amadoras. São equipamentos cheios de trique-triques, com um monte de traquitanas tecnológicas que as elevam e abaixam, atiçam ou esvanecem as brasas e deixam qualquer gaúcho babando. É o território de Lígia Karasawa.

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De lá saem entradas encantadoras. Como os crocantes aspargos semicobertos por lençóis fininhos de prosciutto de Parma. Ou a deliciosa polenta aveludada, com um ovo mollet (cozido durante horas, em baixa temperatura, mantendo-se adoravelmente pastoso) aninhado no centro, rodeado por rosáceas de fatias de ótima pancetta.

Chef Lígia finaliza os aspargos e, ao lado, a polenta vazando delícia e calorias

Chef Lígia finaliza os aspargos e, ao lado, a polenta vazando delícia e calorias

Detalhe para instigar os amadores de cozinha: praticamente todos os ingredientes usados nas muitas cozinhas do EATALY estão à venda na loja.

Nos pratos principais do Brace, Lígia não baixa a bola. O polvo, macio e saboroso, vem acompanhado de bom purê roxinho da silva de batata doce. Um visual meio…. Halloween no fundo do mar.

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A picanha (insista no ponto vermelhinho por dentro) vem com salada e tomate assado. O bom sal, à mesa, não é mero enfeite. Para atender a bula médica alimentar em voga, tudo vai para a grelha meio insosso. Cabe ao comensal corrigir isso.

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Extraordinária, mesmo, é a barriga de porco. Tostada beira torresmo por fora, na superfície. E macia, fondante, no interior. E o complemento é obra-prima: uma lasca grossa de repolho, grelada, banhada em delicioso vinagrete de romã.

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Eu abro mão dos pêssegos grelhados de sobremesa e desço para adoçar a boca com os bons gelati da sorveteria e/ou os canolli da confeitaria (perfeitamente crocantes e recheados com um ótimo creme de ricota – aromatizado, digo, aroma/atiçado com cristais de casca de laranja. E finalizado com castanha triturada.

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Recentemente, durante o mês de abril, o EATALY montou uma horta bem variada em IMG_5443frente ao prédio. Taí uma iniciativa legal. Até pelo didatismo. Crianças – e adultos – se divertiam – e aprendiam – sobre os efeitos olfativos das ervas nos alimentos. Era um tal de esfregar folhinhas nos dedos e cheirar…

Como definiu a bíblia, digo, o New York Times, o EATALY é “uma Megastore que combina elementos de um mercadão popular europeu, um supermercado sofisticado, uma praça de alimentação gourmet e um centro de aprendizagem gastronômico”. E isso tudo é por demais excitante.

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Este post é co-patrocinado pelos queridos Felix e Adriana Lima, que me convidaram para um adorável almoço no Brace e por minha sorella mezzo emiliano-romagnola Ilvana (useira e vezeira dos EATALYs in tutto il mondo).

Mercado, de novo? Não! E sim…

Depois de três posts falando do Mercado de Pinheiros, jurei de pés juntos que ça suffit, digo, enough, ou seja, basta! Chega de cevar o corpo, pois a alma também é gente.

Pois vou quebrar o juramento. Ao mercado, de novo. Só que um mercado metido a bacana, com panca de distinto, aura de erudito. Só pose. Mercado é mercado. É toma lá dá cá. Pagou, levou. Sem precisar apresentar pedigree nem nada. Trata-se do mercado de arte.

Mas, vem cá…. O que é ARTE?

Não sei para você…. Para mim, é o que passa batido pelos filtros da razão e vai falar, direto, com minha alma. Sussurrando ou gritando, afagando ou na porrada mesmo, assustando ou enternecendo, provocando ou confortando…. Tanto faz, desde que a obra não chegue cobrando ponderações intelectuais, exigindo definições conceituais, requerendo cálculos e tabulações…. Que me pergunte, apenas, “e aí, vai encarar”? Que trate de me impactar a emoção. É isso que busco na arte. Se me perturbar, está para lá de bom.

