Pizza & Blues

Rolou desventura, infortúnio, vicissitude? Está na merda, chorando revés? Perdeu o emprego? E ainda bateu o carro? Levou chifre, tomou pé na bunda? Faltou dinheiro para pagar o aluguel e não sobrou nem para o pão com ovo?

…..Nessas horas, o jeito é se jogar no Blues.

Tudo o que deixa a gente na pior nos lança no mood para o Blues.

Para versejar a lamentação num Blues, bem entendido. Em letras de uma “indigência” muitas vezes constrangedora, sexistas e violentas, com referências a vinganças sanguinolentas, tiros, facas…

Já a música vai muito além da auto piedade. É como se o ritmo – às vezes dolente, mas que costuma atingir altos remelexos de animação – funcionasse como catarse, destilando o sofrimento em foda-se; tipo um porre de redenção.

Destilar e porre são conceitos que vêm bem a calhar: quando essa extraordinária matriz musical americana nasceu, no final do século XIX, blue era gíria usada para discriminar bêbado.

Se bem que a imagem do desabrochar do Blues que alimenta o imaginário americano não tem relação direta com grogue. O cenário são as plantações de algodão dos estados do sul (escravocratas confederados na guerra da Secessão) – com epicentro no delta do rio Mississipi, arredores de Nova Orleans. Foram os negros da Louisiana, Texas, Arkansas, Missouri, Alabama, Georgia, Tennessee, Carolinas e adjacências (já forros, mas fodidos e mal pagos) que passavam a vida apregoando seu sofrimento em cantilenas intermináveis, enquanto colhiam o algodão de seus senhores, digo, agora, patrões.

À noite, nos bares dos alojamentos (olha o pileque aí), os versos que haviam feito mais sucesso no campo eram repetidos para folgança de todos. E ganhavam ritmos animados para que pudessem, já encharcados no álcool, rir e dançar de seu infortúnio.

Embora o Blues não me fosse completamente desconhecido, nunca havia atentado para a relevância – essencial e imprescindível – do ritmo. Em meu favor, o argumento de que meu talento musical se restringe à plateia. Nem palmas eu consigo bater no ritmo…

Foi depois de uma temporada em New Orleans, caminhando  todas as noites nas imediações da Bourbon Street, pelo French Quarter, batendo ponto no Preservation Hall e no House of Blues – ou ouvindo o que emanava de qualquer biboca por mais espelunca que fosse – que meus pés passaram a bater compulsória e compassadamente, ao reconhecer um good old blues. E olha que foi só uma semaninha, há coisa de vinte anos!

Blues (e Jazz, e Soul) não param em New Orleans.
Seja no House of Blues, no Preservation Hall (à esquerda)
ou nas ruas mesmo, anywhere and everywhere.

Mesmo zero à esquerda que sou, passei a reconhecer a batida bluesística nas canções de algumas de minhas divindades rockeiras, particularmente em Jim Morrissey, digo, The Doors; e – só para citar alguns rock stars com lugar cativo em meu altar – Elvis Presley, ZZ Top, Joe Cocker, The White Stripes (resgatando velhos standards pra a vanguarda da vanguarda), Cream (Eric Clapton sempre foi blueseiro de carteirinha), Stevie Ray Vaughan (dá-lhe gaita afinada!), Credence Clearwater Revival, Santana (Blues for Salvador é guitar in it’s best), Deep Purple, Led Zeppelin (e, clarevidentemente Jimmy Page), Fleetwood Mac, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Grateful Dead, Jethro Tull…

E, de repente, agora no final de 2016, ficamos sabendo que ninguém menos do que os Rolling Stones acabaram de lançar um novo disco: o ótimo Blue & Lonesome. Em comemoração aos cinquenta e cinco anos de um encontro fortuito de adolescentes que não se conheciam – Mick Jagger e Keith Richards – numa estação de trens londrina. Um atraindo a atenção do outro pelos discos que levavam: LPs de Blues, de Muddy Waters e Chuck Berry. Naqueles dias, era o que lhes monopolizava a emoção. “Foi essa a razão para montarmos uma banda”, reconhece Jagger; confessando que “sempre fomos devotos do Blues”.

O fato é que o Blues está no DNA do Rock&Roll. E também do Jazz. Embora eu ache que Rock e Blues sejam ritmos musicais (como samba, bolero, fado ou cha-cha-chá…), enquanto Jazz, bem… Jazz é uma categoria de Arte. Tipo a Pintura de Klimt, a Literatura de Guimarães Rosa, a Dança do Grupo Corpo, o cinema de Ken Loach, a Arquitetura de Lina Bo Bardi, o teatro de Shakespeare, a escultura de Ligia Clark, a música de Mozart… E o Jazz (de Miles Davis, Charles Parker, Billie Holliday, John Coltrane, Thelonius Monk, Chet Baker, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Nina Simone, Django Reinhardt, Michel Legrand, Stéphane Grappelli …).

