Pizza & Blues

Rolou desventura, infortúnio, vicissitude? Está na merda, chorando revés? Perdeu o emprego? E ainda bateu o carro? Levou chifre, tomou pé na bunda? Faltou dinheiro para pagar o aluguel e não sobrou nem para o pão com ovo?

…..Nessas horas, o jeito é se jogar no Blues.

Tudo o que deixa a gente na pior nos lança no mood para o Blues.

Para versejar a lamentação num Blues, bem entendido. Em letras de uma “indigência” muitas vezes constrangedora, sexistas e violentas, com referências a vinganças sanguinolentas, tiros, facas…

Já a música vai muito além da auto piedade. É como se o ritmo – às vezes dolente, mas que costuma atingir altos remelexos de animação – funcionasse como catarse, destilando o sofrimento em foda-se; tipo um porre de redenção.

Destilar e porre são conceitos que vêm bem a calhar: quando essa extraordinária matriz musical americana nasceu, no final do século XIX, blue era gíria usada para discriminar bêbado.

Se bem que a imagem do desabrochar do Blues que alimenta o imaginário americano não tem relação direta com grogue. O cenário são as plantações de algodão dos estados do sul (escravocratas confederados na guerra da Secessão) – com epicentro no delta do rio Mississipi, arredores de Nova Orleans. Foram os negros da Louisiana, Texas, Arkansas, Missouri, Alabama, Georgia, Tennessee, Carolinas e adjacências (já forros, mas fodidos e mal pagos) que passavam a vida apregoando seu sofrimento em cantilenas intermináveis, enquanto colhiam o algodão de seus senhores, digo, agora, patrões.

À noite, nos bares dos alojamentos (olha o pileque aí), os versos que haviam feito mais sucesso no campo eram repetidos para folgança de todos. E ganhavam ritmos animados para que pudessem, já encharcados no álcool, rir e dançar de seu infortúnio.

Embora o Blues não me fosse completamente desconhecido, nunca havia atentado para a relevância – essencial e imprescindível – do ritmo. Em meu favor, o argumento de que meu talento musical se restringe à plateia. Nem palmas eu consigo bater no ritmo…

Foi depois de uma temporada em New Orleans, caminhando  todas as noites nas imediações da Bourbon Street, pelo French Quarter, batendo ponto no Preservation Hall e no House of Blues – ou ouvindo o que emanava de qualquer biboca por mais espelunca que fosse – que meus pés passaram a bater compulsória e compassadamente, ao reconhecer um good old blues. E olha que foi só uma semaninha, há coisa de vinte anos!

Blues (e Jazz, e Soul) não param em New Orleans.
Seja no House of Blues, no Preservation Hall (à esquerda)
ou nas ruas mesmo, anywhere and everywhere.

Mesmo zero à esquerda que sou, passei a reconhecer a batida bluesística nas canções de algumas de minhas divindades rockeiras, particularmente em Jim Morrissey, digo, The Doors; e – só para citar alguns rock stars com lugar cativo em meu altar – Elvis Presley, ZZ Top, Joe Cocker, The White Stripes (resgatando velhos standards pra a vanguarda da vanguarda), Cream (Eric Clapton sempre foi blueseiro de carteirinha), Stevie Ray Vaughan (dá-lhe gaita afinada!), Credence Clearwater Revival, Santana (Blues for Salvador é guitar in it’s best), Deep Purple, Led Zeppelin (e, clarevidentemente Jimmy Page), Fleetwood Mac, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Grateful Dead, Jethro Tull…

E, de repente, agora no final de 2016, ficamos sabendo que ninguém menos do que os Rolling Stones acabaram de lançar um novo disco: o ótimo Blue & Lonesome. Em comemoração aos cinquenta e cinco anos de um encontro fortuito de adolescentes que não se conheciam – Mick Jagger e Keith Richards – numa estação de trens londrina. Um atraindo a atenção do outro pelos discos que levavam: LPs de Blues, de Muddy Waters e Chuck Berry. Naqueles dias, era o que lhes monopolizava a emoção. “Foi essa a razão para montarmos uma banda”, reconhece Jagger; confessando que “sempre fomos devotos do Blues”.

O fato é que o Blues está no DNA do Rock&Roll. E também do Jazz. Embora eu ache que Rock e Blues sejam ritmos musicais (como samba, bolero, fado ou cha-cha-chá…), enquanto Jazz, bem… Jazz é uma categoria de Arte. Tipo a Pintura de Klimt, a Literatura de Guimarães Rosa, a Dança do Grupo Corpo, o cinema de Ken Loach, a Arquitetura de Lina Bo Bardi, o teatro de Shakespeare, a escultura de Ligia Clark, a música de Mozart… E o Jazz (de Miles Davis, Charles Parker, Billie Holliday, John Coltrane, Thelonius Monk, Chet Baker, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Nina Simone, Django Reinhardt, Michel Legrand, Stéphane Grappelli …).