E deixe que a razão, o raciocínio, a elucubração teórica tome pé aos poucos. E se vire para explicar quandos, ondes, comos e porquês.

Quando rola assim, desse jeitinho trator de sentimentos, rolo compressor de sensações, então eu tiro o chapéu e, reverente, reconheço: é ARTE, danada! Me surpreendeu. Pegou-me desprevenido e créu, passou uma rasteira nos meus sentidos, abalou certezas, sacudiu a apatia modorrenta da indiferença e me excitou com um choque de paixão. De alegria, angústia, tesão, medo, ternura, aflição, deleite, esperança, pavor, humor, prazer…

Acontece quando eu ouço Mozart. Ou Janis Joplin, Milton Nascimento, Elis Regina, Miles Davis…. Quando eu leio Guimarães Rosa, Dostoievski, Fernando Pessoa…. Quando assisto uma coreografia de Rodrigo Pederneiras ou um filme de Tarantino. Quando vi Fernanda Montenegro fazendo “As lágrimas amargas de Petra Von Kant”. Ou a Dona Margarida de Marília Pera.

E olha que eu não falei de artes plásticas, das belas artes. Ainda…

Falarei agora dessa detonadora de frissons na alma. Seja a pintura, a gravura, escultura, fotografia (quem achar que é menor, mergulhe em Sebastião Salgado para não dizer besteira) e instalações ou performances (Marina Abramovic, já ouviu falar?).

Falarei também de quando essa emoção bota os pés no chão. Para garantir a sobrevivência do artista. O reconhecimento material do talento. O inevitável encontro entre a arte e o vil metal.

Chegamos ao mercado. De arte. O universo de marchands, galerias, exposições e seus badalados vernissages, feiras… Como a SP-ARTE. Que nasceu inspirada na mãe de todas exposições comerciais de arte do mundo, a suíça Art Basel, para se firmar como o maior evento comercial de arte do Brasil. Um dos melhores do mundo. E que acaba de realizar sua 12ª edição, abrindo o outono – ainda escaldante. Como sempre, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

O belíssimo Pavilhão da Bienal recebe a SP-ARTE

O belíssimo Pavilhão da Bienal recebe a SP-ARTE

Durante anos, décadas, fui um viajante compulsivo. Sem mais, minha vontade baixava a mensagem: “vou ali, já volto”. Bastava ler uma notícia tipo “este fim-de-semana acontece o Círio de Nazaré” e, dois dias depois, lá estava eu no meio da procissão de Belém do Pará. Ou: “o artista pernambucano João Câmara realiza, em Fortaleza, sua primeira exposição em uma década”. Louco que sou por sua arte, estava lá eu, na abertura.

Nessas viagens pelo Brasil, planejadas ou impetuosas, desenvolvi um hábito por demais prazeroso. No destino, catava o telefone de um artista de quem eu tinha boas referências e ligava me convidando para visitar seu atelier. Nunca se negaram me receber.

Normalmente, além do encantamento de conhecer esses berçários da arte brasileira do meu tempo e da sempre emocionante interação com seus criadores, eu acabava incorporando uma ou outra de suas obras a meu acervo.

Fiquei amigo de muitos deles. Do adorável “sábio-popular-de-longa-barba-branca” Poteiro, em Goiânia (e, lá também, do talentosíssimo Fernando Costa Filho); de Gil Vicente, Samico, Francisco Brennand (outro “profeta”, que criou templo, mágico, cenografado com suas cerâmicas), Tereza Costa Rego e o já citado João Câmara, no circuito Recife/Olinda. De Floriano Teixeira, em Salvador. De Emanuel Nassar e de Osvaldo Gaia, em Belém…

Com Gaia, foi diferente. Não o procurei. Tropecei na casa dele.

Anos 90, início. Fui conhecer Icoaraci, uma cidadezinha nos arredores da capital do Pará, famosa por sua artesania em barro. São dezenas, centenas de ceramistas dedicados a reproduzir peças com pegada marajoara. Quase tudo tosco, fake. Não justificando a viagem.