Em “Três Músicos”, Picasso retrata os ritmos negros norte-americanos
chegando a Paris, no início do século XX

Sampaulo não é Nova Orleans, com Blues – e Jazz – sendo dedilhado, soprado e solfejado a cada esquina. E isso só não é ruim, porque aqui também rola chorinho, rap, tango, samba, forró, flamenco, xote…
Mas o Brasil já teve – e tem – bons bluezeiros. Do pioneiro Celso Blues Boy aos Blues Etílicos. Passando por André Cristovam, Nuno Mindelis, Igor Prado, a gaita virtuosa de Maurício Einhorn e de seu discípulo Sérgio Duarte, o impagável showman Paulo Meyer e seus inseparáveis Thunderheads…

Alguns deles batem ponto com frequência – além da ótima banda da casa – na surpreendente C. C. Rider, um bar de Blues que, há ano e meio, anima as noites da Moóca.

(Moóca? De novo, toda hora?).

Mas antes de nos tocarmos para lá, vamos cuidar da pança que a alma se diverte melhor quando o corpo está repimpado.

E vamos de pizza!

Não uma redonda qualquer. Vamos nos jogar em uma das melhores pizzarias de Sampaulo.

A Pizza da Moóca fica no último quarteirão – antes da avenida Paes de Barros – da rua Guaimbé (já palmilhada por este “Sampaulo de Lá pra Cá” em tantos posts recentes que até já perdi a conta).

Antes de largarmos de mão o logradouro, vamos dar uma última e saborosa paradinha para conhecer as ótimas coberturas das massas (preparadas com as finississíssimas farinhas de trigo 00 trazidas de Nápoles (sabe a terra natal da pizza?). Redondas não tão delgadas que pareçam pão pita; mais para grossas, bordas consistentes (mas a qualidade da massa compensa,). Não empanturra nossa compostura .

São assadas no forno que reina, soberano, nos fundos da pequena e acolhedora Pizza da Moóca.

O lugar fica na fronteira do alternativo, mas do lado de cá do charmoso.

O serviço? Bem… Não chega a estragar o bom-humor, mas tropeça na displicência blasé que é um jeito de fazer de conta que não é amador. Para usar uma linguagem mais de acordo com os garçons com jeitão de estudantes fazendo bico para pagar a faculdade, é descolado.

Entre eles, entretanto, chama a atenção o entusiasmo de Elmond, um jovem migrante haitiano que fugiu das catástrofes naturais, sociais, políticas e econômicas de sua ilha caribenha natal para fazer a vida no Brasil. Em poucos anos, já trouxe a mulher e constrói sua família aqui, com uma garra rara de se ver. Até o seu desembaraço com a nova língua, em tão pouco tempo, pasma.

Sou avesso à xenofobia. O acolhimento a migrantes, particularmente aos que lutam com unhas e dentes pela sobrevivência, não é apenas uma ação humanitária moralmente obrigatória. A garra que o padecimento atiça nesses pelejadores faz deles, também, agentes econômicos preciosos. Trabalham, aguerridos, pelo direito à vida. *

Essas horas eu entendo – e apoio – a perspectiva pragmática de Angela Merkel…

Por falar em imigrantes, vamos voltar a eles. Só que aos italianos que fizeram a pujança de Sampaulo nas fábricas que já fervilharam na Moóca (onde estamos), povoaram o bairro e trouxeram para cá a pizza (nas quais estamos em vias de cair de boca).

Antes, que tal abrir o apetite com um dos coquetéis da Pizza da Moóca, à base de Disaronno? É amaretto, um licor italiano que é pura amêndoa e é para lá de clássico – seus fabricantes garantem obedecer uma receita original de quando a língua dominante, por aqui, ainda era o tupi. E tem o condão de me fazer criança. Quando eu me entendi, o nome no rótulo era Amaretto di Saronno, ou seja, da cidade lombarda de Saronno, colada acima de Milão. Não faço a menor ideia se a decisão de mexer no nome foi judicial ou marqueteira. Detalhe: amêndoa, que é bom, não passa nem perto de sua fórmula! Para mim, foi tipo descobrir que papai noel não existe…

O fato é que preparam dois coquetéis com Disaronno na Pizza da Moóca: o Mojito Italiano (com rum, limão e hortelã, como qualquer mojito; só que o limão é siciliano, acrescentam uma lapada de prosecco e temperam com o amaretto; italianizou, è vero!) e o Lila Sour (com suco de laranja, limão, amaretto e uma cereja pra sofisticar). Valem – para mim, at least – pelo aroma sutil de amêndoas que me remete à infância.

Mojito Italiano e Mila Sour
ambos levam o licor Disaronno em sua fórmula

Para acompanhar os drinks, como abre-alas para as pizzas, as opções são:

Corniccione: massa de pizza fininha, assada até ficar crocante, sutil e sabiamente temperada com ervas e um salzinho encantador.