Em “Três Músicos”, Picasso retrata os ritmos negros norte-americanos
chegando a Paris, no início do século XX

Sampaulo não é Nova Orleans, com Blues – e Jazz – sendo dedilhado, soprado e solfejado a cada esquina. E isso só não é ruim, porque aqui também rola chorinho, rap, tango, samba, forró, flamenco, xote…
Mas o Brasil já teve – e tem – bons bluezeiros. Do pioneiro Celso Blues Boy aos Blues Etílicos. Passando por André Cristovam, Nuno Mindelis, Igor Prado, a gaita virtuosa de Maurício Einhorn e de seu discípulo Sérgio Duarte, o impagável showman Paulo Meyer e seus inseparáveis Thunderheads…

Alguns deles batem ponto com frequência – além da ótima banda da casa – na surpreendente C. C. Rider, um bar de Blues que, há ano e meio, anima as noites da Moóca.

(Moóca? De novo, toda hora?).

Mas antes de nos tocarmos para lá, vamos cuidar da pança que a alma se diverte melhor quando o corpo está repimpado.

E vamos de pizza!

Não uma redonda qualquer. Vamos nos jogar em uma das melhores pizzarias de Sampaulo.

A Pizza da Moóca fica no último quarteirão – antes da avenida Paes de Barros – da rua Guaimbé (já palmilhada por este “Sampaulo de Lá pra Cá” em tantos posts recentes que até já perdi a conta).

Antes de largarmos de mão o logradouro, vamos dar uma última e saborosa paradinha para conhecer as ótimas coberturas das massas (preparadas com as finississíssimas farinhas de trigo 00 trazidas de Nápoles (sabe a terra natal da pizza?). Redondas não tão delgadas que pareçam pão pita; mais para grossas, bordas consistentes (mas a qualidade da massa compensa,). Não empanturra nossa compostura .

São assadas no forno que reina, soberano, nos fundos da pequena e acolhedora Pizza da Moóca.

O lugar fica na fronteira do alternativo, mas do lado de cá do charmoso.

O serviço? Bem… Não chega a estragar o bom-humor, mas tropeça na displicência blasé que é um jeito de fazer de conta que não é amador. Para usar uma linguagem mais de acordo com os garçons com jeitão de estudantes fazendo bico para pagar a faculdade, é descolado.

Entre eles, entretanto, chama a atenção o entusiasmo de Elmond, um jovem migrante haitiano que fugiu das catástrofes naturais, sociais, políticas e econômicas de sua ilha caribenha natal para fazer a vida no Brasil. Em poucos anos, já trouxe a mulher e constrói sua família aqui, com uma garra rara de se ver. Até o seu desembaraço com a nova língua, em tão pouco tempo, pasma.

Sou avesso à xenofobia. O acolhimento a migrantes, particularmente aos que lutam com unhas e dentes pela sobrevivência, não é apenas uma ação humanitária moralmente obrigatória. A garra que o padecimento atiça nesses pelejadores faz deles, também, agentes econômicos preciosos. Trabalham, aguerridos, pelo direito à vida. *

Essas horas eu entendo – e apoio – a perspectiva pragmática de Angela Merkel…

Por falar em imigrantes, vamos voltar a eles. Só que aos italianos que fizeram a pujança de Sampaulo nas fábricas que já fervilharam na Moóca (onde estamos), povoaram o bairro e trouxeram para cá a pizza (nas quais estamos em vias de cair de boca).

Antes, que tal abrir o apetite com um dos coquetéis da Pizza da Moóca, à base de Disaronno? É amaretto, um licor italiano que é pura amêndoa e é para lá de clássico – seus fabricantes garantem obedecer uma receita original de quando a língua dominante, por aqui, ainda era o tupi. E tem o condão de me fazer criança. Quando eu me entendi, o nome no rótulo era Amaretto di Saronno, ou seja, da cidade lombarda de Saronno, colada acima de Milão. Não faço a menor ideia se a decisão de mexer no nome foi judicial ou marqueteira. Detalhe: amêndoa, que é bom, não passa nem perto de sua fórmula! Para mim, foi tipo descobrir que papai noel não existe…

O fato é que preparam dois coquetéis com Disaronno na Pizza da Moóca: o Mojito Italiano (com rum, limão e hortelã, como qualquer mojito; só que o limão é siciliano, acrescentam uma lapada de prosecco e temperam com o amaretto; italianizou, è vero!) e o Lila Sour (com suco de laranja, limão, amaretto e uma cereja pra sofisticar). Valem – para mim, at least – pelo aroma sutil de amêndoas que me remete à infância.

Mojito Italiano e Mila Sour
ambos levam o licor Disaronno em sua fórmula

Para acompanhar os drinks, como abre-alas para as pizzas, as opções são:

Corniccione: massa de pizza fininha, assada até ficar crocante, sutil e sabiamente temperada com ervas e um salzinho encantador.