De repente, dou de frente com uma casa extraordinária, construída num fundo de terreno. Em madeira, com arquitetura intrigante, instigante e bela (e eu nem tinha visto o interior, mais surpreendente ainda, embora extremamente funcional – como se espera de uma invenção arquitetônica que se preze). Espalhadas pelo jardim, grandes peças de cerâmica, propositadamente queimadas um grau acima do ponto, como que chamuscadas. Com design orgânico. Ataviadas, aqui e ali, com cipós dos mangues fartos da região. Um oásis de magia. Não o alegre e colorido ilusionismo das fadas que flutuam sobre canteiros florais; mas a magia mais taciturna de duendes e gnomos que se esgueiram entre raízes. Magia cercada por ruas sem calçamento, saneamento escasso e penúria, no que pese a bulha dos comerciantes de vasos, tigelas e potes.

Não resisti. Bati. E conheci Osvaldo Gaia. Um artista maior, genial, cujo talento brotara e se esforçava para vicejar entre artesãos de lugares-comuns de gosto duvidoso.

Resultado da curiosidade: duas grandes e pesadas obras dele foram despachadas para mim e passaram a encantar minha vida. Com o tempo – e meus de lá pra cá, uma delas se estilhaçou. A outra continua comigo. Enquanto escrevo, olho para ela. E ela me ajuda a resgatar estas lembranças.

Minhas enormes - e pesadas - cerâmicas de Gaia. A de cima, formava um arco. Bau bau. A de baixo, me acompanha há por volta de 25 anos.

Minhas enormes – e pesadas – cerâmicas de Gaia.
A de cima, formava um arco. Bau bau.
A de baixo, me acompanha há por volta de 25 anos.

Sim, eu havia virado um projeto de colecionador de arte.

Os colecionadores são como que timoneiros do mercado. Definem o sucesso dos candidatos a artista. Consolidam carreiras – ou as sepultam. Galeristas e marchands cortejam-nos. E os artistas fazem figa por seu reconhecimento que garanta a sobrevivência de sua arte.

São os herdeiros da família Medici, provavelmente os mais célebres mecenas da história. Nobres florentinos nos séculos XV, XVI e XVII, deram guarida aos mestres do renascimento: Michelangelo, da Vinci, Botticelli, Donatello, Fra Angelico… Sustentavam-nos e, graças a essa “vaidade” de ricos banqueiros, legaram-nos nada menos do que um dos grandes tesouros da humana raça, Florença.

No Brasil, colecionadores tem um patrono, Francisco de Assis Chateaubriand, o Chatô. E seu escudeiro curador de aquisições, Pietro Maria Bardi. Devemos a ele(s) o MASP e seu acervo com “nossos” Degas, Rafael, Bellini, Ticiano, Delacroix, Renoir, Monet, Manet, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Gauguin, Modigliani, El Greco, Goya, Velázquez, Turner, Rembrandt…

Antes de ser aberto ao público, a SP-ARTE estende seu tapete vermelho para receber, exclusivamente, colecionadores. Este ano, foi na tarde/noite de quarta-feira passada, dia 6. Cruzei por lá com os tais pesos pesados do PIB, aqueles que frequentam listas da Forbes e páginas do jornal Valor Econômico. Fazendo shopping, com suas esposas.

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À noite, galeristas já comemoravam a reversão do temor de vendas fracas este ano (sabe como é… Crise…). Enquanto uma pergunta que não queria calar corria de boca em boca: quem comprou o enorme trabalho da valorizada – dentro e fora do Brasil – artista carioca Beatriz Milhazes. Por alguns milhões (R$ $.$$$.$$$,$$!).

Duas obras de Beatriz Milhazes. A maior, um mural, foi vendida na abertura da SP-ARTE por alguns milhõe$$$$.

Duas obras de Beatriz Milhazes.
A maior, um mural, foi vendida na abertura da SP-ARTE por alguns milhões de reais.

