Todo pouco ajuda

Sabe aquele famoso slogan de salgadinhos: “é impossível  comer um só”?

Aliás, isso me lembra um gaiato par de travestis, na carioca Banda de Ipanema, em mil novecentos e bota tempo nisso, vestidos iguais, levando uma plaquinha escrita de um lado, “as irmãs Elma-Chips”; do outro, “impossível comer uma só”.

Voltando ao livro, quer dizer… Ainda nem falei do livro!

Acabei de devorar um “livro Elma-Chips”. Um livro de crônicas curtas e expressivas sobre facetas recônditas de Sampaulo. Pinçadas da intimidade da cidade. Cada texto ilustrado com uma aquarela ou fotografia. Adoráveis, crônicas e ilustrações. Adequadíssimos, cada um a seu cada qual, como se um legendasse o outro.

De cima para baixo, trabalhos de Alex Senna, Alama, Alto Contraste (que reune o casal Lee e Lou), André Morbeck, B47 (que traduz legal a realidade industrial de sua Santo André), Binho Ribeiro, Chivitz (em parceria com sua parceira recorrente, Minhau, "especialista" em gatos), Crânio (índios críticos, é com ele) e Daniel Melim (autor desta obra de referência do graffiti de Sampaulo, no bairro da Luz).

De cima para baixo, trabalhos de Alex Senna, Alama, Alto Contraste (que reune o casal Lee e Lou), André Morbeck, B47 (que traduz legal a realidade industrial de sua Santo André), Binho Ribeiro, Chivitz (em parceria com sua parceira recorrente, Minhau, “especialista” em gatos), Crânio (índios críticos, é com ele) e Daniel Melim (autor desta obra de referência do graffiti de Sampaulo, no bairro da Luz).

Comecei a folhear o livro com superficial curiosidade. A capa é atraente e sugestiva, mas não pretendia mais do que dedicar-lhe uma vista d’olhos rápida. Não resisti ler a primeira, tampouco passar à segunda… Texto curto e belas imagens, logo meu pacote de salgadinhos estava vazio, digo, li o livro inteiro, trinta e poucas crônicas, meio que sem querer, mas chegando ao final querendo mais. “É impossível comer, ou melhor, ler uma só”.

O título é “São Paulo”. O autor, David Lloyd. Na falta de maiores informações sobre ele, supõe-se – pelo sucinto prefácio – seja um forasteiro. Um visitante sem cerimônia, desses que abre a geladeira, festeja o cachorro e deita no sofá fazendo sua a casa alheia. Sem constrangimento e tão à vontade que não soa abusado, pelo contrário. (Olha quem está falando…! Eu também não sou made in Sampaulo.).

O livro foi editado em 2007. Pela editora Casa 21.

Lá pelas tantas, meio que no meio dele, um texto sobre os grafites e grafiteiros que colorem os muros da cidade. A frase que fecha a crônica: “Todo pouco ajuda, mesmo que seja uma pequena pintura”.

Sampaulo não é uma cidade bonita. Aliás, Sampaulo é feia. Raros detalhes de atraente exceção só confirmam essa regra.

Não sei se é impressão minha ou se de fato o tempo mudou e, hoje em dia, temos mais dias claros, de sol, do que antigamente. A regra aqui era cinza, cor de nuvem baixa e carregada, garoa e frio. Tenho para mim que essa meteorologia hostil dava aos construtores da cidade, tanto os de obras públicas quanto os de edificações privadas, a desculpa para a falta de capricho. A rua era só lugar de passagem, não um destino em si. Para que cuidar de fachadas se todos buscavam os interiores onde abrigar-se do mau humor climático? Ainda assim, quando a vaidade exigia exibição de poder e posses, a ostentação de enfeites resultava em pastiches, por vezes grotescos. De raro em vez se encontra um prédio, um viaduto, um monumento ou uma paisagem que se salve. A regra é um minhocão aqui, acolá um edifício “neoclássico” à la Adolpho Lindenberg, entre a calha de um ex rio – canalizado e poluido – e um caixotting-center com portal metido a besta.

Se ao menos a natureza ajudasse, como faz com os cariocas. Qual o que! Até porque muito verde, aqui, só na torcida do Palmeiras.

Não, não se trata de desencanto com minha cidade. Por trás das fachadas, ao abrigo da feiúra exterior, Sampaulo é encantadora.

Sem contar que as coisas começam a mudar. Tudo bem que não precisava transformar ponte estaiada em uniforme, mas antes isso do que aquele “tobogã” sem eira nem beira que tacaram qual cicatriz no lado que era aberto do charmoso Estádio do Pacaembu.

Começando lá em cima, trabalho do tatuiense Dedablio, de El Tono (no Itaim), de Enivo (no Beco do Batman), de Ethos, as "baratas" de Feik, de Galo (de Mogi das Cruzes (aqui pertinho), de Gustavo Ansia, a logotipia de Ise e o impressionante mega mural de Kobra, dominando a Avenida Paulista.