Crocche Napolitano: meia dúzia de bolinhos, de batata, recheado com pancetta (mas que prometem mais do que cumprem).

Tre Foccace: essas sim, três tiras deliciosas. Olha só o que o tal do trigo 00 proporciona na construção da base perfeita, macia, aerada, mas densa, casca crocante e coberturas bem diferentes. Todas três adoráveis: numa, a simplicidade do salgrosso aromatizado com alecrim se valendo da excelência da massa; noutra, a fatia fina de abobrinha com ricota e manjericão cheia de personalidade a um tempo discreta e estilosa; na terceira, os gritos e sussurros do ótimo cardume de alicci em leito de molho de tomates bem apurado. Surpreendente.

Agora surpreendentes, mesmo, são as pizzas. Como são boas!

Dividem-se em duas categorias: as “vermelhas”, onde quem manda no molho é o tomate; e as “brancas”, onde quem dá o tom é o molho bechamel. Qual é a importância desse detalhe? É que, no caso de mezzo una, mezzo altra, não juntam metade branca com metade vermelha…

Entre as rubras, costumo juntar a simplicidade da Margherita (ou sua versão puxada no alho, a Napolitana) e a picância – nem tão ardida assim – da Diavola (com linguiça diavoletta e pimenta jalapeño).

Já entre as alvas, sou fã da invenção do célebre chef inglês Gordon Ramsay (com gorgonzola e cebola caramelizada) e a bem resolvida Carbonara (com pancetta, parmesão e ovo mole).

Para molhar a goela, como virei fã de cerveja com o advento das “artesanais” – já que poucos líquidos são tão intragáveis quanto as “louras” tradicionais industriais (nem a Heikenen se salva mais…), costumo ir de Jupiter 10 Lúpulos, uma Indian Pale Ale extraordinária, encorpada, produzida pela cervejaria paulistana.

A boa cerveja Jupiter e o vinho Aparados são opções de o que beber
para acompanhar as ótimas pizzas

Mas como muita gente não consegue encarar uma pizza sem vinho, a Pizza da Moóca oferece a boa relação custo/benefício do cabernet sauvignon Aparados, da vinícola catarinense Villa Francioni. Mas controle a expectativa…

Dá para encarar sobremesa?

Então não caia na tentação pelos Canolli. A massa é pesada e o recheio é sem graça. De siciliano só tem a pretensão.

Embora tosco, o Calzonino de Nutella (com sorvete de leite e amêndoas) é mais palatável para quem precisa cair na glicose para alcançar a felicidade. Mas que é over, isso é.

Devidamente saciados, vamos desempanturrar numa curta caminhada de menos de três quarteirões (é descida e todo santo dá uma mãozinha) até o C. C. Rider, na rua Jumana. O Blues nos aguarda.

Porque C. C. Rider? É o título de um Blues celebrizado por Elvis Presley. Se você ouvir, vai lembrar. O “C. C.” significa “See See”. Americano sempre abusou dessas onomatopeias com letras. A garotada brasileira – e os nem tão meninos assim – também mergulharam fundo nesse vício de linguagem (que é prático, é) com a internet, particularmente depois do zap, digo, whatsapp.

Ou seja: o nome do bar, o título do blues – e seu refrão – significam “Veja, Veja, Cavaleiro”.

Que, como dá para ver na marca, foca em Blues e cerveja.

Recebe-nos, na esquina da rua Jumana com a rua Bernini Rosário Mônaco, um portentoso lustre de cristal. Mas não se intimide. A casa não é metida e o ambiente é bem informal. Mais pra lotado, com eventual espera na porta e tudo.

Embora role Blues dos bons e ao vivo todas as noites, descobri que a clientela – há exceções – não é exatamente blueseira. Começa que tem de tudo, de criança a idoso. A maioria é jovem, focada na azaração e tal. Mais tem quem leve filho, avô… Por mim, beleza. Não sou mesmo chegado em gueto.

São moóquenses que vão lá porque o lugar é “decente”, classudo, com jeitão de Jardins (ou, at least, Moema) na Moóca. E o Blues, se não é a isca que os arrasta, faz boa trilha sonora para a noitada.
Muitos nem se incomodam de se acomodar no andar de cima, arredado do show e perto das mesas de bilhar.

Embaixo, a cintilância mais esfuziante fica por conta do balcão, prodigioso, sólido em sua combinação de madeira nobre, tampo de granito, muito metal dourado (as torneiras de chope são uma sedução), zilhões de rótulos coloridos, copos luzidios e um ou outro adereço atraente, como a iconografia do Juventus, o time da paixão moóquense.

Se você não comeu antes – e só nesse caso – pense em encarar a cozinha do bar. Comete mais equívocos do que acertos.