Crocche Napolitano: meia dúzia de bolinhos, de batata, recheado com pancetta (mas que prometem mais do que cumprem).

Tre Foccace: essas sim, três tiras deliciosas. Olha só o que o tal do trigo 00 proporciona na construção da base perfeita, macia, aerada, mas densa, casca crocante e coberturas bem diferentes. Todas três adoráveis: numa, a simplicidade do salgrosso aromatizado com alecrim se valendo da excelência da massa; noutra, a fatia fina de abobrinha com ricota e manjericão cheia de personalidade a um tempo discreta e estilosa; na terceira, os gritos e sussurros do ótimo cardume de alicci em leito de molho de tomates bem apurado. Surpreendente.

Agora surpreendentes, mesmo, são as pizzas. Como são boas!

Dividem-se em duas categorias: as “vermelhas”, onde quem manda no molho é o tomate; e as “brancas”, onde quem dá o tom é o molho bechamel. Qual é a importância desse detalhe? É que, no caso de mezzo una, mezzo altra, não juntam metade branca com metade vermelha…

Entre as rubras, costumo juntar a simplicidade da Margherita (ou sua versão puxada no alho, a Napolitana) e a picância – nem tão ardida assim – da Diavola (com linguiça diavoletta e pimenta jalapeño).

Já entre as alvas, sou fã da invenção do célebre chef inglês Gordon Ramsay (com gorgonzola e cebola caramelizada) e a bem resolvida Carbonara (com pancetta, parmesão e ovo mole).

Para molhar a goela, como virei fã de cerveja com o advento das “artesanais” – já que poucos líquidos são tão intragáveis quanto as “louras” tradicionais industriais (nem a Heikenen se salva mais…), costumo ir de Jupiter 10 Lúpulos, uma Indian Pale Ale extraordinária, encorpada, produzida pela cervejaria paulistana.

A boa cerveja Jupiter e o vinho Aparados são opções de o que beber
para acompanhar as ótimas pizzas

Mas como muita gente não consegue encarar uma pizza sem vinho, a Pizza da Moóca oferece a boa relação custo/benefício do cabernet sauvignon Aparados, da vinícola catarinense Villa Francioni. Mas controle a expectativa…

Dá para encarar sobremesa?

Então não caia na tentação pelos Canolli. A massa é pesada e o recheio é sem graça. De siciliano só tem a pretensão.

Embora tosco, o Calzonino de Nutella (com sorvete de leite e amêndoas) é mais palatável para quem precisa cair na glicose para alcançar a felicidade. Mas que é over, isso é.

Devidamente saciados, vamos desempanturrar numa curta caminhada de menos de três quarteirões (é descida e todo santo dá uma mãozinha) até o C. C. Rider, na rua Jumana. O Blues nos aguarda.

Porque C. C. Rider? É o título de um Blues celebrizado por Elvis Presley. Se você ouvir, vai lembrar. O “C. C.” significa “See See”. Americano sempre abusou dessas onomatopeias com letras. A garotada brasileira – e os nem tão meninos assim – também mergulharam fundo nesse vício de linguagem (que é prático, é) com a internet, particularmente depois do zap, digo, whatsapp.

Ou seja: o nome do bar, o título do blues – e seu refrão – significam “Veja, Veja, Cavaleiro”.

Que, como dá para ver na marca, foca em Blues e cerveja.

Recebe-nos, na esquina da rua Jumana com a rua Bernini Rosário Mônaco, um portentoso lustre de cristal. Mas não se intimide. A casa não é metida e o ambiente é bem informal. Mais pra lotado, com eventual espera na porta e tudo.

Embora role Blues dos bons e ao vivo todas as noites, descobri que a clientela – há exceções – não é exatamente blueseira. Começa que tem de tudo, de criança a idoso. A maioria é jovem, focada na azaração e tal. Mais tem quem leve filho, avô… Por mim, beleza. Não sou mesmo chegado em gueto.

São moóquenses que vão lá porque o lugar é “decente”, classudo, com jeitão de Jardins (ou, at least, Moema) na Moóca. E o Blues, se não é a isca que os arrasta, faz boa trilha sonora para a noitada.
Muitos nem se incomodam de se acomodar no andar de cima, arredado do show e perto das mesas de bilhar.

Embaixo, a cintilância mais esfuziante fica por conta do balcão, prodigioso, sólido em sua combinação de madeira nobre, tampo de granito, muito metal dourado (as torneiras de chope são uma sedução), zilhões de rótulos coloridos, copos luzidios e um ou outro adereço atraente, como a iconografia do Juventus, o time da paixão moóquense.

Se você não comeu antes – e só nesse caso – pense em encarar a cozinha do bar. Comete mais equívocos do que acertos.