Voltando a Osvaldo Gaia – mas não a Belém, porque Gaia faz tempo se mudou para o Rio de Janeiro. Tenho acompanhado seu galgar de prestígio no universo das artes. Trocou o barro pela madeira, compondo esculturas de mesa e de chão de intrigante concepção. Como que arremedos de objetos funcionais, só que saídos do universo fantástico da imaginação exuberante de seu criador. Sua funcionalidade? Encantar. É ARTE.

Pois não é que, de repente, Gaia me liga? “Estou indo para Sampaulo, participar da SP-ARTE e quero te ver na abertura”.

Trouxe-o a marchande paulistana Rosa Barbosa. Bravo, Rosa!

Osvaldo Gaia e suas lúdicas invenções.

Osvaldo Gaia e suas lúdicas invenções.

Não para mim – que já o conhecia de mais de vinte anos, mas Osvaldo Gaia foi uma das revelações da SP-ARTE (para Sampaulo; já que suas obras já integram coleções cariocas de prestígio). Cumprindo a tradição da feira de proporcionar boas descobertas. Como o goiano Dalton Paula, bombeiro em Goiânia e artista nas horas vagas, que trabalha capas de volumes de velhas enciclopédias com pinturas que retratam a negritude. Tão expressivamente que já ungiu o cara com convite para participar da próxima Bienal (o que o está fazendo cogitar em abandonar a corporação militar e se dedicar exclusivamente à pintura). Figura!

A arte surpreemdente do goiano Dalton Paula, selecionado para a próxima Bienal.

A arte surpreendente do goiano Dalton Paula, selecionado para a próxima Bienal.

A feira é uma festa. Glamorosa que só. Com stands de galerias brasileiras do norte, do sul, do leste e do oeste. Além de galerias de várias origens latino-americanas, dos Estados Unidos, de pelo menos dez países europeus, do oriente e do ocidente. No meio delas, grandes lounges de marcas de prestígio focadas no consumo de elite, taças de champanhe circulando de mão em mão – quando não copinhos de sorvete Bacio de Latte, canapés, petiscos…. Do jeito que eu gosto: uma balada cenografada pela grande arte. Circulando pelas rampas e curvas do adorável espaço niemeyeriano do Pavilão da Bienal.

Mix 4

As bancas, digo, os stands dos expositores se dividem em setores. Em vez de enumerá-los, vou resumi-los, a grosso modo: grandes galerias que trabalham com grandes mestres e artistas já consolidados; galerias médias que trabalham com artistas novos que já conquistaram algum prestígio; pequenas galerias – ou marchands autônomos – que apresentam a vanguarda. Essas fronteiras não são intransponíveis. Tanto mega galerias eventualmente apresentam arte de vanguarda como um pequeno stand oferece duas obras (pintura e escultura) do sensacional – e caríssimo – colombiano Fernando Botero. Sem contar três ou quatro artistas com exposições individuais, selecionados por uma curadoria da própria SP-ARTE. Além de uma programação de performances, palestras, encontros. Arte, em todos os patamares, mas com um foco: mercado, os desafios e aflições de quem vive de vender arte.

As figuras rechonchudas de Botero, em pintura e escultura

As figuras rechonchudas de Botero, em pintura e escultura

Ou seja, um banquete raro, anual, para cair de boca em farto e delicioso cardápio de emoções artísticas.

Presença ilustre no SP-ARTE: o gênio do devaneio lúdico, Marc Chagall.

Presença ilustre no SP-ARTE: o gênio russo Marc Chagall.

Do devaneio lúdico de Marc Chagall à revolução de Andy Warhol.

O atrevido "ponta-de-lança" da arte de hoje. Andy Warhol.

O atrevido “ponta-de-lança” da arte de hoje. Andy Warhol.