Começando lá em cima, trabalho do tatuiense Dedablio, de El Tono (no Itaim), de Enivo (no Beco do Batman), a arte intrigante de Ethos, as “baratas” de Feik, um “peixe” de Galo (de Mogi das Cruzes (aqui pertinho), grafismo de Gustavo Ansia, a logotipia de Ise e o impressionante mega mural de Kobra, dominando a Avenida Paulista.

Um dos mais pródigos agentes dessa garibada urbana nasceu clandestino, na calada da noite paulistana. Tipo black-blocs das tintas em spray. E o bairro do Cambuci foi o criadouro mais fecundo do grafite paulistano.

Eu credito à feiúra urbana da cidade (que tange o lúgubre, particularmente nas periferias de DNA industrial) a força irrefreável, revolucionária mesmo, e o extraordinário talento dos nossos grafiteiros.

O grafite atingiu o patamar de Arte Urbana por excelência aqui, em Sampaulo. Los Angeles pode espernear, Berlin que arranque os cabelos, Londres caia em depressão, mas não há metrópole no mundo onde vicejem tantos e tão expressivos talentos.

Nova York pode até avocar pioneirismo na transformação de pichação em grafite, de conspurcação em arte – Keith Haring, Basquiat, Barbara Kruger…

Mas foi aqui que a nova linguagem floresceu, sublimando a manifestação de guerrilha cultural – não mais que sujidia – dos pichadores. Esparramou-se pela cidade inteira, da periferia distante à Avenida Paulista, até chegar, reconhecida, às paredes das novas e celebradas galerias de arte de vanguarda.

A garotada paulistana de pouca ou nenhuma posse foi privada de quase tudo que seja belo, lúdico, animador e salubre. Os grafites vieram suprir essas carências vitais. São como seus jardins que o crescimento urbano não preservou. Não é à toa que não se vêm pichações sobre a obra dos grafiteiros.

Daniel Melim, metalúrgico de formação e do engatinhar profissional (meio que lugar comum para quem nasceu em São Bernardo do Campo), virou grafiteiro dos muros por necessidade existencial, tipo exigência da alma criativa. Não planejava carreira artística, mas cumprir a vocação de botar emoção para fora. E fosse o que Deus quisesse…

Deus quis e Daniel é, hoje, um dos grafiteiros mais bem sucedidos do Brasil, com projeção global e trabalhos executados em todo o mundo.

Mas Daniel acredita que, hoje, parcela da garotada que grafita as ruas da Grande Sampaulo não o faz por considerar os muros da cidade o chegar lá de sua vocação artística. Apenas usa os muros como vitrine, em busca do reconhecimento de galerias e marchands que os conduzam ao mercado formal das artes.

Daniel sabe do que está falando. Como a maioria dos grafiteiros de sua geração, ele não se transplantou da periferia despossuída que o gerou. Vive cercado de uma molecada resgatada de situação de risco. Educando-a para as artes, inclusive.

Para desbravadores como ele, grafite é megafone artístico e ideológico. É ação criativa e política.

Da esquerda para a direita, de cima pra baixo, obras de: Nunca, Onesto, osgêmeos, Paulo Ito, Pierre Loco e Rafael Hayashi.

Da esquerda para a direita, de cima pra baixo, obras de: Nunca, Onesto, osgêmeos, Paulo Ito, Pierre Loco e Rafael Hayashi.

Victor “Monociclo”, entretanto, garoto artista que trocou o bairro do Ipiranga natal por um atelier no vizinho Cambuci, não encara as galerias de arte como destino prioritário. Ele encarna o novo grafiteiro. Ainda guerrilheiro da ocupação de muros, mas menos combatente indignado, mais cidadão em busca de negociar seu espaço na urbe. Na definição de sua atividade, ele lança mão das novas tecnologias virtuais: “grafite é um game que usa a cidade como plataforma”; arrematando que são “como plantas trepadeiras, se disseminando pelas paredes, ocupando os muros que os acolham”. Seu talento foi reconhecido na seleção do elenco retratado no livro “São Paulo em Vinte Artistas”, realizado por Alberto Hiar Junior, com apoio da Cavalera. E publicado pelo Governo do Estado..