O Jambalaya – prato típico créole, muito popular no baixo Mississipi (e, por isso mesmo, tudo a ver com o Blues) – é um mal-entendido sem tamanho. A mistura é abusada: tipo um risoto com camarão, linguiça e frango. O que dá a liga é um tempero peculiar que eles chamam de cajun. Já comi jambalayas de lamber os beiços. O do C. C. Rider é uma gororoba sem eira nem beira. As costelinhas de porco também deixam – muito – a desejar.

Se gostar de ardências – fortes – entre um gole e outro,
eles servem porções de pimenta jalapeño recheadas com cream-cheese antes de empanar. Falta sal, mas é legal. Só que tem de gostar de picâncias intensas.

Quer saber? Vá de burguer. Se, por um lado, não sobem ao pódio dos melhores da cidade, tampouco são eliminados de saída. Sugiro dois: o Monster Truck – que parece maior do que de fato é, embora seja avantajado, com bacon e onion rings (embora eu, se fosse você, pediria sem o molho barbecue meia-boca e o queijo prato de quinta) ou o Tex Mex, o melhor deles, com chili e sour-cream (sem o queijo, lembra? Eu peço para acrescentar bacon). A carne é farta e boa e isso é o que mais importa em se tratando de burguers. Mas, atenção, se você gosta de queijo gorgonzola – blue cheese em lugares americanistas como aqui, nem assim vá de Blues Cheese Burguer. O queijo mandou lembranças, mas o mensageiro não chegou a tempo; e o molho, ó, neca daquele gostinho peculiar de gorgonzola.

Eu recomendei… Passe pela Pizza da Moóca antes…

Já para beber, a história é outra.

Então vamos ao que nos trouxe até aqui: Blues & Beer.

As cervejas são, de fato, a melhor opção etílica do C. C. Rider. O cardápio dedicado a elas é recheado de obras-primas. Engarrafadas ou saídas das torneiras douradas do bar. Brasileiras nativas ou passadas pela alfândega.

Já experimentei dois coquetéis da casa e decidi não arriscar mais. Não pagam a pena. Um deles, leva o nome da casa (feito com tangerina, Jack Daniel’s Honey  – ô bebidinha mais exquisita – e gelo de água de coco). O outro, uma caipirinha de limão siciliano, uva e manjericão. Em ambos, os ingredientes parecem que entraram no copo para uma rinha, não para uma festa. É só desavença.

Já as cervejas… Quanta iguaria…

A começar pelo chope de uma de minhas Indian Pale Ales prediletas, a “Schornstein” – sou devoto das IPAs e esta, produzida aqui no estado de São Paulo, em Holambra, é perfeita. Eles a vendem também em garrafa.

Como outra IPA deliciosa, a Revenge, também paulista, só que da cidade de Socorro e a American IPA (preparada com lúpulos aromáticos norte-americanos) 6 o’Clock, fruto da parceria entre as cervejarias Invicta (outra daqui de São Paulo, mas de Ribeirão Preto – que tem tradição cervejeira) e Sixpoint (dos Estados Unidos).

As IPAs Revenge e 6 o’Clock
são apenas dois rótulos de um vasto cardápio primoroso.
E alguns chopes difíceis de encontrar por aí,
como o ótimo IPA Shornstein, juntam-se ao Blues
para fazer a festa dos frequentadores do C.C.Rider.

As grandes canecas e tulipas (meio litro!) nas mãos do povo, entretanto, incitam ao chope e à pândega.

Para encerrar, back to the beginning: o Blues.

Eu sei, você sabe, todo mundo está careca de saber que a cultura brasileira
é pródiga em grandes músicos. Músicos de Blues, inclusive.

Os melhores entre eles são arroz de festa no C. C. Rider. A começar pela ótima banda da casa; à frente o vocalista Ivan Marcio que também se vira legal na gaita.

C. C. Rider Band

Além de outros gaitistas cantores do primeiro time, como Sérgio Duarte (sempre acompanhado de seu filho – uma revelação extraordinária de guitarrista). E o cativante showman Paulo Meyer com sua animada banda The Thunderhead.

Sérgio Duarte e, à esquerda, seu filho revelação, Leonardo.
Embaixo, Paulo Meyer, o maior showman do Blues brasileiro, com sua banda Thunderhead.

Além do Spitfire Trio (Ricardo Mourão, Je Lima e Caio Dohogne), o guitarrista Marcelo Watanabe, o tecladista Adriano Grineberg, a banda Cosa Nostra, Vasco Faé, o Tritono Blues (Bruno Sant’anna, André Carlini e André Yous), a gaita surpreendente de Nicola Sena…

Só fera!