Passando pelo fantástico escultor polaco de árvores calcinada, Frans Krajcberg – que viveu e trabalhou no meio do mato baiano e, hoje, tem obras avaliadas em centenas de milhares de reais. E de quem a SP-ARTE lançou uma série de fotografias (faceta inédita do artista). Quem comprasse uma delas levava, junto, um livro com luxuoso projeto gráficoque reproduz a série inteira.

Além de brilhante escultor de árvores calcinadas, Frans Krajcberg se revela agora, com mais de 90 anos, um excelente fotógrafo da narureza.

Além de brilhante escultor de árvores calcinadas, Frans Krajcberg se revela agora,
com mais de 90 anos, um excelente fotógrafo da natureza.

Pelo grafiteiro do ABC paulista que conquistou o mercado – e o meu encantamento: Daniel Melim (cujo trabalho já foi mencionado aqui neste Sampaulo de lá pra cá, no post “Todo pouco ajuda”, sobre os grafites da cidade, publicado em janeiro passado). Daniel é uma das estrelas da galeria focada em transformar arte de rua em arte de sala, a Choque Cultural.

Daniel Melim, dos muros de Sampaulo para a SP-ARTE.

Daniel Melim, dos muros de Sampaulo para a SP-ARTE.

Pelo extraordinário desenhista adotado pela Bahia e ilustrador das obras de Jorge Amado (não, não estou falando do meu amigo citado acima, Floriano Teixeira, a quem também cabem essas qualificações): Carybé. Com o stand inteirinho de uma galeria de Salvador dedicado a ele, inclusive com uma obra-prima para mim, a tela “Noite”.

Carybé nasceu na Argentina e traduziu a Bahia como poucos.

Carybé nasceu na Argentina e traduziu a Bahia como poucos.

Pelo instigante trabalho bruto/frágil de Nino Cais.

Nino Cais e o encontro da debilidade com a força.

Nino Cais e o encontro da debilidade com a força.

E os relógios da dupla Ângela Detanico e Rafael Lain (os quatro mostradores com ponteiros geometricamente interrompidos formando um quadrado tempo/cárcere). Conhece os célebres relógios do cubano-americano González-Torres? Conversam com estes, não?

Ângela Detanico e Rafael Lain, enquadrando o tempo.

Ângela Detanico e Rafael Lain, enquadrando o tempo.

Pelas adoráveis – e engenhosas – geringonças coloridas (com movimento e tudo!) do potiguar Abrahan Palatnik. Que me remetem aos móbiles de Alexander Calder, só que não…

Abraham Patinik. O Rio Grande do Norte, quem diria, tem alma cinética, urbana que só.

Abraham Palatnik. O Rio Grande do Norte, quem diria, tem alma cinética, urbana que só.

E pelo reencontro com os “Gibis” divertidamente instigantes de Raymundo Colares. Eu era pouco mais do que um menino quando esses caderno de recortes compondo geometrias encantadoras me seduziram. Gastei muita cartolina colorida e tesoura atrás de “virar artista”. Não tinha esse dom…

Os "gibis" encantados de Raymundo

Os “gibis” encantados de Raymundo Colares

E a provocante corda-veias-artérias do “Ciclotrama 42” de Janaína Landini?

Janaina Landini, um choque vascular.

Janaina Landini, um choque vascular.

E o grande (6 m2) e impactencantador “Eu te darei o Céu”, de Delson Uchoa?

A gloriosa Gisele Neubarth sonhou com este "céu", de Delson Uchoa.

A gloriosa Gisele Neubarth sonhou com este “céu”, de Delson Uchoa.

Sem contar deliciosas obras tridimensionais para parede de Camille Kachani e do cubano Jorge Mayet;

Camille Kachani (em cima) e Jorge Mayet.

Camille Kachani (em cima)…                                                                            … e Jorge Mayet.                                                                    Não são adoráveis?

Luiz Philippe (só consigo pensar em quanto vou pagar de excesso...).

Luiz Philippe (só consigo pensar
em quanto vou pagar de excesso…).

as pedras com alça de Luiz Philipe;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

as intrigantes texturas te tocos torneados brancos de Sérgio Camargo;

Sérgio Camrgo. Eu fico olhando.... Lisérgico!