Foi ele, Victor, que criou o site/aplicativo “Color+City” que facilita o encontro de donos de muros disponíveis e artistas que os embelezem com sua arte. Quem imaginaria há poucos anos que um mecanismo assim contaria, em pouco tempo, com milhares de ofertas? É a confirmação de que os grafites caíram no gosto da classe média paulistana. O mesmo proprietário que recebia grafiteiros com banhos de água fervente, agora se frustra quando vê seu muro virgem de uma obra de arte para chamar de sua. Muitos estão dispostos a pagar pela intervenção, escolhendo o artista que mais lhe agrada. Já são mais de três mil muros oferecidos no aplicativo de Victor, só em Sampaulo! Além de outros tantos no resto do Brasil, nos Estados Unidos, na Europa…. Entra no site (para se impressionar com o êxito desta iniciativa paulistana que se espalha pelo mundo)! E aproveita para assistir, lá, um vídeo sobre o movimento grafiteiro na cidade. Com depoimento de Gilberto Dimenstein, da galeria Choque Cultural, pioneira na incorporação do grafite ao mercado das artes.

O ativista Gilberto Dimenstein e o interior da Galeria Choque Cultural entre duas fachadas recentes do Instituto

O ativista Gilberto Dimenstein e o interior da Galeria Choque Cultural entre duas de suas fachadas recentes (com direito a carro grafitado e tudo)

O fato é que já parece ir longe o tempo em que o governo Kassab mandava apagar grafites, o que gerou um outro filme obrigatório para quem se interessa pelo fenômeno: “Cidade Cinza”, dos cineastas Marcelo Mesquita e Guilherme Vallengo, com trilha original de Criolo e Daniel Ganjaman.

Dentro desse universo que junta arte e rua – no cenário urbano de Sampaulo, um trabalho que chama a atenção pela originalidade é o 6 e meia. O nome 6 e meia se refere aos ponteiros do relógio, juntos, apontando para baixo.

Uma mostra do trabalho bem-humorado da dupla do 6 e Meia, SÃO e Delafuente, encontrável, sobretudo, no bairro da Barra Funda

Uma mostra do trabalho bem-humorado da dupla do 6 e Meia, os grafiteiros SÃO e Delafuente, encontrável, sobretudo, no bairro da Barra Funda

O foco do trabalho da dupla SÃO e Delafuente é o chão da cidade, Asfalto e calçadas, bocas-de-lobo e tampas de bueiro (embora também interfiram em outras peças do mobiliário urbano que não sejam muros).

im_orion6Outro exemplo de grafitagem inusitada – mas já apagado, foi o inquietante trabalho do artista Órion. Com um pano úmido, ele se manifestou na poluição agarrada às paredes do túnel da Avenida Cidade Jardim, denunciando essa “catacumba urbana”- como definiu, na época, Bruna Malburg na Revista MTV.

Mesmo os grafiteiros mais reconhecidos e incensados de Sampaulo, alguns contratados a peso de ouro para ocupar paredes com obras gigantescas, convidados por bienais e mostras importantes do mundo inteiro para expor seus trabalhos – disputados por colecionadores com pagamentos de dezenas de milhares de reais por uma pintura – não abandonaram as ruas. Seu habitat é lá. Vão auferir ganhos em espaços fechados, mas só ao ar livre esses peixes caem n’água.

As mulheres grafiteiras ainda são poucas. Mas deixam sua marca artística em Sampaulo. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Waleska, Magrela, Nina Pandolfo, Tikka e Sinhá

As mulheres grafiteiras ainda são poucas. Mas deixam sua marca artística em Sampaulo.
Da esquerda para a direita, de cima para baixo:
Waleska, Magrela, Nina Pandolfo, Tikka e Sinhá

As ruas de Sampaulo inteira, qualquer bairro em qualquer quadrante, conferem à paulicéia o status de museu vivo, em permanente mutação e ampliação. O maior museu da nova arte no mundo inteiro. Há sempre uma nova obra onde menos se espera.

São trabalhos que surpreendem e emocionam sem qualquer restrição que lhe enforme a expressão. Técnica apurada aqui, traço tosco ali; ora alegria, ora angústia; colorido intenso ou preto no branco; figuração e abstração, humor, melancolia, sarcasmo, medo, denúncia, ludicidade, sensualidade… Tem de tudo. Para todos os gostos e para todos os lados.

Em que outro lugar existe um Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU) – que usa as pilastras do viaduto que corre sobre a Avenida Cruzeiro do Sul – dividindo a mesma cidadania com as pilastras também grafitadas do Minhocão, com o emaranhado de ruas ocupadas em cada centímetro pelos grafiteiros (Beco do Batman, Beco do Aprendiz e seus entornos, na Vila Madalena) e, ainda, os giga-murais de autoria coletiva do Viaduto Jaceguai se esparramando pelos arcos adjacentes e as laterais da Avenida 23 de Maio? Expondo a obra de centenas de ótimos artistas.

Beco do Batman, Beco do Aprendiz, Museu Aberyo de Arte Urbana, Pilastras do Minhocão, Viaduto Jaceguai e Avenida 23 de Maio. Tudo na mesma Sampaulo. E isso é apenas uma amostra do que se espalha por todos os cantos da cidade.