Mas precisava cuidar melhor da “moldura”, porque a música é sempre primorosa. Não existe palco, os artistas ficam no mesmo nível da mesa (bastava um tablado palmo e meio mais elevado…), escamoteados debaixo da escada e sem iluminação minimamente adequada. A qualidade do som é muito boa, ou seja, cuidaram do essencial, mas há detalhes que não são irrelevantes, pelo contrário.

Que isso justifique a baixa qualidade de minhas fotos dos shows. Até porque só fotógrafos profissionais, munidos de equipamentos de ponta, conseguem bem registrar o performance dos artistas. Câmeras com melhor desempenho do que o provido pela apple a seus iphones (e mais competência do que a que me foi aquinhoada pelo deus da fotografia). Enquanto isso, o salão, as mesas, a plateia iluminadaços. Pode, Arnaldo?

Felizmente, mais recentemente, as noitadas da casa passaram a ser registradas pelo craque Marcelo Crelece, da Emmy Photografia. Muitas fotos deste post são dele (as melhores). Particularmente as dos músicos. São publicadas no facebook do bar. Pela excelência desse trabalho, justificam per se uma visita à página. Quer ver?

* É inspirador visitar a Missão Paz, da Igreja Católica, no bairro do Glicério (pertinho da Praça da Sé, do bairro da Liberdade…). Eles cuidam do acolhimento, socorro e capacitação profissional de imigrantes. Com aulas de português – para árabes, africanos, haitianos… – e de formação para o trabalho. Às quarta-feiras é possível visitar o projeto e, até, conversar com centenas de clientes que frequentam ou estão alojados lá.
Quer conhecer? www.missaonspaz.org

BÔNUS

Lá nos primórdios da TV a cabo nos Estados Unidos, um canal promoveu um encontro de notáveis do Blues, sob o comando de ninguém menos do que B. B. King (a quem eu – thank’s God – vi, ao vivo, várias vezes). Virou programa e foi ao ar no final da década de oitenta. Olha só o elenco: Paul Butterfield, Eric Clapton, Phil Collins, Dr. John (que eu assisti a nem faz tanto tempo assim em Sampaulo), Etta James (vi em New York, pouco tempo depois dessa gravação), Chaka Khan, Albert King, Gladys Knight (esta eu vi em New Orleans, num tipo circo coberto por lona e tudo), Billy Ocean, Stevie Ray Vaughan… É mole?
Reparem na “conversa” entre as guitarras de B. B. King e Eric Clapton. E de B. B. King com Steve Ray Vaughan. No dueto de Etta James e Dr. John em “I’d Rather be Blind”. E Billy Ocean – eu nunca havia atentado para essa voz…(“… whem something is wrong with my baby, something is wrong with me…)! As três ladies cantando a capella. E o encontro de vozes e guitarras de Stevie Ray Vaughan e Albert King, intermediado pela gaita de Paul Butterfield. O elenco inteiro fazendo um “Midnight Hour” memorável. De-MAIS!
Um pitéu delicioso, único!
Um registro extraordinário, produzido e dirigido por Ken Ehrlich, uma lenda estadunidense da TV e dos grandes espetáculos.
“Let the Good Time Roll”…
Para vocês, na íntegra:

 

 

Haja sacola…!

Minha alma tem deleites ancestrais. Sou fã de feiras, por exemplo. E não imagino um jeito mais primitivo de organização do comércio do que uma banca de feira. Consigo até vislumbrar pescadores fenícios (devemos a eles o manejo do mar), oferecendo seu catch-of-the-day pelos portos do Mediterrâneo, três milênios atrás.

As feiras da Antiguidade...

As feiras da Antiguidade…

Pouca coisa mudou, nas feiras, da Idade Média para cá. Capas de iphone, quinquilharia chinesa e pirataria de grifes famosas são apenas a atualização de estoque dos mesmos camelôs que apregoavam leitões e galinhas prontos para o abate, novelos de lã toscamente fiados ou cutelaria artesanalmente malhada em bigornas caseiras. Mas a forma quase nada evoluiu, desde o entorno dos castelos feudais até os arredores da ladeira Porto Geral, nas abas do parque Dom Pedro paulistano.

... e algumas feiras Contemporâneas.

… e algumas feiras Contemporâneas.

A novidade maior é a especialização, a segmentação, a tematização das feiras.

Gosto de todas. Das que misturam de um tudo – tipo bazares orientais – e das focadas num único mote. Sampaulo é pródiga delas.

Das feiras livres semanais de hortifrutigranjeiros na vizinhança de casa (e seus imprescindíveis pasteleiros nas extremidades) às feiras de livros (encabeçadas pela monumental Bienal do Livro).