O Jambalaya – prato típico créole, muito popular no baixo Mississipi (e, por isso mesmo, tudo a ver com o Blues) – é um mal-entendido sem tamanho. A mistura é abusada: tipo um risoto com camarão, linguiça e frango. O que dá a liga é um tempero peculiar que eles chamam de cajun. Já comi jambalayas de lamber os beiços. O do C. C. Rider é uma gororoba sem eira nem beira. As costelinhas de porco também deixam – muito – a desejar.

Se gostar de ardências – fortes – entre um gole e outro,
eles servem porções de pimenta jalapeño recheadas com cream-cheese antes de empanar. Falta sal, mas é legal. Só que tem de gostar de picâncias intensas.

Quer saber? Vá de burguer. Se, por um lado, não sobem ao pódio dos melhores da cidade, tampouco são eliminados de saída. Sugiro dois: o Monster Truck – que parece maior do que de fato é, embora seja avantajado, com bacon e onion rings (embora eu, se fosse você, pediria sem o molho barbecue meia-boca e o queijo prato de quinta) ou o Tex Mex, o melhor deles, com chili e sour-cream (sem o queijo, lembra? Eu peço para acrescentar bacon). A carne é farta e boa e isso é o que mais importa em se tratando de burguers. Mas, atenção, se você gosta de queijo gorgonzola – blue cheese em lugares americanistas como aqui, nem assim vá de Blues Cheese Burguer. O queijo mandou lembranças, mas o mensageiro não chegou a tempo; e o molho, ó, neca daquele gostinho peculiar de gorgonzola.

Eu recomendei… Passe pela Pizza da Moóca antes…

Já para beber, a história é outra.

Então vamos ao que nos trouxe até aqui: Blues & Beer.

As cervejas são, de fato, a melhor opção etílica do C. C. Rider. O cardápio dedicado a elas é recheado de obras-primas. Engarrafadas ou saídas das torneiras douradas do bar. Brasileiras nativas ou passadas pela alfândega.

Já experimentei dois coquetéis da casa e decidi não arriscar mais. Não pagam a pena. Um deles, leva o nome da casa (feito com tangerina, Jack Daniel’s Honey  – ô bebidinha mais exquisita – e gelo de água de coco). O outro, uma caipirinha de limão siciliano, uva e manjericão. Em ambos, os ingredientes parecem que entraram no copo para uma rinha, não para uma festa. É só desavença.

Já as cervejas… Quanta iguaria…

A começar pelo chope de uma de minhas Indian Pale Ales prediletas, a “Schornstein” – sou devoto das IPAs e esta, produzida aqui no estado de São Paulo, em Holambra, é perfeita. Eles a vendem também em garrafa.

Como outra IPA deliciosa, a Revenge, também paulista, só que da cidade de Socorro e a American IPA (preparada com lúpulos aromáticos norte-americanos) 6 o’Clock, fruto da parceria entre as cervejarias Invicta (outra daqui de São Paulo, mas de Ribeirão Preto – que tem tradição cervejeira) e Sixpoint (dos Estados Unidos).

As IPAs Revenge e 6 o’Clock
são apenas dois rótulos de um vasto cardápio primoroso.
E alguns chopes difíceis de encontrar por aí,
como o ótimo IPA Shornstein, juntam-se ao Blues
para fazer a festa dos frequentadores do C.C.Rider.

As grandes canecas e tulipas (meio litro!) nas mãos do povo, entretanto, incitam ao chope e à pândega.

Para encerrar, back to the beginning: o Blues.

Eu sei, você sabe, todo mundo está careca de saber que a cultura brasileira
é pródiga em grandes músicos. Músicos de Blues, inclusive.

Os melhores entre eles são arroz de festa no C. C. Rider. A começar pela ótima banda da casa; à frente o vocalista Ivan Marcio que também se vira legal na gaita.

C. C. Rider Band

Além de outros gaitistas cantores do primeiro time, como Sérgio Duarte (sempre acompanhado de seu filho – uma revelação extraordinária de guitarrista). E o cativante showman Paulo Meyer com sua animada banda The Thunderhead.

Sérgio Duarte e, à esquerda, seu filho revelação, Leonardo.
Embaixo, Paulo Meyer, o maior showman do Blues brasileiro, com sua banda Thunderhead.

Além do Spitfire Trio (Ricardo Mourão, Je Lima e Caio Dohogne), o guitarrista Marcelo Watanabe, o tecladista Adriano Grineberg, a banda Cosa Nostra, Vasco Faé, o Tritono Blues (Bruno Sant’anna, André Carlini e André Yous), a gaita surpreendente de Nicola Sena…

Só fera!

Mas precisava cuidar melhor da “moldura”, porque a música é sempre primorosa. Não existe palco, os artistas ficam no mesmo nível da mesa (bastava um tablado palmo e meio mais elevado…), escamoteados debaixo da escada e sem iluminação minimamente adequada. A qualidade do som é muito boa, ou seja, cuidaram do essencial, mas há detalhes que não são irrelevantes, pelo contrário.