Beco do Batman, Beco do Aprendiz, Museu Aberyo de Arte Urbana, Pilastras do Minhocão, Viaduto Jaceguai e Avenida 23 de Maio. Tudo na mesma Sampaulo. E isso é apenas uma amostra do que se espalha por todos os cantos da cidade.

Sem contar obras solitárias, isoladas, como os fascinantes trabalhos gráficos de Zezão que iluminam de azul os muros de contenção do deprimente rio Tietê.

Os graffitis de Zelão saem das galerias subterrânea para as margens do rio Tietê e, de lá, para lugares mais acessíveis de Sampaulo

Os graffitis de Zezão saem das galerias subterrânea para as margens do rio Tietê e, de lá, para lugares mais acessíveis de Sampaulo

L7m (luís Seven Martins), famoso por seus pássaros, pintou este olhar instigante no meio de uma trepadeira; o colorido Leiga trabalhou em parceria com Ricardo AKN (estas obras de dois ou mais artistas são muito comuns no graffiti); toda a lateral de uma casa, por Lelo; obra de Markone; muaral do onírico Mateus Bailon (minha mãe quase morou neste prédio, numa travessa da Avenida Giovani Gronchi); o nome do artista, Medo, diz muito sobre sua obra; Muretz lida com o humor e Nove é mestre no colorido vivo e abstrato.

L7m (luís Seven Martins), famoso por seus pássaros, pintou este olhar instigante no meio de uma trepadeira; o colorido Leiga trabalhou em parceria com Ricardo AKN (estas obras de dois ou mais artistas são muito comuns no graffiti); toda a lateral de uma casa, por Lelo; obra de Markone; muaral do onírico Mateus Bailon (minha mãe quase morou neste prédio, numa travessa da Avenida Giovani Gronchi); o nome do artista, Medo, diz muito sobre sua obra; Muretz lida com o humor e Nove é mestre no colorido vivo e abstrato.

Por falar do Beco do Batman, recentemente conheci João Cunha, um artista cuja pintura do personagem clássico de HQ, feita na distante década de oitenta, foi responsável pelo batismo do beco hoje célebre como referência global de arte urbana de rua.

Só para ter uma idéia – e longe de citar todos os grafiteiros em atividade na cidade, sente só a multidão de artistas – e coletivos de artistas – de rua de Sampaulo (em lista alfabética para “enquadrar” a galera. Brincadeirinha… Como se desse para encaixilhar essa moçada! A polícia que o diga…): Alex Senna, Alma, Alto Contraste, André Morbeck, ANX, B47, Binho Ribeiro, Carlos Dias, Chivitz, Ciro, Coió, Cranio, Daniel Melim, Dedabliu, Dem, El Tono, Enivo, Ermãos Monjon, Ethos, Fábio Q, Feik, Galo, Gustavo Ansia, Ise, Jaca, Jana Joana, Justo, Kobra, L7m, Leiga, Lelo, Magrela, Markone, Mateus Bailon, Medo, Minhau, Muretz, Nina Pandolfo, Nove, Nunca, Onesto, Órion, osgemeos, Ota, Paulo Ito, Pierre Loco, Pv, Rafael Hayashi, Rafael Roncato, Ramón Martins, Ricardo AKN, Rodrigo Branco, Rui Amaral, Saci Loves You, Sinhá, Speto, Thiago Alvim, Tikka, Tinho, Tsc, Victor Monociclo, Vitché, Vlok, Walesca, Whip, William Mophos, Zezão… Todos em exposição permanente nas paredes da cidade.

O Cambuci é uma mina de preciosidades que merece ser garimpada com vagar. Os cabeções amarelos de osgêmeos estão “escondidos” para todo lado. Como na cena ferroviária de pivetes da parede lateral do Colégio Maristas, na Rua Lavapés (restauro urgente, please!). A mesma parede exibe trabalhos de Nunca, Justo e Nina Pandolfo.

As travessas da Rua da Glória, na Liberdade, estão cheinhas de obras, um pouco menores – no sentido de menos grandes – e mais delicadas. Algumas são obras-primas. Além de osgêmeos, Nunca e Nina Pandolfo, a região guarda trabalhos preciosos de Whip – aparentados da arte japonesa dos mangás.

Os bairros de Pinheiros e de Vila Madalena, vizinhos na zona Oeste de Sampaulo, compõem talvez a mais abrangente e diversificada galeria a céu aberto da cidade. É por ali, na Rua Medeiros de Albuquerque, que fica a Choque Cultural.

A manifestação – antes marginal e perseguida – está tão institucionalizada, alcançou tamanho reconhecimento internacional que várias empresas de receptivo turístico oferecem tours guiados pelos grafites de Sampaulo.

Um dos mais populares é da Around SP. Dura algumas horas, percorre as regiões já citadas e inclui a visita a uma galeria especializada nisso que os estrangeiros chamam de street art.