Bienal do Livro, Feira do MASP e Feira da praça Benedito Calixto

Bienal do Livro, Feira do MASP e Feira da praça Benedito Calixto

Sou useiro e vezeiro de feiras de arte e antiguidades (globalmente epitetadas pelos franceses de mercado de pulgas– marché aux puces, flea market, flohmarkt – à exceção de Portugal, onde são chamadas de feiras da ladra); adoro bater pernas pela da praça Dom Orione (no Bixiga), pela do vão do MASP, pela do MUBE.. E, vira e torna, dou uma sapeada nas feiras hippie (que já foram de artesanato alternativo e hoje se jogaram nos braços do stablishment – quer melhor exemplo do que a da praça Benedito Calixto, em Pinheiros?).

Sem contar as quermesses, que são suas primas com pegada baladeira.

Tem Feira da Madrugada, Feirão da Casa Própria, Feiras de Negócios….

As grandes Feiras de Negócios animam a economia.

As grandes Feiras de Negócios animam a economia.

Esse quesito de grandes feiras, focadas em fragmentos produtivos específicos, é um dos mais poderosos ímãs de hóspedes para a estrutura turística de Sampaulo. Quer ver? Antes mesmo que 2016 pendure a chuteira, acontecem duas grandes feiras de alimentos e bebidas, o salão do automóvel, feira de jóias e bijuteria, feiras de cosmética, de misticismo, de aviação, de tecnologia e nanotecnologia, de cinema e fotografia, de equipamentos para diversos segmentos da indústria… Eventos que reúnem milhares de pessoas vindas do mundo inteiro, exibem e comercializam o fruto do trabalho de milhões de operários, artistas, cientistas e técnicos, fazendo girar a roda da economia.

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Eu mesmo fui convidado – e vou, porque me importa a saúde do planeta e curiosidade é comigo mesmo – para a feira do lixo. Digo, de resíduos sólidos (que é o jeito “bon ton” de tratar do assunto). A Waste Expo Brasil reunirá, entre os dias 22 e 24 de novembro, uma multidão de profissionais e interessados em geral no tema: autoridades, técnicos e ambientalistas, administradores públicos municipais responsáveis pela gestão dos descartes urbanos, produtores globais de equipamentos para coleta, transporte, reciclagem (ou seja, reaproveitamento), compostagem (que é a utilização do potencial energético dos dejetos – ou como adubo orgânico) e aterros sanitários sustentáveis. Além de pequenos e médios empreendedores privados e sociais dessa cadeia produtiva vital para a nossa sobrevivência.

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Antes disso, bem antes, agora no próximo fim-de-semana, o programa será mais saboroso – embora também faça parte do universo da Eco-Responsabilidade. Vou sem falta à segunda edição da feira Sabor Nacional. A primeira aconteceu em julho e o sucesso surpreendeu promotores, feirantes e público: dois dias de Museu da Casa Brasileira lotado.

Museu da Casa Brasileira. Lotado durande a primeira feira Sabor Nacional, em julho.

Museu da Casa Brasileira. Lotado durante a primeira feira Sabor Nacional, em julho.

A ideia é repetir a coisa toda, tim tim por tim tim. Só que ampliado. Com maior número e variedade de barraqueiros, quer dizer, de stands que é um linguajar mais adequado a um lugar distinto como aquele.

Pense num monte de produtores artesanais de ingredientes e quitutes deliciosos. Gente caprichosa e talentosa, apaixonada pelo que faz e que não abre mão de surpreender o paladar da gente.

Fawsia Borralho é uma dessas criaturas prendadas.

Fawsia Borralho, uma das organizadoras da feira Sabor Nacional

Fawsia Borralho, uma das organizadoras da feira Sabor Nacional

Ela chegou a Sampaulo há beira trinta anos. Para se jogar no glamour suado e sem trégua da produção fashion. Mas nunca abriu mão dos dotes culinários para relaxar do azáfama de cria-corta-costura-produz-fotografa-exibe e trata de vender antes que mude a estação e os ventos da tendência soprem na direção de outro cria-corta-costura….

Com o tempo, seu hobby culinário especializou-se em conservas – melhor dizendo, compotas.  Preparava logo um estoque para abastecer a despensa – já que a moda que lhe garantia o ganha pão não permitia acesso diário ao fogão. Guloseimas deliciosamente criativas para consumo próprio.

Um dia, em vez da indefectível garrafa de vinho, arriscou levar para os anfitriões de um jantar, um desses potes de suas compotas. Nem um Romanée-Conti ensejaria tantas loas dos convivas. A partir daí cada novo convite vinha sempre sublinhado com um pedido de “traz uma compota”…

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Logo vieram as encomendas pagas e, hoje, Fawsia é uma quituteira de compotas que, aqui e ali, faz bicos no mundo da moda. Sou devoto dos produtos de sua A Compoteira já há coisa de dois anos. Da geleia de cebola roxa com vinho tinto aos tomates confitados com ervas e alho, passando por peras em suco de laranja com cardamomo e anis estrelado, damasco com fava de baunilha, morango com lavanda (e muito amor, como ela proclama)… Adoro tudo.

de A Compoteira: Pera com suco de laranja, cardamono e anis estrelado, Cebola com vinho tipo e ervas, Tomate confitado com alho.

de A Compoteira:
Pera com suco de laranja, cardamono e anis estrelado,
Cebola com vinho tipo e ervas,
Tomate confitado com alho.