Que isso justifique a baixa qualidade de minhas fotos dos shows. Até porque só fotógrafos profissionais, munidos de equipamentos de ponta, conseguem bem registrar o performance dos artistas. Câmeras com melhor desempenho do que o provido pela apple a seus iphones (e mais competência do que a que me foi aquinhoada pelo deus da fotografia). Enquanto isso, o salão, as mesas, a plateia iluminadaços. Pode, Arnaldo?

Felizmente, mais recentemente, as noitadas da casa passaram a ser registradas pelo craque Marcelo Crelece, da Emmy Photografia. Muitas fotos deste post são dele (as melhores). Particularmente as dos músicos. São publicadas no facebook do bar. Pela excelência desse trabalho, justificam per se uma visita à página. Quer ver?

* É inspirador visitar a Missão Paz, da Igreja Católica, no bairro do Glicério (pertinho da Praça da Sé, do bairro da Liberdade…). Eles cuidam do acolhimento, socorro e capacitação profissional de imigrantes. Com aulas de português – para árabes, africanos, haitianos… – e de formação para o trabalho. Às quarta-feiras é possível visitar o projeto e, até, conversar com centenas de clientes que frequentam ou estão alojados lá.
Quer conhecer? www.missaonspaz.org

BÔNUS

Lá nos primórdios da TV a cabo nos Estados Unidos, um canal promoveu um encontro de notáveis do Blues, sob o comando de ninguém menos do que B. B. King (a quem eu – thank’s God – vi, ao vivo, várias vezes). Virou programa e foi ao ar no final da década de oitenta. Olha só o elenco: Paul Butterfield, Eric Clapton, Phil Collins, Dr. John (que eu assisti a nem faz tanto tempo assim em Sampaulo), Etta James (vi em New York, pouco tempo depois dessa gravação), Chaka Khan, Albert King, Gladys Knight (esta eu vi em New Orleans, num tipo circo coberto por lona e tudo), Billy Ocean, Stevie Ray Vaughan… É mole?
Reparem na “conversa” entre as guitarras de B. B. King e Eric Clapton. E de B. B. King com Steve Ray Vaughan. No dueto de Etta James e Dr. John em “I’d Rather be Blind”. E Billy Ocean – eu nunca havia atentado para essa voz…(“… whem something is wrong with my baby, something is wrong with me…)! As três ladies cantando a capella. E o encontro de vozes e guitarras de Stevie Ray Vaughan e Albert King, intermediado pela gaita de Paul Butterfield. O elenco inteiro fazendo um “Midnight Hour” memorável. De-MAIS!
Um pitéu delicioso, único!
Um registro extraordinário, produzido e dirigido por Ken Ehrlich, uma lenda estadunidense da TV e dos grandes espetáculos.
“Let the Good Time Roll”…
Para vocês, na íntegra:

 

 

Samba de Fé

Não é de hoje que o samba louva a Deus. Vinícius de Morais já cantava que “o bom samba é uma forma de oração”.

A alta hierarquia católica, entretanto, sempre foi reticente. Para ela, sagrado e profano é cada um no seu quadrado. Só muito recentemente, já no papado de Francisco, os cardeais de Sampaulo e do Rio de Janeiro admitiram – e, até, abençoaram – a participação de sua iconografia religiosa em desfiles de Escolas de Samba.

Este ano, a Águia de Ouro paulistana cantou Nossa Senhora no sambódromo, num desfile procissão cujo refrão dizia: “Ave Santa Mulher que me guia… O nosso Azul e Branco é de Maria”.

Nicete Bruno, como a Virgem Maria, participa do desfile cheia de referências católicas da Águia de Ouro.

Nicete Bruno (Virgem Maria), no desfile cheia de referências católicas da Águia de Ouro.

E a Acadêmicos do Tucuruvi cantou, em seu refrão: “ó Círio de Nazaré, ó Senhora Aparecida abençoa quem tem fé”.

Logo Águia de Ouro 2017

Ano que vem,  Nossa Senhora Aparecida volta, absoluta, pelas mãos da Unidos de Vila Maria. Que vai louvar os 300 anos de aparição da imagem no rio Paraíba do Sul.

Não foi sempre assim. Em 1989, quando Joãosinho Trinta tentou colocar o Cristo Redentor na Marques de Sapucaí – abrindo o memorável desfile “Ratos e Urubus, larguem a minha Fantasia”, a Beija-Flor foi ameaçada pelo ultraconservador cardeal Eugênio Sales.

beija-florAinda assim, a alegoria participou do desfile, só que coberta. com uma faixa/oração que desmascarava a hipocrisia eclesial e demonstrava mais Fé na divino do que a cúpula da igreja local (que quis impedir Nosso Senhor de estar no meio do povo). Daí para frente, o carnavalesco mais importante da história e o arcebispado carioca passariam a viver às turras.

beija-flor-cristo-2005-originalEm 2005, a mesma Beija-Flor colocou na avenida uma representação do Cristo ensanguentado (embora a falta de sintonia mais explícita com o enredo tenha sombreado sua repercussão).