Hoje, os construtores de Sampaulo já demonstram maior cuidado com as edificações que estão sendo erguidas na cidade. A administração pública começou a ouvir arquitetos antes de entregar suas obras ao cálculo dos engenheiros. E as incorporadoras imobiliárias ousam até chamar estrelas da arquitetura mundial – como o polonês Daniel Libeskind (autor do projeto que substitui as Torres Gêmeas no Ground Zero de Nova York) que criou o cintilante projeto do Edifício Vitra, no bairro do Itaim.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo, pinturas espalhadas por Sampaulo de Rafael Roncato (na marquise do Ibirapuera), portão de enrolar de Ramon Martins, muro de Rodrigo Branco e Saci Loves You, obra já histórica na descida do túnel Doutor Arnaldo - Paulista (várias vezes restaurada) de Rui Amaral, iconografia nordestina típica de Speto, trabalho de um dos desbravadores do graffiti paulistano - Tinho, pintra onírica de Vitché, trabalho bem humorado de Whip e o desenho apurado de William Mophos

Da esquerda para a direita, de cima para baixo, pinturas espalhadas por Sampaulo de Rafael Roncato (na marquise do Ibirapuera), portão de enrolar de Ramon Martins, muro de Rodrigo Branco e Saci Loves You, obra já histórica na descida do túnel Doutor Arnaldo – Paulista (várias vezes restaurada) de Rui Amaral, iconografia nordestina típica de Speto, trabalho de um dos desbravadores do graffiti paulistano – Tinho, pintra onírica da já clássica parceria Vitché e Jana Joana, trabalho bem humorado de Whip e o desenho apurado de William Mophos

Do fruto do pouco caso histórico com a aparência – que ainda impera e que não dá para ser implodido e refeito – cuidam muito bem os grafiteiros.

Agora, sabe para o que me chamou a atenção Alessandra Trindade? Surpreendentemente não há grafites que usem a paixão popular por futebol como tema, em Sampaulo… Bem, se for para alimentar a intolerância agressiva que move as torcidas uniformizadas locais, antes assim, Alessandra.

Lembra o título deste post? Todo pouco ajuda? Foi tirado de uma obra de menos de uma década atrás. Era o engatinhar dos pioneiros, o tempo de um grafite aqui, outro acolá. Focos esparsos de claridade, ajudando – como vagalumes – a salpicar sensibilidade por Sampaulo.

Hoje, milhares – ou dezenas de milhares – de grafites ocupam a cidade. Um turbilhão de emoções (parece título de novela mexicana…) existenciais que excitam nossas emoções sem trégua. Assim como não consigo mais imaginar minha vida sem um celular conectado, não concebo meu rodar por Sampaulo sem essa arte toda a me conduzir o encantamento.

 

(para ver melhor as fotos, clique sobre elas e, quando abrirem em outra página, clique novamente sobre a que voce quer ver, para ampliá-la)

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Obrigado, Daniel Melim, artista maior da rua, pela força, pela paciência.
Pessoal do 358, logo, logo, me jogo num post sobre essa coisa incrível que voces estão fazendo aí no Cambuci.
Obrigado Maurício Yazbek. Obrigado João Cunha.

Parabéns a voce!

Hoje é dia de festa
Pr’alegrar nossas almas;
Sampaulo faz anos,
Uma salva de palmas!

Lá no meu Maranhão natal, o “parabéns a você” tem esta segunda estrofe. Só aí vem os aplausos, o apagar das velinhas, o “e pra Sampaulo nada? Tudo! Como é que é? É pique”…

Este é o clímax de uma festa de aniversário. Tanto nas comemorações humildes quanto nas celebrações opulentas. Na intimidade cheek to cheek ou em efemérides concorridas.

E o centro da roda que se forma para o momento apicial é… o bolo! É ícone da celebração em toda a cultura ocidental. Birthday cake, torta de cumpleaños, gateu d’anniversaire, geburtstagskuchen, torta di compleanno…Ao aniversariante, cabe apagar as velinhas, simbolizando as etapas vencidas, o zerar do velocímetro. E a prerrogativa de cortar a primeira fatia (enquanto formula, esperançoso, um pedido secreto).  Além do privilégio de homenagear um dos presentes com o afeto do primeiro pedaço.

Hoje, Sampaulo precisa de um grande bolo para comportar 462 velinhas. Uma senhora madura de muitas rugas, mas também assanhadíssima, no maior pique.

Parabéns, minha cidade!

A cada um dos milhões de seus cidadãos, a faculdade dos pedidos. Para mim, reivindico brindar, com a primeira fatia, os boleiros da cidade. Os cake designers como reivindicam ser reconhecidos. Às artesãs e artesãos, da culinária e da escultura, anônimos e notórios, que adornam, encantam – e adoçam – nossas festas de aniversário. E de casamento, de bar mitzvá, de batizado, de formatura, de feitos e conquista alcançados, de onde motivo houver para festejar.