Aqui e ali, ela conhecia um ou outro desses produtores gastronômicos devotados à excelência. E compartilhavam sua angústia comum: colocar seus produtos no mercado sem abrir mão da excelência artesanal.

Até que, um dia, Fawsia topou com jovens empreendedores que se entusiasmaram com a ideia de reunir algumas dezenas desses artesãos abnegados e oferecer a Sampaulo a oportunidade de consumir seus produtos pra lá de especiais. Nascia a feira Sabor Nacional.

Não pouparam arrojo na localização do seu novo negócio. A ampla varanda do palacete do Museu da Casa Brasileira e seu adorável quintal/jardim, no epicentro de uma das regiões mais nobres da cidade, cercado de gourmets exigentes. Ou seja, como professa o best-seller de autoajuda de Lair Ribeiro, o sucesso não ocorre por acaso.

Vejam algumas fotos que fiz na primeira edição, em julho. Não sei quais desses expositores estarão presentes no próximo fim-de-semana. Mas me disseram que a maioria confirmou presença. Sem contar o aumento de cinquenta por cento no número de feirantes. Todos amealhados no mesmo universo de produtores artesanais do bem comer.

Até geleia de Alho Negro, na banca do Sítio do Alho Negro.

Até geleia de Alho Negro, na banca do Alho Negro do Sítio.

O Alho Negro é alho comum (selecionado, claro!), que passa por um processo de fermentação muito usado no extremo oriente do mundo. Depois de algumas semanas em estufas controladas, a casca fica dourada e os dentes ficam pretinhos da silva, macios, perdem o ardor, ganham aroma mais delicado e um sabor complexo, levemente adocicado. Deixa de ser um ingrediente coadjuvante para assumir o protagonismo na preparação de pratos sofisticados. E, dizem, seus saudáveis benefícios são potencializados. Era raríssimo por aqui, mas virou febre a coisa de uns oito ou dez anos. De cobertura de pizza a composições mais intrincadas, não havia restaurante da moda que não o incluísse em seu cardápio. De lá pra cá, ficou mais fácil encontra-lo. Eu costumo recorrer ao empório Entreposto das Feijoadas, no subsolo do Mercado de Pinheiros. O de lá é produzido pelo mesmo Alho Negro do Sítio que vem, pessoalmente, vende-lo na feira Sabor Nacional. Gosto de imergi-lo em bom azeite morno por alguns minutos, antes de misturá-lo a uma massa recém-escorrida (até com nhoque fica ótimo). É o que basta para compor um prato que me delicia.

Neka Menna Barreto cintilando com seus quitutes.

Neka Menna Barreto cintilando com seus quitutes.

A banqueteira Neka Menna Barreto foi uma das estrelas da primeira edição da Feira Sabor Nacional. Saí de lá com um pacote de sua farofa de amêndoas, que eu tentei regrar, suvina, mas que acabei detonando purinha, de colher em punho direto da embalagem, enquanto assistia a abertura das Olimpíadas do Rio. Não é à toa que tanto me encantou o espetáculo…

Já o Cambuci é uma fruta típica da Mata Atlântica. Dizem que era muito comum por aqui. Tem até um bairro, berço do movimento grafiteiro de Sampaulo, que se chama Cambuci. Ácida que só, mas deliciosa na composição de sucos, geleias e nas infusões alcoólicas. Tem uma marca de cachaça, a Angelina série A, envelhecida com concentrado da fruta, que não falta no meu congelador.

O Cambuci, resgatado da extinção, em guloseimas do Instituto.

O Cambuci, resgatado da extinção, em guloseimas do Instituto Auá.

Pois o cambuci, até pouco tempo, meio que ninguém sabe, ninguém viu. Falavam de extinção. Daí descubro, na feira Sabor Nacional, que existe um Instituto Auá dedicado à recuperação da espécie. Reúne um grupo de pequenos produtores artesanais que preparam bebidas, geleias, chutneys e, até, um delicioso homus (a extraordinária pasta de grão de bico e gergelim cuja invenção é disputada por árabes e judeus) que leva cambuci – quem diria!

O surpreendente Naked Cake Bolo de Rolo (horizontal!?!) da Casa do Bolo de Rolo.

O surpreendente Naked Cake Bolo de Rolo (horizontal!?!) da Casa do Bolo de Rolo.