Em 2014, a Mocidade Alegre paulistana encarou de frente a cisão e construiu uma ponte vigorosa sobre o fosso que sempre apartou a igreja do samba. E faturou o campeonato com o enredo “Andar com Fé eu vou, que a Fé não Costuma Falhar”. E contagiou o sambódromo do Anhembi com o refrão: “De joelhos eu vou cantar / Tenho fé de verdade, vou além… / Na Mocidade, o samba diz amém”!

Romeiros em procissão no desfile de 2014 da Mocidade Alegre

Romeiros em procissão no desfile de 2014 da Mocidade Alegre

Ainda no universo das igrejas cristãs, os evangélicos, tradicionais ou pentecostais, torcem o nariz para os prazeres profanos. Implicam até com a cervejinha nossa de cada dia… Mas isso não impede que vários sambistas convertidos continuem fazendo samba, só que gospel. Inclusive samba de partido-alto (sabe Martinho da Vila?). Já ouvi uma banda com ótimos ritmistas em que é feito um trocadilho: “partiu do alto”, ou seja, veio de Jesus.

Clara Nunes cantou os Orixás

Clara Nunes cantou os Orixás

As religiões de origem africana, até por costumarem apoiar suas celebrações em batidas de tambores, sempre desfrutaram de intimidade com o samba. Olha Clara Nunes que não me deixa mentir… Sem contar que muitos dos fundadores das grandes escolas de samba do Rio – que é a matriz do gênero – eram pais e mães de santo. Sempre que homenageiam um Orixá, entretanto, os sambistas precisam pedir permissão ao santo, cumprindo alguma “obrigação” imposta por um terreiro a ele consagrado. Ainda assim, pelo preconceito vigente até então, foi só na década de sessenta que essas divindades começaram a dar as caras nos desfiles.

Sou entusiasta da comunhão da religião com o samba. A Igreja tem que estar perto do rebanho de Deus, particularmente do desgarrado. Evangelização em território sagrado tem um que de chover no molhado. O próprio Cristo foi exemplar ao se aproximar de Maria Madalena… E, ademais, não há porque confundir diversão com prevaricação. Pecado é o que nasce no desamor, na intolerância, na demonização do diferente – como bem tem demostrado os jihadistas que se pretendem muçulmanos.

Sou devoto do Criador e adoro samba. De roda, de breque, partido-alto ou exaltação.

Por isso, não é de hoje que eu cato redutos de bambas na cidade..

Quando larguei a barra da saia de mamãe e virei de maior, lá nos anos 70, dois dos meus destinos prediletos eram consagrados ao samba.

Mestre Paul Vanzolini

Mestre Paulo Vanzolini

Para cair no passo, o destino era o decadente Paulistano da Glória, no bairro da Liberdade. Uma escola de samba, fuleira que só (para os padrões atuais). As instalações eram para lá de canhestras, mas o samba era bom e rolava um baile semanal durante o ano inteiro. Minha galera da PUC batia ponto e eu me esbaldava. Tipo “passista perde”… Não era raro cruzar com alguns ícones da velha guarda paulistana por lá: Geraldo Filme (“na hora em que eu nasci, mamãe me jogou na pista – se cair deitado é padre, caiu de pé é sambista”), Adoniram Barbosa (“din-de donde nós passemos os dias feliz de nossas vidas”), Paulo Vanzolini (“levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”)….

Benito de Paula nos anos 70

Benito de Paula nos anos 70

Já se era só para ouvir o ziriguidum, no máximo marcando o ritmo com o polegar no tampo da mesa, eu esvaziava o bolso para encarar o couvert artístico da exígua Catedral do Samba, no bairro do Bexiga. Mais requintada, decorada com alguns arremedos de vitral para dar clima de igreja (embora diminuta como uma capela), tinha um tablado no fundo com um piano de calda. Era o palco do “samba joia” de Benito di Paula. Hoje o cara é cult, reverenciado, mas na época a intelligentsia torcia o nariz para ele. Por isso eu ia sozinho, meio que à socapa. Gastava o que eu tinha. Mal dava para uma dose de caju amigo (um drink popular na época), para regar a garganta que cantarolava o repertório inteiro que eu sabia de cor: “onde está você, com meu violão? Se você chegar fora de hora, não deixo você desfilar no meu cordão”,Eu chorei na avenida, eu chorei…. Não pensei que mentia a cabrocha que eu tanto amei”, “Eh! Meu amigo Charlie; Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown”, “ninguém sabe a mágoa que trago no peito, e quem me vê sorrir desse jeito nem sequer sabe a minha solidão… É que meu samba me ajuda na vida, minha dor vai passando esquecida, vou vivendo essa vida do jeito que ela me levar”…