Minha relação com boleiros começou cedo. Menino, eu era colega de classe – e amigo ainda mais chegado de um grupo menor, dentro da classe – do filho, Celso, de uma boleira prendada, dona Gracinha. Moravam na vizinhança do colégio e, à saída das aulas, gozávamos do privilégio de invadir sua cozinha para “raspar” restos de bolo que ficavam nas formas. Enquanto admirávamos sua habilidade no manejo de bicos de confeitar, finalizando as encomendas.

Aqui, em Sampaulo, começo pela minha boleira de décadas, Luiza Ricci. Uma fada, formada em artes plásticas pela FAAP. Luiza já encantou com o condão de seu talento algumas de minhas mais memoráveis celebrações. Minhas e de – dá licença de arrotar em público? – alguns notáveis paulistanos como Rita Lee, a família Ermírio de Moraes, os Safra, Clodovil… Estabelecida na Alameda Campinas desde o início dos anos 90, reconhecida como decana pela nova geração, Luiza ainda cobra preços de antes dos cake boss celebrities. E não lhes fica a dever em qualidade gastronômica de bolos, em arte e em acabamento.

Parte do acervo de mais de cem formas de Luiza Ricci, dois bolos muito antigos feitos para mim, a cake designer quando recebeu sua primeira grande batedeira profissional (há beira trinta anos!) e algumas de suas criações (para Rita Lee, para capa de revista...)

Parte do acervo de mais de cem formas de Luiza Ricci; dois bolos muito antigos feitos para mim; a cake designer quando recebeu sua primeira grande batedeira profissional (há beira trinta anos!) e algumas de suas criações (para Rita Lee, para capa de revista…)

Por falar em celebridades, não dá para falar em design de bolos em Sampaulo sem destacar a rainha coroada da atividade, Isabella Suplicy. De volta ao Brasil, no final dos ainda anos 90, recém formada na prestigiosa Peter Kumps Cooking School de Nova York, Isabella começou a fazer bolos na garagem dos pais. Não tardou conquistar o grand monde paulistano com obras primorosas, luxuosas, de estética clássica, digna de celebrações nobiliárquicas europeias. Seu esmero e a competência de sua equipe fazem por merecer a inabalável permanência no topo da preferência da elite abonada da cidade. A esses clientes de prestígio, atende, para encomendas, apenas com hora marcada, de segunda a quarta feira, na Vila Progredior. Quintas, sextas e sábados são dedicados exclusivamente à confecção dos pedidos. Que vão além dos bolos e podem abranger toda a produção de doces de uma festa. Encomendas que, diga-se de passagem, chegam de todo o Brasil.

Isabella Suplicy, cake designer referência de Sampaulo e algumas de suas criações (inclusive naked, bolos infantis, bolo para Bar Mitzvá... Repare nos detalhes de acabamentos)

Isabella Suplicy, cake designer referência de Sampaulo e algumas de suas criações (inclusive naked, bolos infantis, bolo para Bar Mitzvá… Repare nos detalhes de acabamentos)

Correndo por fora, outro radiante talento de cake designer que encanta com suas lúdicas criações é Glorita Amaral, formada em decoração de bolos no berço da atividade, a Inglaterra. Há dezoito anos no métier, a artesã elabora suas criações na oficina atelier do bairro do Butantã, num condomínio fechado às margens da Raposo Tavares. O endereço transpira arte, pois abriga, também, o atelier de sua cunhada Christiane Bodini, artista maior de cerâmica e vidro. Falando em arte, as flores de açúcar feitas no atelier de Glorita são obras primas da confeitaria. Perfeitas, na delicadeza das texturas. Em seus bolos, só o arame que sustenta as pétalas florais não é comestível. Glorita é defensora de uma postura que lhe granjeia a simpatia dos clientes: não assinar os bolos nem permitir que suas copeiras divulguem a autoria porque, segundo ela, “os protagonistas de uma festa são os donos da festa”.

As flores de açúcar de Glorita Amaral e algumas de suas criações

As flores de açúcar de Glorita Amaral e algumas de suas esmeradas criações

Uma nova geração começa a mostrar serviço. É o caso de Luciana Correia, dona da Sweet Mary. Luciana recebe pedidos via web site, online. Eventualmente, para solicitações mais complexas, recebe clientes em seu atelier do Morumbi, nos arredores do estádio do tricolor paulista. Formada em terapia ocupacional, a simpática cake designer migrou para a arte com açúcar graças ao sucesso de suas talentosas criações (que praticava como hobby!). O elogiado “conteúdo” de seus bolos oferece variações que vão de massa de cenoura a chocolate belga com recheios de geléia de damasco ou marzipã ou creme de pistache ou frutas vermelhas ou nozes com doce de leite…