Tive uma avó, pernambucana, quituteira de mancheia. Seus bolos Souza Leão e de Rolo eram obras-primas. Meu paladar foi forjado intransigente nesses primores da doçaria recifense. Mas nunca havia visto um bolo de rolo que não fosse como o dela, espiralado, intercalando finíssimas camadas de pão-de-ló amanteigado e goiabada. De repente, na feira Sabor Nacional, descubro novas doceiras de Pernambuco, estabelecidas em Sampaulo com sua Casa do Bolo de Rolo, que ousaram interferir no formato ancestral do doce. Fizeram-no plano, e chamam-no de Naked Cake Bolo de Rolo. Sedutor que só! Produzem-no também do jeitão tradicional, em diferentes tamanhos. Não tem a leveza dos bolos de vovó Jandira, mas, aí, seria querer demais…

Ótimas - e criativas - as geleias da A Senhora das Especiarias.

Ótimas – e criativas – as geleias da A Senhora das Especiarias.

Adorei as geleias da Senhora das Especiarias. Principalmente a de Morango com chá Earl Grey (que é, mais do que meu chá predileto, um vício). A fruta se deu muito bem com o chá preto aromatizado com bergamota. O chutney de cebola, a geléia de manga com maracujá e, sobretudo, a de figo com grappa, também não fazem feio.

Uma tentação, os pães de Thiago, da Santiago Pães.

Uma tentação, os pães de Tiago Saraiva, da Santiago Pães.

De uns anos para cá, a panificação “gourmet” de Sampaulo deu um salto. Muitos padeiros com formação europeia se estabeleceram na cidade (Rafael Rosa, com sua Pão; Julice Vaz e sua Julice – esta, formada na American Bakery School de San Francisco; Izabel Pereira na sua Marie Madeleine; o próprio frei Bernardo, na Padaria do Mosteiro…). Um dos mais recentes deles, Tiago Saraiva estava lá, na feira Sabor Nacional do final de julho. Com algumas das fornadas primorosas de sua Santiago Pães. São tão bons que devorei um redondão apenas com azeite e sal, aquecido para exalar os aromas da fermentação natural. Talento e esmero criam coisas assim, deliciosas.

As surpreendências de Eduardo, da A Queijaria.

As surpreendências de Fernando Oliveira, da A Queijaria.

Hoje nem carece mais tecer loas à A Queijaria, estabelecida há alguns poucos anos na Vila Madalena. Fernando Oliveira, seu criador, antes rodou o Brasil, garimpando queijeiros excepcionais que nós nem desconfiávamos existir. Trouxe suas produções para revelá-los aos paulistanos. Com isso, tem prestado um serviço inestimável à queijaria nacional. E a nós, claro, glutões exigentes que somos. Sempre tem novidade por lá. Algumas delas eu conheci na sua banca da primeira feira Sabor Nacional. Este eu sei que vai estar lá de novo. Que bom, porque ele é imprescindível.

Ainda mais que, desta vez, vai dar um workshop de preparo de queijos.

Haviam ainda outros expositores. Dezenas deles. Inclusive com produtos hortifrutigranjeiros de produção artesanal.

Chocolates Derret (que não tem loja, mas entrega pedidos a domicílio), Charcuteria Cancian (de Tietê, no interior de São Paulo), Amorim Café (produtor mineiro de grãos extraordinários) e, até, um empório do Brás especializado em produtos nordestinos (que tinha massa puba – mandioca fermentada, matéria prima do bolo Souza Leão de minha avó Jandira – e belas mantas de carne de sol).

Chocolates Derret, Cancian, Amorim Cafés e empório nordestino.

Chocolates Derret, Cancian, Amorim Cafés e empório nordestino.

Sem contar o food truck do celebrado chef Rodrigo Oliveira, o Mocotó Aqui (outro que sei que vai estar lá, de novo, no próximo fim-de-semana).

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Entre as novidades, Fawsia Borralho me adiantou que quem for ao Museu da Casa Brasileira, na sexta e no sábado, vai encontrar as pimentas e chutneys Spice Splice, os chocolates da Isidoro, a nova linha de doces da extraordinária chocolateria AMMA, as frutas exóticas da Banca do Juca – do Mercadão (celebrizada numa novela da Globo, lembra?), a Quirós Gourmet – que comercializa cortes especiais de cordeiro, os refrigerantes orgânicos e sem açúcar da Gloops, os cogumelos da Cogushi, o bochichado – e premiadíssimo – azeite brasileiro Borriello, a nova linha de sorvetes do Maní Manioca (cria recente de Helena Rizzo e Daniel Redondo)…

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Sem contar algumas surpresinhas como uma caprichosa bordadeira mineira e sua produção esmerada de panos de prato, uma linha de brinquedos pedagógicos de madeira, cestaria artesanal, banca de flores e o Tabuleiro das Meninas, famoso por preparar caldo de sururu, acarajé e tapioca nos eventos do cabeleireiro Mauro Freire.

Ou seja, eu lá sou louco de não me jogar numa celebração de prazeres dessas?

Nossas sacolas e nosso apetite hão de se cruzar por lá…

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