Dona Inah, lenda viva do samba paulistano

Dona Inah, lenda viva do samba paulistano

Mais recentemente, vira e mexe eu ainda cavuco um bom samba em Sampaulo. Para trautear junto e acompanhar o gingado sem sair do lugar. Nessas horas, as rodas de samba do Ó do Borogodó são meu destino predileto, na fronteira dos bairros de Pinheiros e Vila Madalena, lateral meio escondida do cemitério São Paulo. Se der de topar com a presença luxuosa da octogenária Dona Inah, então, a semana está ganha.

Só muito recentemente decidi ir conhecer o Templo, que de uns tempos para cá caiu no gosto do povo do samba.

Logo RGB

Admito que temia encontrar um lugar focado no pagode fácil de harmonia pobre e letras indigentes que tem dominado o universo sambeiro. Prefiro não testemunhar essa fase decadente de um ritmo que já nos honrou com gênios da raça como Noel, Nelson Cavaquinho, Cartola, Adoniran, Silas de Oliveira…

Noel Rosa, Silas de Oliveira, Cartola, Nelson Cavaquinho e Adoniram Barbosa

Noel Rosa, Silas de Oliveira, Cartola, Nelson Cavaquinho e Adoniram Barbosa

Quer saber? Que bom que eu subestimava o lugar…  Foi a deixa para o Templo me surpreender! O slogan da casa diz tudo: Bar de Fé.

Murilo Cândido de Oliveira, paulista de Presidente Prudente – mas criado em Sampaulo, apaixonado por samba e religioso praticante – e graduado, largou a diretoria comercial de um importante grupo educacional, há cinco anos. Para abrir essa balada adorável no tradicionalíssimo bairro da Moóca.

2016-07-30 18.01.35

Noite de quinta-feira, no Templo

Noite de quinta-feira, no Templo

A ambientação é admirável. Prodigiosa. Uma descoberta atrás da outra. Encantadora, sem ser luxuosa. Numa certa medida, até pitoresca. De uma singeleza… Formidável. A alma brasileira pulsando em todo esplendor.

São Jorge dá as boas vindas ao Templo

São Jorge dá as boas vindas ao Templo

A cor predominante é a cor de barro, que a iluminação trata de tingir, aqui e ali. Mobília patinada em tons pastel….E detalhes encantadores – como a parede que sustenta a bancada do bar – em taipa.

A ambientação é de uma brasilidade rústica, radical. Na vidraça que separa a cozinha, saudações religiosas no maior ecumenismo.

A ambientação é de uma brasilidade rústica, radical.
Na vidraça que separa a cozinha, saudações religiosas no maior ecumenismo.

Além de painéis com frases sobre a Fé, que lembram as célebres pinturas do “profeta” carioca Gentileza (gera Gentileza).

Mixa Frases 3

E a exaltação ao ecumenismo religioso sobeja, exuberante, em grandes imagens de anjos, santos, orixás, divindades hindus, buda…

Jesus, Ganesh, Nossa Senhora Aparecida, Xangô, Santa Bárbara, Oxun, Oxóssi e até Santo Antônio de cabeça para baixo (como fazem as moças casadoiras)...

Jesus, Ganesh, Nossa Senhora Aparecida, Xangô, Santa Bárbara, Oxum, Oxóssi
e até Santo Antônio de cabeça para baixo (como fazem as moças casadoiras)…

O ecumenismo é minha praia. Sou católico. E mariano. Através da maternidade de Nossa Senhora abracei, reconhecido e reverente, a incondicionalidade do amor de meu Deus criador.

Mas sou católico porque fui criado do seio desta igreja, cresci na sua doutrina, cercado por sua iconografia, ritos e liturgia. Nascido fosse em outra cultura religiosa, talvez fosse tão devoto a Deus quanto sou. Só que O chamaria de Jeová, de Alá, Oxalá, Krishna…

Por isso, confio na possibilidade –  e acredito na necessidade – da convivência harmoniosa entre as religiões. E sonho até com um futuro de sincretismo – como já acontece timidamente, no Brasil, entre catolicismo e candomblé (salve, São Jorge!), embora nem sempre “tranquilo e favorável”. Todas, absolutamente TODAS as religiões, monoteístas ou politeístas, pregam o bem e a fraternidade. Falo do Cristianismo, do Judaísmo, do Islamismo, do Candombé & Umbanda, do Hinduismo, do Budismo, Xintoismo, Taoismo…

Ecumenismo I

Seitas demoníacas que brotam no fundamentalismo religioso (jihadistas, TFPs, Kachs) são exceção. São tumores malignos que devem ser quimioterapizados. Porque crápulas e facínoras existem, independente de vínculos religiosos. Esses aí apenas se escoram numa blasfêmia para sua delinquência sicária.