A terapeuta ocupacional Luciana Correia virou designer de caprichados bolos de festa

A terapeuta ocupacional Luciana Correia virou designer de caprichados bolos de festa

Mas a estrela cintilante entre os novos cake designers de Sampaulo é Nelson Pantano, o King Cake. Para atender exigências da família, Nelson veio para a capital – deixando Fernandópolis, no noroeste extremo paulista – cursar Publicidade e Propaganda na faculdade que é referência de excelência neste setor, a ESPM. Formado, nunca pisou em agência ou que tal. O talento para escultor de doçuras falou mais alto. Sua habilidade, por exemplo, para fazer flores de açúcar é notável. E sua King Cake conquistou o encantamento da elite paulistana = particularmente os mais jovens. A ponto de balançar o reinado de Isabella Suplicy.De fato, algumas de suas esculturas artísticas, digo, bolos, se construídas em metal ou pedra, poderiam adornar jardins e praças da cidade.

Na King Cake, clientes são recebidos com degustação

Na King Cake, clientes são recebidos com degustação

Felizmente, o paladar embevecido agradece que sejam guarnecidas por massa de café e especiarias, ou red velvet, ou limão siciliano com sementes de papoula, ou… Recheada por amêndoas ao mel, ou cocadinha, ou caramelo de noz pecan, ou… Numa variedade de sabores de, hummm, me deixar com a boca cheia d’água.Nélson atende a clientela com hora marcada, no atelier do bairro do Brooklin, com degustação dessas delícias!

Bolos esculturais são a marca de Nelson Pantano, célebre também por suas flores de açucar

Bolos esculturais são a marca de Nelson Pantano, célebre por suas flores de açucar

Outro cake designer que promete acontecer em Sampaulo é o vencedor do reality Batalha dos Confeiteiros, recentemente levado ao ar pela TV Record: Rick Zavala. O programa é franquia de Buddy Valastro, celebridade norte-americana da profissão, protagonista do show Cake Boss, muito popular em todo o mundo. Pelo que se viu na disputa brasileira, Rick é, de fato, fera.

Vencedor da Batalha dos Confeiteiros, o talentoso Rick Zavala, cercado por suas encantadoras criações

Vencedor da Batalha dos Confeiteiros, o talentoso Rick Zavala, cercado por algumas de suas criações. Celebridade, o cake designer já tem até fã clube pra chamar de seu.

Sua vitória lhe garantiu um estágio nos Estados Unidos e o comando da filial brasileira da rede chefiada por Valastro. Sua Carlo’s Bakery estará funcionando, ainda neste primeiro semestre, no Shopping Maia, em Guarulhos.

Alguns dos bolos do catálogo da Carlo's Bakery, de Buddy Valastro, em breve disponíveis na loja brasileira, aqui pertinho, em Guarulhos

Alguns dos bolos do catálogo da Carlo’s Bakery, de Buddy Valastro, em breve disponíveis na loja brasileira, aqui pertinho, em Guarulhos

Alguns dos bolos do catálogo da Carlo's Bakery, de Buddy Valastro, em breve disponíveis na loja brasileira, aqui pertinho, em Guarulhos

Alguns dos bolos do catálogo da Carlo’s Bakery, de Buddy Valastro, em breve disponíveis na loja brasileira, aqui pertinho, em Guarulhos

Agora, lembra aquela moda que virou febre há alguns anos atrás de bolos de aniversários que eram de fato caixas decoradas cheias de pedaços já cortados de bolo, embrulhados um a um. Tinham a vantagem de prescindir de pratos e garfos. Vai na mão mesmo…Pois deixe-me sugerir-lhe a opção de fazer isso, com bocados de um bolo do qual sou fã de carteirinha. De uma das melhores doceiras de Sampaulo. O bolo de coco – molhadinho e gelado – de Carole Crema. Carole se dedica ao resgate de doces caseiros antigos, tipo doce de vó. Pretende lançar, em breve, um dos meus prediletos – e também de Rick Zavala, a gelatina colorida, lembra? A loja dela, La Vie em Douce, na esquina da Alameda Tietê com a Rua da Consolação, nos Jardins, é uma tentação. Carole já entrega os pedaços de bolo de coco acondicionados em caixa de isopor (para mantê-los geladinhos, comme il faut; a você, cabe apenas decorar a caixa como se fosse um bolo (tarefa para qualquer confeiteiro que lide com pasta americana e bico de confeitar). Daí é botar velinha e… Surpresa! Abrir a caixa e distribuir as fatias.