Sérgio Camrgo. Eu fico olhando…. Lisérgico!

uma grande tela provocante e bem-humorada de Adir Sodré (o mesmo bom senso de humor de meus dois trabalhos dele);

Essas divertidíssimas "viagens" de Adir Sodré rolam na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Dá até vontade de mudar para lá, só para embarcar junto...

Essas divertidíssimas “viagens” de Adir Sodré rolam na Chapada dos Guimarães.
Dá até vontade de mudar para lá, só para embarcar junto…

o belo personagem nu-no-mato de Portinari;

É claro que é Portinari. Dos bons...

É claro que é Portinari. Dos bons…

Até outro dia, Jorge Fonseca pilotava trens em Minas. Agora inventa esculturas impactantes como esta.

Até outro dia, Jorge Fonseca
pilotava trens em Minas.
Agora inventa esculturas impactantes como esta.

uma escultura circular de livros e cadeira de balanço, em madeira do até outro dia maquinista de trens mineiro Jorge Fonseca;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

o oito deitado do infinito em globos de vidro que minha amiga artística de mancheia, Fernanda Mil-homens, me ensinou ser de Olafur Eliasson, um islandês – ou dinamarquês, não sei (mas nórdico, com certeza) que andou inventando cachoeiras em Nova York;

Olafur, do norte do mundo para a SP-ARTE, passando por cachoeiras copiosas em NY

OlafurEliasson, do norte do mundo para a SP-ARTE,
passando por cachoeiras copiosas em NY

A mesa de centro de Arman, direto "do atelier"...

A mesa de centro de Arman, direto “do atelier”…

a “artisticamente” divertida mesa
“Brush and Brunch”, de Arman;

 

 

 

as grandes e sempre impactantes telas de Aguilar,

Aguilar. Uma escada que eu sempre quero subir...

Aguilar. Uma escada que eu sempre quero subir…

a eterna revolta – fugaz, pródiga e determinante dos rumos da arte – de Leonilson,

Leonílson. Um grande legado.

Leonílson. Um grande legado.

o retrato extraordinário do extraordinário escultor Xico Stockinger pelo talento extraordinário de Iberê Camargo,

Retrato de um gaúcho adotivo, pintado por um gaúcho nativo. Xico Stockinger por Iberê Camargo.

Retrato de um gaúcho adotivo, pintado por um gaúcho nativo.
Xico Stockinger por Iberê Camargo.

a arte cinética extraordinária de Jesus Soto (em uma versão de sua clássica “Esfera Caracas”…

Eu já brinquei, numa Bienal, no meio de uma esfera dessas de Jesus Soto. Só que gigande, claro.

Eu já brinquei, numa Bienal, no meio de uma esfera dessas de Jesus Soto.
Só que gigande, claro.

Taí um programão cultural extraordinário. Quando proporciona o reencontro com Osvaldo Gaia, então…

E este ano, pela primeira vez, a SP-ARTE incluiu uma área dedicada ao design. Que deve crescer legal, no ano que vem.

Mix

E…. Quer saber? Trate de se deixar levar pelas mãos da emoção. Comprar é só um detalhe, menor. Ouça a sabedoria de Fernando Pessoa: “Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência”.

Eu falei de Vic Muniz? Nem de Volpi... Quer saber, isso foi só uma gita do oceano de emoções da SP=ARTE. Quer sentir? Vai lá, na próxima edição.

Eu falei de Vic Muniz? Nem dos Volpi…
Quer saber, isso foi só uma gita do oceano de emoções da SP-ARTE.
Quer sentir? Vai lá, na próxima edição.

A SP-ARTE é um choque delicioso, de alta voltagem, de arte. Emoção na veia.
Didático e prazeroso.
Abrangente, como raros museus de arte contemporânea conseguem ser.
Imperdível.

Programe-se. Já, já, 2017 está aí.

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