O que explica a diferença entre as religiões é a história e a cultura. As civilizações foram construídas ao longo de milênios, por uma humanidade apartada por distância até recentemente intransponíveis. Há dois mil anos, a Globo não mantinha enviados especiais na China. Há menos de mil, as árduas excursões ocidentais ao mundo árabe, as Cruzadas, focavam, exclusivamente, na dizimação dos mulçumanos. Há menos de 500 anos, a África só era frequentada para o saque de bens e sequestro de mão de obra escrava.

Intercâmbio é conceito muito recente.

Ecumenismo 3

As religiões vicejaram em cada uma dessas sociedades, isoladas umas das outras, a partir de suas culturas, suas próprias visões do mundo. Todas elas, entretanto, reconhecem a existência do Criador, focam na generosidade, na solidariedade e no amor. E reconhecem no mal, na crueldade e na injustiça, o inimigo a ser vencido. Temos isso em comum, mesmo que nossos deuses atendam por nomes e representações diferentes.

Ecumenismo 2

A comunhão entre nós é possível e desejável. Basta ser tolerante. Entender, aceitar e respeitar o diferente. Em religião, o nome disso é Ecumenismo. Como o que nos acolhe, encantador, no Templo do samba, de Murilo, na Moóca.

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A sensação é a de que entramos no miolo de uma escola de samba, desfilando o enredo FÉ. Ao som da batida do samba mandado ver ao vivo por um elenco de bambas.

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Segunda-feira é dia de Arlindo Cruz. Toda segunda. Assim como toda quinta é dia do Príncipe do Pagode, Reinaldo (pagode das antigas – sabe Elizeth Cardoso, Cyro Monteiro? Por aí…). Sábado é a vez da jovem dupla Sall e Almirzinho (filho de Almir Guineto).

Mix Artistas 1

Sem contar as atrações especiais que vira e mexe ocupam o palco e lotam o Templo.

Jorge Aragão, Marcelo D2, Elba Ramalho, Diogo Nogueira...

Jorge Aragão, Marcelo D2, Elba Ramalho, Diogo Nogueira…

Para se “soltar”, a cerveja brilha quase absoluta. Mas os destilados mais quentes também brilham nas mesas, aqui e ali. Vendidos, inclusive, em garrafas fechadas (que para grupos maiores pode sair muito mais em conta). Sem contar as boas criações de Roberto, o barman, digo, mixologista que é o jeito contemporâneo de tratar com respeito os alquimistas dos drinks. Caipirinhas criativas, Margueritas, Mojitos e o moderno Aperol Spritz seduzem o olhar e botam os neurônios para festejar.

Mix Bebidas

E se bater uma larica, consulte o bem-humorado cardápio em forma de missal, ilustrado pelo cartunista figuraça Laerte. Agora, se quer um conselho, vá de caldinho de feijão ou acarajés.

Caldinho de feijão e acarajé, para quando bater a larica.

Caldinho de feijão e acarajé, para quando bater a larica.

Lázaro, o chef da casa, é baiano e sabe o que faz.

Falar de comida é a deixa para destacar um dos pontos altos do Templo: a feijoada. É um dos programaços paulistanos para uma tarde de sábado. Escudado por sua assistente Oneida, o Chef Lázaro brilha, enquanto o samba de qualidade rola solto, com repertório de clássicos que, não deixa ninguém calado (de boca cheia e tudo!).

Chef Lázaro e Oneida no comando da Feijoada,

Chef Lázaro e Oneida no comando da Feijoada,

.Sugiro começar a função com uma dose da ótima cachaça com mel Busca Vida, catarinense, envelhecida em barris de umburana.

Mix Feijoada

Além da cumbuca borbulhante e bem temperada, lotada de bons pertences (costelinha, lombinho…) Vem arroz puxado no alho, tigelinhas de farofa, vinagrete e pimenta, além de uma farta travessa com torresmo (dos bons), couve (podia se cortada mais fininha) e dispensáveis rodelas de linguiça e costeleta de porco (por conta do excesso de óleo que escorre deles).

A hora para chegar é a partir das três. Mas faça reserva para garantir que sua mesa vai estar esperando. Porque lota legal.

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De sobremesa, vá de trio de Erê. Brincalhão e, como criança que é, Erê adora doces.

Arroz doce com doce de leite, doce de abóbora e canjica com paçoca - o trio de Erê

Arroz doce com doce de leite, doce de abóbora e canjica com paçoca – o trio de Erê

Balada para quem gosta de samba, o Templo é de se entrar proclamando Aleluia, deixar-se ficar cantando Hosana e sair gratulando Amém.

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Este post foi patrocinado por Walfredo Dantas, espírito iluminado por Graças e Bênçãos, parceiro de gandaias templárias e amigo do meu bem-querer.