Carole Crema e o seu adorável Bolo de Côco, servido cortado

Carole Crema e o seu adorável Bolo de Côco, servido cortado

Outra opção para quem não quer recorrer a um cake designer, mas não abre mão de sabores requintados e visual encantador – ainda que singelo, recomendo a Leckerhaus, na Rua Melo Alves quase esquina com a Alameda Lorena, nos Jardins. Os doce produtos da loja são preparados no Rio Grande do Sul e voam diariamente para Sampaulo. Também por isso, nem sempre tem todas as opções do catálogo disponíveis para pronta entrega. Trabalham com dois tamanhos (seis e doze fatias). Mas aceitam encomendas, com antecedência de dez dias, de tamanhos maiores. Muitos de suas adoráveis doçuras se prestam à perfeição para celebrações festivas. Sou habitué dessas criações, particularmente de um batizado de Alemanha (recheado com calda pedaçuda de frutas vermelhas). Como vários outros sabores do cardápio, este também é coberto por pasta de marzipã, substituindo a pasta americana tradicional – o que lhes confere um toque – delicioso – de amêndoas. Sou devoto desse doce de origem espanhola (acho que manchego, como Don Quixote). Uma vez, em Toledo, passei mal de tanto marzipã.

Entre as muitas opções da Leckerhaus, o Alemanha e o Festiva fazem bonito em festas menos requintadas

Entre as muitas opções do cardápio de delícias da Leckerhaus, o “Alemanha” e o “Festiva” fazem bonito em festas com o pessoal mais “de casa”

Além destes – com quem tenho mais intimidade, dezenas de outros cake designers desenvolvem sua arte em Sampaulo. Já fui a festas cujos bolos de autorias diferentes das já citadas me seduziram. Seja pela criatividade, pelo acabamento esmerado, pela paixão revelada por seus artesãos em fazerem o que fazem. Como as preciosidades de Alessandra Tosini, estabelecida no Shopping Ibirapuera. Ou de Danielle Andrade, que mantem atelier no bairro de Perdizes. A Make the Cake, no bairro da Lapa, atende estilistas – figurinhas exigentes – como Marcelo Sommer. Manô Andrade, do bairro de Pinheiros, tem artesania elogiada até por seus concorrentes. E Nika Linden, no bairro do Brooklin, cria verdadeiros cenários de sonho. No bairro do Campo Belo, Otávia Sommavilla tem clientela fiel de suas doces criações. As meninas do Piece of Cake, na Vila Madalena, também contam com legião de fãs de seus bolos surpreendentes. E Simone Amaral leva clientes até a distante Granja Viana, arrastados pela excelência de seu trabalho.

Lindas e doces criações de Alessandra Tosini (1), Danielle Andrade (2), Make the Cake (3), Manô Andrade (4), Nika Linden (5), Otávia Sommavilla (6), Piece of Cake (7) e Simone Amaral (8)

Lindas e doces criações de Alessandra Tosini (1), Danielle Andrade (2),
Make the Cake (3), Manô Andrade (4), Nika Linden (5),
Otávia Sommavilla (6), Piece of Cake (7) e Simone Amaral (8)

Reservei para o final uma recomendação para os aniversariantes da geração saúde. Os que fogem de açúcares refinados, de glúten ou que sofram de intolerância à lactose. Para estes, o simpaticíssimo casal Alana e Bruno criaram a La Cakeria, no bairro de Perdizes. Eles só atendem on line e entregam suas criações numa vasta região de Sampaulo. São bolos mais rústicos – como é do agrado da galera preocupada com o bem-estar.

Alana cria bolos saudáveis na cozinha de La Cakeria, mo bairro de Perdizes

Alana cria bolos saudáveis e tentadores na cozinha da La Cakeria, mo bairro de Perdizes

Uma das lembranças mais remotas que guardo no arquivo das memórias prazerosas é um aniversário meu de cinco ou seis anos. Mamãe costumava comemorar os aniversários dos dois filhos mais velhos (eu e meu irmão Marcelo) numa mesma festa. Somos, ambos, do mesmo signo, com três semanas de diferença. A terceira sagitariana, Ilka, acabara de nascer. Naquele tempo, festas infantis temáticas não eram comuns. Mas ganhamos uma, encantadora: um mergulho no universo dos piratas. O bolo tinha o formato de um baú de tesouros, vazando moedas de chocolate (lembra dessas preciosidades? 12107433_1510653605911577_1650985764_nAcho que ainda existem… O que desapareceu – por razões óbvias = foram os cigarros de chocolate) e joias coloridas feitas com jujubas. As crianças convidadas ganhavam tapa-olhos e lenços para amarrar na cabeça, criando um clima de fantasia que permanece tatuado no meu coração. Tudo isso veio à tona quando vi um bolo de Glorita Amaral. Uma linda alegoria que periga provocar recordações assim, deliciosamente saudosas, daqui a cinquenta e tantos anos, numa criança que comemorou com ele seu aniversário recentemente.

Agora, não se esqueça de começar o planejamento de sua próxima comemoração pelo ícone da festa: o bolo.

E… Viva Sampaulo!

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